IGOR SIQUEIRA / RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, fez críticas a questões políticas relacionadas à Copa do Mundo. Ele propôs à Fifa a criação de um espaço de diálogo permanente para discutir medidas em prol da integridade do futebol.
A ideia abordada em um comunicado divulgado neste domingo (19/7) é começar as conversas de imediato, visando construir o que ele chama de um marco de integridade, pensando na próxima edição da Copa, em 2030.
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No texto, Berset descreve a edição de 2026 como um torneio de "pergunta atrás de pergunta". E aponta: "A próxima crise já começou. Ela tem dois nomes: dinheiro e poder".
Ele cita uma sanção suspensa sob pressão, referindo-se à intervenção do presidente Donald Trump na decisão do Comitê Disciplinar da Fifa posterior à expulsão do atacante Folarin Balogun.
O representante do órgão europeu mencionou também questionamentos sobre a autoridade dos árbitros. No mesmo episódio envolvendo o cartão a Balogun após checagem no VAR, Trump afirmou, sem provas, que o árbitro brasileiro Raphael Claus era "suspeito". Isso gerou defesa a Claus por parte de Fifa, Conmebol e CBF.
"Quando as regras se dobram sob pressão, todo resultado fica em dúvida", disse Berset.
O secretário-geral apontou ainda casos de racismo contra jogadores e "parte desses casos partiu de autoridades eleitas". Essa referência é à senadora paraguaia Celeste Amarilla, que fez ataques a Kylian Mbappé.
O representante do Conselho da Europa também fez críticas à presença de uma casa de apostas entre as patrocinadoras da Copa.
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"As apostas deixaram de se concentrar no resultado de uma partida e passaram a se voltar para momentos que um único jogador pode produzir sem alterar o placar. Uma aposta vencida ao fazer outros perderem. É uma porta aberta para a fraude. E esta Copa do Mundo abriu essa porta ainda mais", argumentou.
Para justificar sua proposta de abertura de diálogo e entendimento em torno de um marco regulatório, Berset cita casos do passado. Em 1985, 39 pessoas morreram na tragédia do Estádio Heysel. Depois disso, o Conselho da Europa agiu rápido. Em três meses, criou um tratado vinculante sobre segurança em estádios.
Esse tratado neste domingo (19) é a Convenção sobre uma Abordagem Integrada de Segurança, Proteção e Serviços em Jogos de Futebol e Outros Eventos Esportivos. Ela tem 39 países signatários.
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Berset cita ainda outros dois exemplos. Um é a Convenção Antidoping do Conselho da Europa. Ela é vinculante para 52 Estados. O outro é a Convenção sobre a Manipulação de Competições Esportivas. É conhecida como Convenção de Macolin, com 43 países signatários.
"Cada vez, o Conselho da Europa respondeu com a lei", afirma o texto. A instituição reivindica quatro décadas transformando crises do esporte em regras do esporte.
"Hoje à noite, o apito final vai encerrar o torneio. Que ele também abra o terceiro tempo e o trabalho urgente de fortalecer a integridade do esporte", escreveu