O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, voltou a defender a possibilidade de a Fórmula 1 receber uma 12ª equipe. A posição contradiz a avaliação recente de Stefano Domenicali, CEO da categoria, que afirmou não existir necessidade de uma nova entrada no médio prazo.
Para Ben Sulayem, porém, não basta ampliar o grid. A prioridade seria atrair um grande fabricante chinês, especialmente depois da chegada da Cadillac como 11ª equipe.
“A FIA pode abrir uma licitação para encontrar uma 12ª equipe, mas precisamos de uma equipe? Não. Precisamos ‘da’ equipe.”
“Eu disse, e também falei ao promotor, que concordamos que precisamos de uma equipe, e essa equipe deve vir da China.”
Segundo declarações publicadas pela Autosprint, o presidente da FIA já conversou com representantes da BYD e da Geely. Inicialmente, Ben Sulayem sugeriu que a BYD poderia comprar uma operação existente. No entanto, a fabricante teria respondido que deseja construir sua própria equipe.
“Eu me reuni com outros fabricantes que disseram que precisavam estar na Fórmula 1. Um deles era a BYD, o outro era a Geely.”
“Nós dissemos que, se eles viessem, abriríamos uma manifestação de interesse.”
Apesar disso, o dirigente ressaltou que qualquer projeto ainda precisaria apresentar uma proposta séria e atender às exigências da FIA antes da abertura de um processo formal.
“Então, voltem com uma oferta séria e veremos se pode funcionar.”
Ben Sulayem também deixou claro que a eventual chegada de uma fabricante chinesa não influenciaria o futuro técnico da Fórmula 1. Embora BYD e Geely tenham forte atuação no setor de eletrificação, as decisões sobre os motores seguirão outros critérios.
“Os regulamentos não serão influenciados pelos chineses. Não podemos fazer isso.”
“Precisamos de estabilidade nos regulamentos. Sei que eles estão na vanguarda da eletrificação, mas esse é o único caminho para alcançar nosso objetivo?”
“Estamos tentando alcançar um ambiente mais limpo e um ar melhor, e existem muitas maneiras de fazer isso.”
Além de defender uma possível 12ª equipe, Ben Sulayem afirmou que a Espanha pode receber tranquilamente duas corridas por temporada. Madrid tem contrato anual com a Fórmula 1 até 2035, enquanto Barcelona-Catalunha voltará ao calendário em 2028, 2030 e 2032, dentro de um acordo de alternância.
O presidente lembrou que outros países já receberam mais de um GP no mesmo ano. “Havia duas corridas na Itália e duas na Alemanha. Existem três nos Estados Unidos. Portanto, isso é o que é necessário, desde que faça sentido logisticamente.”
A declaração foi dada poucos dias depois de Domenicali admitir que Barcelona ainda deseja recuperar uma vaga anual no calendário. Dessa forma, a possibilidade de dois GPs espanhóis continua sendo discutida dentro da categoria.
Ben Sulayem, entretanto, alertou que o número total de corridas não pode crescer indefinidamente. Para ele, a expansão precisa levar em conta principalmente o impacto sobre os profissionais da Fórmula 1.
Na avaliação do presidente da FIA, 24 provas representam um limite adequado, enquanto 25 deveriam ser o máximo por causa do desgaste imposto aos pilotos, às equipes e aos demais profissionais da categoria.
“O pior é a exaustão, e a segurança depende disso.”
Assim, apesar de defender dois GPs na Espanha e até uma possível 12ª equipe, Ben Sulayem não apoia uma expansão ilimitada do calendário. Para o dirigente, a segurança deve continuar sendo uma prioridade