Stefano Domenicali voltou a defender a Fórmula 1 moderna. Segundo o CEO da categoria, muitos fãs mais novos não se preocupam tanto com os detalhes técnicos que incomodam parte dos seguidores tradicionais.

Durante o GP da Holanda, Domenicali conversou com o De Telegraaf. Na ocasião, ele rejeitou a ideia de que as críticas ao regulamento de 2026, sobretudo ao gerenciamento de energia, representem a opinião da maioria dos fãs.

O dirigente italiano afirmou que as redes sociais podem criar uma percepção distorcida sobre o momento da categoria.

“Nas redes sociais, muitas vezes você ouve apenas as histórias negativas. Nós vemos e ouvimos opiniões muito diferentes”.

Para reforçar seu argumento, Domenicali citou o GP do Bahrain. A etapa precisou ser remarcada para Sepang. Ainda assim, segundo o dirigente, a procura pelos ingressos demonstra a força comercial da F1.

“Depois de algumas semanas, as arquibancadas já estão esgotadas. 1.500 ingressos já foram vendidos para o Paddock Club. Isso é algo sem precedentes e mostra a força que a F1 tem neste momento”.

Ao mesmo tempo, o CEO da F1 reconheceu que existe uma parcela de fãs muito ligada aos aspectos técnicos. Entretanto, ele entende que esse grupo não representa necessariamente todo o público atual.

Nesse sentido, Domenicali fez uma comparação curiosa para explicar a diferença entre as gerações.

Segundo ele, fãs mais antigos acompanham até mesmo detalhes como o “clipping”, termo usado para descrever uma situação em que o piloto fica sem energia elétrica disponível para manter a performance máxima.

“Existem fanáticos por automobilismo falando sobre ‘clipping’ durante um fim de semana de F1. Porém, também haverá muitos que vão pensar que ‘clip’ é algo para colocar no cabelo”, brincou.

Assim, a declaração mostra como Domenicali enxerga a evolução do público da categoria. Enquanto os fãs tradicionais analisam cada detalhe técnico, muitos espectadores mais recentes acompanham a F1 por outros motivos.

A posição do dirigente reforça uma abordagem cada vez mais comercial. Afinal, o crescimento da F1 faz com que críticas de fãs técnicos e antigos não sejam necessariamente vistas como um retrato de toda a audiência.

“Com negatividade, não avançamos muito”, insistiu Domenicali. “Os números mostram que nosso negócio está crescendo. Também levo a sério as pessoas que fazem críticas. No entanto, meu trabalho é olhar para o quadro geral”.

Além da questão comercial, Domenicali acredita que existe uma divisão geracional entre os fãs e os próprios pilotos.

“Eu acho que Fernando Alonso e Lewis Hamilton falam de maneira diferente sobre o regulamento atual em comparação com adolescentes como Kimi Antonelli e Arvid Lindblad”.

O dirigente não considera essa diferença necessariamente negativa. Pelo contrário, ele defende que diferentes perspectivas podem contribuir para o desenvolvimento da categoria.

Domenicali também lembrou que a F1 já passou por outras mudanças que inicialmente provocaram resistência. Porém, algumas delas se tornaram parte natural da categoria com o tempo.

“Anteriormente, houve muitas ocasiões em que os pilotos pensaram: ‘O que é isso?'”

Como exemplo, Domenicali citou mudanças no sistema de troca de marchas e a chegada do halo aos carros de F1.

Na época, essas novidades também causaram estranhamento e resistência. Entretanto, foram incorporadas ao cotidiano da categoria posteriormente