Quando acabar a Copa de 2026, a Fifa (Federação Internacional de Futebol) deve iniciar o processo de concorrência para os direitos de TV da Copa de 2030. A expectativa é de que isso ocorra ainda neste semestre, segundo fontes com conhecimento do assunto.

Ensaia-se nos bastidores uma disputa entre a Globo e a dona da CazéTV que envolve diferentes modelos para a Fifa. O resultado vai depender tanto de valores quanto de projeções para o futuro.

Em março de 2021, em um acordo com a Fifa, a Globo abriu mão da exclusividade dos direitos de streaming. A LiveMode, empresa que controla a CazéTV, passou a ser representante da Fifa para negociar esses direitos para a Copa do Qatar-2022. A venda para terceiros, porém, não andou. A LiveMode, usando a CazéTV, fechou uma cota segundo a qual produziria 100% dos jogos para o Fifa+ e teria direito a um jogo para exibição própria. Haveria divisão de receitas publicitárias.

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Com o sucesso de 2022, a CazéTV fez uma parceria com o YouTube e, em conjunto, compraram os direitos de streaming para todos os 104 jogos para a Copa-2026.

Como para o Qatar, a receita de publicidade seria dividida. A diferença é que, para o torneio de Canadá, EUA e México, há um valor mínimo garantido para a Fifa. Essa meta de receita arrecadada é alta, segundo apurou o UOL, o que faz com que a CazéTV tenha de gerar uma renda significativa com publicidade para que toda a operação valha a pena.

Enquanto isso, a Globo fez uma compra de direitos de transmissão tradicional para mostrar 52 jogos na TV aberta.

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Em comum, as duas empresas vendem grandes pacotes publicitários para pagar a conta. Mas há uma diferença. O modelo da CazéTV aposta pesado na publicidade do segmento de apostas. E a recente restrição do Ministério da Justiça à propaganda de bets pode afetar entregas publicitárias em seus contratos e eventualmente reduzir receitas. A própria CazéTV retirou as falas sobre odds de suas transmissões.

A emissora global também tem publicidade de bets, mas são inserções tradicionais, sem narradores e comentaristas discutindo as odds, como acontecia na Cazé. Essa diferença terá impacto na concorrência.

Outra nova fonte de receita para as duas emissoras serão as pausas de hidratação. A Fifa indicou que vai manter os "cooling breaks", em informação dada pelo próprio presidente Gianni Infantino em declaração para a imprensa. Se isso acontecer, para a Copa-2030 aumentam as possibilidades de receita publicitária.

A Fifa também ampliou, antes da Copa, os direitos para detentores no YouTube.

As duas notícias aumentam a força da CazéTV na disputa. A primeira, por ampliar o leque de arrecadação. A segunda, pela parceria com a própria plataforma. A CazéTV é uma empresa que tem investidores como GA e XP como aliados, além de ter seu modelo de negócio uma parceria com o YouTube.

Dentro da Globo, fala-se que a renovação dos direitos da Copa do Mundo é prioridade. E a emissora em geral tem bastante dinheiro para investir.

Um aspecto político também entra em jogo: o fato de a CBF estar em atrito com a CazéTV. A confederação e a LiveMode têm uma disputa relacionada ao futuro da Liga do Brasileiro, visto que a empresa está associada aos investidores da Futebol Forte União - que controla um condomínio com nove clubes da Série A.

Até agora, no entanto, não se observou nenhuma influência da CBF na percepção da Fifa sobre a CazéTV. O próprio diretor de negócios da entidade, Romy Gay, deu uma entrevista ao Estadão dizendo que a emissora está entre as concorrentes para os direitos de 2030.

De forma política, a Fifa exaltou durante a Copa tanto o recorde da Globo em transmissão do Brasil quanto o recorde mundial de transmissão simultânea da CazéTV no YouTube, de 18,3 milhões de aparelhos conectados (número ampliado para 21 milhões ontem, na vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1).

Essas entregas de audiência também contam no pacote de escolha da Fifa, embora a receita seja prioritária.

Até agora, a Fifa não fechou exclusividade de venda com alguma agência para 2030, como aconteceu com a LiveMode para 2026. Com isso, é possível que apenas um player, como Globo ou CazéTV, por exemplo, compre todo o pacote de Copa do Mundo para os próximos ciclos e passe, então, a negociar sublicenciamentos. Esse valor, porém, tende a ser substacialmente alto. Outra possibilidade é uma divisão de direitos, como ocorre atualmente