É impossível analisar a sofrida e heróica classificação da  Seleção Brasileira para as oitavas de final da Copa do Mundo, sem pensar nas escolhas de  Carlo Ancelotti. 

O Japão abriu o placar em um contra-ataque gerado por um erro de passe de um dos jogadores mais contestados do elenco. Danilo, de 34 anos, é um dos "homens de confiança" do treinador. Inclusive foi o único atleta convocado antecipadamente para a Copa, em março. 

No Flamengo, ele joga atualmente como zagueiro, principalmente porque já não tem o vigor físico de outrora para correr atrás de atacantes rápidos. Na Seleção, virou a única opção para a lateral-direita, graças ao corte de Wesley por lesão. É quase imperdoável a Seleção não ter um jogador da posição no banco de reservas.

Contra o Japão, durante os 45 minutos, o ritmo dele foi mais uma vez lento. Sem falar nas trombadas com companheiros em campo. Casemiro parecia perdido.

Como o Japão terminou o primeiro tempo à frente no placar, dez entre dez brasileiros esperavam que o Brasil fosse voltar para a segunda etapa  sem Casemiro, que corria risco grave de ser expulso, caso precisasse "matar" um novo contra-ataque. 

Porém, surpreendentemente, Carlo Ancelotti manteve o veterano no campo. Com o suporte do "mister", Casemiro melhorou consideravelmente seu desempenho e foi premiado com o gol de empate, usando a cabeça. Ou seja, foi do inferno ao céu.

Futebol não se joga só com os pés — mas com memória, rua e coração. Tenho 44 anos de "sonho, sangue e América do Sul". Jornalista esportivo e bacharel em filosofia.

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