Empresária mineira relembra a trajetória, analisa o crescimento da indústria de jogos e explica como o universo dos games tem criado oportunidades
De Belo Horizonte para a indústria brasileira de jogos eletrônicos, Bruna Simões construiu a carreira a partir da formação em Minas Gerais. Graduada em Design pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ela iniciou a trajetória profissional no ecossistema de startups e, atualmente, lidera a Thunder Games, empresa especializada no desenvolvimento de jogos e soluções gamificadas.
À frente da companhia desde 2021, a executiva acumula experiência em desenvolvimento de produtos digitais, internacionalização e relacionamento com investidores. Além de comandar a estratégia da empresa, participa da criação de projetos que utilizam os games como ferramenta de comunicação, engajamento e aproximação entre marcas e consumidores.
Entre os projetos da Thunder Games está o desenvolvimento do Wedgetail, um jogo independente brasileiro do gênero hero shooter com aviões. A empresa também cria experiências gamificadas para organizações de diferentes segmentos, desenvolvendo ações personalizadas em plataformas como Fortnite Creative, Roblox Studio e Minecraft.
Em entrevista ao Hoje em Dia, Bruna Simões falou sobre a influência de Minas Gerais em sua formação, o momento vivido pela indústria de games no Brasil, o crescimento da gamificação entre empresas, o potencial do setor no futebol mineiro e os planos da Thunder Games para os próximos anos.
Pode nos contar um pouco mais sobre sua trajetória em Minas Gerais e a relação dela com a criação da Thunder Games?
Minas Gerais teve um papel fundamental na minha formação. Estudei no estado até a universidade e me graduei em Design pela UFMG, onde tive contato com metodologias de desenvolvimento de projetos que utilizo até hoje. Então digo que toda essa base foi essencial para o meu desenvolvimento enquanto pessoa e profissional, e é algo que levo ao longo de toda a minha trajetória. Todo o repertório que adquiri e as experiências que vivi encontram alguma aplicação prática em meu cotidiano na Thunder Games, pensando em nossos produtos e negócios.
O que motivou você a empreender no mercado de games?
O meu interesse pelos games vem de longa data, desde quando eu morava em Minas Gerais, e sempre enxerguei os jogos como uma das formas de entretenimento mais completas da atualidade. É um universo fascinante e que oferece ampla gama de experiências ao público. Trata-se de um setor que tem encontrado grande apelo principalmente entre as gerações mais jovens, que se deparam com inúmeras possibilidades.
Além disso, ao longo da minha trajetória profissional percebi que os games também poderiam ser utilizados como ferramentas de comunicação, engajamento e inovação, como uma forma de gerar conexão real com as novas gerações. A Thunder Games nasceu justamente a partir dessa visão de conectar diferentes setores por meio de experiências interativas.
Como surgiu a Thunder Games e qual é o foco da empresa atualmente?
A Thunder Games foi criada para desenvolver jogos e soluções gamificadas capazes de transformar ideias em experiências envolventes. Nós enxergamos os jogos como plataformas de grande alcance no âmbito da comunicação e do marketing, podendo gerar valor real para as empresas junto ao público, a partir da disponibilização de experiências que realmente façam sentido para os jogadores.
O mais importante é que as experiências são totalmente personalizadas. Tivemos um case com o Walmart, por exemplo, com dinâmicas do processo de seleção para TI realizadas em um mapa personalizado no Fortnite Creative, simulando situações reais do dia a dia profissional e oferecendo dados precisos do desempenho dos candidatos. Já com a Brasilprev, criamos um game imersivo, também desenvolvido dentro do Fortnite Creative, transformando o tema “futuro” em uma jornada lúdica e inspiradora, comunicando a ideia do planejamento da aposentadoria.
O outro grande pilar da empresa também é o desenvolvimento de jogos. Nosso principal projeto atual é o Wedgetail, que se encontra em fase de aprimoramento. Trata-se de um hero shooter brasileiro de aviões que traz uma proposta diferenciada de jogabilidade.
Como você avalia o momento atual da indústria de games no Brasil e em Minas Gerais?
O mercado brasileiro vive uma fase de consolidação e amadurecimento. Temos cada vez mais profissionais qualificados, eventos relevantes, investidores interessados e um público extremamente conectado. O Brasil já é um dos maiores mercados consumidores de jogos do mundo, sendo o principal da América Latina, e, dentro desse cenário, enxergo várias possibilidades.
Também vejo tendências importantes para determinar as melhores estratégias. Uma é o uso da IA generativa na produção dos jogos, algo que já é muito comum na indústria, mas que ainda depende do toque humano para que o produto final seja realmente personalizado e não venha com “cara de IA”.
Outra é uma tendência de comportamento, com a preferência do público cada vez maior por jogos que ofereçam experiências mais curtas, em detrimento dos jogos com modo história, por exemplo. Saber enxergar esse contexto é fundamental.
Já em Minas Gerais, também enxergo um mercado em forte expansão, com o estado entre os pólos de inovação mais promissores do Brasil. Um destaque do setor é a realização do PlayMinas, tanto em 2025 quanto em 2026. Trata-se de uma iniciativa do Governo de Minas Gerais em parceria com o Instituto Novare, que se destaca entre os principais projetos itinerantes de games do Brasil, apresentando o mercado aos jovens.
Os serviços fornecidos pela Thunder podem ser replicados no futebol mineiro? De que forma a empresa poderia contribuir com o futebol no estado?