A Copa Maria Bonita realizará a sua segunda edição buscando consolidar o calendário do futebol feminino no Nordeste. Em 2025, o Fortaleza foi o primeiro clube campeão da competição, ao vencer o Sport por 1 a 0. 

Com o torneio marcado para os dias 14 a 23 de dezembro, a disputa contará com nove equipes divididas em três grupos. 

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o diretor comercial da Federação Pernambucana de Futebol e idealizador da Copa Maria Bonita, Denis Perucci detalhou a segunda edição do torneio.

“A aceitação do projeto foi sensacional. A audiência no caso da Globo foi muito significativa. Foram três jogos transmitidos para todo o Nordeste, menos Bahia e teve uma audiência muito expressiva, coisa parecida com o final do Campeonato Pernambucano. O canal Goat transmitiu todos os jogos e no finalzinho a gente acabou fechando uma parceria com a NSports também que fez as duas semifinais e a final da competição, todos com audiências bem legais. Então assim, foi muito positivo para a primeira edição”, comentou. 

Inspirado em torneios como a Copa do Nordeste e a Ladies Cup, a Copa Maria Bonita reúne representantes de todos os estados da região. Para 2026, as equipes confirmadas são o Sport, Ceará, Vitória, Atlético Piauiense, Juventude (de Sergipe), CRB, Mixto, ABC e Sampaio Corrêa.
 
Diferentemente da sua edição inaugural, a Copa precisou passar por mudanças que vão desde o local dos jogos até as datas da competição. 

O torneio, que em 2025 foi realizado na Arena de Pernambuco (palco da Copa do Mundo Feminina de 2027), negocia para acontecer na Ilha do Retiro ou nos Aflitos. A mudança de local, segundo o idealizador do projeto, ocorre devido aos eventos que acontecerão no estádio do Mundial. 

"Inicialmente o projeto estava previsto para novembro e para acontecer na Arena de Pernambuco, mas acontece que terão alguns eventos na Arena: um religioso e vai ter também uma vaquejada. Depois, [a Arena] vai parar para reformar para a Copa do Mundo. Com isso, infelizmente, nós ficamos sem a possibilidade de fazer a competição lá na Arena de Pernambuco e a gente também teve que alterar a data da competição", explicou Denis Perucci.

Idealizadores organizam torneio internacional com vencedores

Entre as novidades para a edição de 2026 está a organização de uma segunda competição, a Maria Bonita Cup, onde a equipe campeã e vice da Copa Maria Bonita vão competir em um segundo torneio com dois times internacionais. 

A disputa já fazia parte do projeto inicial do evento, que tinha como objetivo a participação de equipes estrangeiras. A previsão é que a Maria Bonita Cup ocorra durante os dias 28 a 30 de dezembro. 

De acordo com a organização, a competição será realizada em duas rodadas, no que representam as semifinais. Os vencedores se classificam para a final e os perdedores defendem o terceiro e o quarto lugar. 
 
“É um pouco do formato da Ladies Cup, que a gente se inspirou um pouquinho nisso também. Serão dois times convidados, a nossa intenção é trazer um time europeu e um time sul-americano. A gente ainda tá vendo data, mas possivelmente vai ser logo em seguida da Copa Maria Bonita”, detalhou Perucci. 

A Copa Maria Bonita havia sido anunciada ainda em 2022, mas acabou não acontecendo naquele ano. Segundo Perucci, a suspensão do torneio aconteceu pelo entrave na busca parceiros comerciais que viabilizassem o projeto. Este ano, a competição terá como patrocinador master a Petrobrás.

"[Ano passado] Formatamos o projeto, a gente fez um lançamento, fomos para o mercado e aí a gente não conseguiu viabilizar o projeto. Tivemos que recuar e a gente sabia que não podíamos errar novamente. É um projeto caro porque a gente banca tudo: passagem, hospedagem, alimentação, locomoção, infraestrutura. Foi um grande desafio, mas no final das contas deu tudo certo", relembrou.  

Maria Bonita terá projeto social para desenvolver novos talentos 

No ano que antecede a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada em 2027, a competição também pretende ter impacto na vida de meninas que sonham em viver do futebol. 

Dessa forma, a competição firmou uma parceria com o Instituto Ademar Júnior, projeto social localizado na comunidade de Socorro, em Jaboatão dos Guararapes, e que terá a primeira escolinha voltada exclusicamente para meninas.

O projeto intitulado Maria Bonita Social contemplará, inicialmente, 30 alunas com idade de 13 a 21 anos. Segundo os organizadores, já existe fila de espera de interessadas no projeto. 

"Nós encontramos nesse parceiro já toda a estrutura. O campo, os profissionais, as meninas, a comunidade. Levamos o material e também estamos trazendo uma psicóloga, além de uma nutricionista para dar um suporte. A gente tem ali meninas em situação de vulnerabilidade social", comunicou Denis.

O dirigente também explicou que a iniciativa também pretende dar suporte em diferentes áreas, como saúde da mulher e educação financeira. No âmbito profissional, a ideia é que olheiros também possam acompanhar o desenvolvimento das jogadoras.     

"A gente pretende também levar para elas pessoas legais que podem falar, por exemplo, sobre saúde da mulher, sobre educação financeira e levar pessoas para assistirem elas jogando. Várias meninas ali têm o sonho de se tornarem atletas. Elas vão ter essa oportunidade porque estaremos levando pessoas que que trabalham com o futebol para verem essas meninas, para avaliarem. A gente também pretende promover amistosos", afirmou. 

Competição quer promover crescimento no futebol feminino do Nordeste 

Para além da competição, Denis explica que a Copa Maria Bonita tem como pilares o empoderamento feminino, equidade de gênero, inclusão social, buscando se tornar uma plataforma de crescimento e desenvolvimento da modalidade. 

"A Maria Bonita ela não é só uma competição, é uma plataforma que visa o crescimento do futebol feminino, a valorização das mulheres. Quando eu comecei [a trabalhar] com futebol, me deparei com uma realidade triste do futebol feminino. Naquela época, 4, 5 anos atrás, já existia um movimento de crescimento, mas aqui no Nordeste era muito fraco", afirmou.

Segundo o dirigente, a competição surge como uma forma de mudar o cenário do futebol nordestino, buscando equiparar o nível das competições aos torneios realizados no Sudeste e Sul do país, que contam com as princiapais potências do futebol nacional.    

"A gente tinha o campeonato estadual que tinha cinco times, durava menos de um mês e depois disso não tinha mais nada. Nessa competição tinham umas situações assim: o jogo foi encerrado porque não tinha ambulância, as meninas não não tinham condução para chegar ao jogo, coisas desse tipo assim absurdas", afirmou o diretor.  

“Me deparei com essa situação e me deu uma vontade muito grande de fazer algo acompanhando esse movimento, que já estava acontecendo no Brasil, especialmente no Sul e Sudeste. Comecei a ter essa vontade de criar alguma coisa para contribuir com o crescimento da modalidade", finalizou. 

 
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