Gustavo Valio sustenta que, em junho, o Conselho Deliberativo aprovou o projeto sem discutir se a cisão envolveria o departamento de futebol ou a integração de todo o clube
Gustavo Valio foi diretor financeiro da Ponte Preta nas gestões de Vanderlei Pereira, José Armando Abdalla Junior e Marco Antonio Eberlin (PontePress)
Ponte Preta vive uma semana marcada por uma disputa judicial. Ex-diretor financeiro das gestões de Vanderlei Pereira, José Armando Abdalla Junior e Marco Antonio Eberlin, o advogado Gustavo Garcia Valio ingressou com um pedido de liminar na Justiça Cível para suspender a reunião marcada para o dia 19 deste mês.
Segundo o ex-dirigente, a ação tem como objetivo obter a ata da reunião do Conselho Deliberativo realizada em 17 de junho, que aprovou a instalação da SAF. Valio sustenta que, naquela ocasião, não houve discussão entre os conselheiros sobre a forma de constituição do projeto, especialmente se a estrutura seria criada por meio da cisão do Departamento de Futebol Profissional ou se abrangeria todo o clube. Em mensagem enviada à reportagem do Correio Popular, ele apontou ainda outra possível falha. De acordo com Valio, a comissão criada para estudar o assunto também não tratou dessa questão em seu relatório. A expectativa do ex-dirigente é que a Justiça conceda a liminar e interrompa o andamento do processo até que o ponto seja esclarecido.
O diretor jurídico da Ponte Preta, José Henrique Specie, afirma que o clube não vê motivos para impedir a realização da AGE, que irá consultar os associados sobre a criação da SAF. “A Ponte Preta apresentou sua defesa dentro do prazo no processo. Ressaltamos que o autor da ação é conselheiro do clube e esteve presente na votação, sendo um dos 22 votos vencidos”, afirmou o dirigente. Specie acrescentou que a posição do clube está amparada pelo estatuto. “A documentação solicitada não tem previsão no Estatuto e não é condicionante para a realização da AGE. Entendemos que não há fundamentos que venham a impedir uma AGE regularmente convocada, como determina o Estatuto do clube”, disse.
No último dia 04, a mesa do Conselho Deliberativo, presidida por José Armando Abdalla Junior, divulgou um comunicado para reafirmar que não haverá análise de propostas durante a assembleia. O objetivo foi esclarecer um dos pontos que vinham sendo levantados pela oposição. “Nesse momento, não existe análise de propostas, documentos ou contratos. Qualquer futura proposta ou contrato sobre possíveis investidores somente será analisado em nova reunião do Conselho Deliberativo e em nova Assembleia Geral Extraordinária que será convocada futuramente para essa finalidade”, informou a mesa do Conselho.
De acordo com o edital publicado no Correio Popular, a votação será realizada das 8h às 14h30 do dia 19. O associado receberá uma cédula e deverá assinalar “Sim” para aprovar a criação da SAF ou “Não” para rejeitar a proposta. Para evitar as confusões registradas no dia 24 de agosto, após depositar o voto na urna, o associado deverá deixar o Salão Nobre Pedro Pinheiro, local da votação. A apuração e a divulgação do resultado serão realizadas a partir das 14h30 do dia 19.
Para participar, o associado deverá comparecer munido de documento de identidade, como CNH ou RG, e comprovar que está em dia com as mensalidades. A assembleia também deverá respeitar as liminares já obtidas por Gustavo Valio e por um grupo de conselheiros. Entre os integrantes do grupo estão Eduardo Lacerda, candidato derrotado na eleição de 2021, e Ricardo José Silva, ex-diretor de marketing demitido pelo atual presidente, Luiz Antonio Torrano.
A primeira liminar determina que a assembleia estabeleça se a SAF será criada a partir da cisão do Departamento de Futebol Profissional ou se incorporará o clube inteiro. A segunda determina que toda a reunião seja filmada e que haja a presença de um representante de cartório. As medidas deverão ser observadas durante a realização da AGE.
O presidente Luiz Torrano afirmou que, caso a criação da SAF seja aprovada, a Ponte Preta estará aberta a receber propostas de investidores. Até o momento, segundo o clube, a única proposta em negociação é a de um fundo de investimentos que prevê R$ 300 milhões ao longo de dez anos, dos quais R$ 300 milhões seriam destinados ao pagamento de dívidas.
Na área financeira, a diretoria pagou anteontem à noite um mês de salários aos funcionários. Em relação aos jogadores, os dirigentes ainda buscam recursos para quitar pelo menos uma folha salarial