A falta de calendário para as categorias de base é, na visão de Dorian Ferreira, um dos principais obstáculos para o crescimento do futebol feminino brasileiro. CEO da DSF Sports, o agente Fifa acredita que a modalidade ainda precisa ampliar o número de competições para permitir o desenvolvimento das atletas desde as primeiras etapas da formação.

Há cinco anos no mercado, Dorian viu no futebol feminino uma oportunidade de atuar em um segmento ainda pouco explorado por agentes no Brasil. Hoje, a agência trabalha com cerca de 20 jogadoras, metade delas das categorias de base, e aposta na construção de relacionamentos de longo prazo com atletas e famílias.

Em entrevista ao Lance!, o empresário falou sobre a importância do acompanhamento humano na gestão de carreira, revelou um dos principais cases da agência e projetou o impacto da Copa do Mundo Feminina de 2027 no mercado das jogadoras brasileiras.

Esta reportagem integra uma série especial do L! sobre o mercado de transferências no futebol feminino. Ao longo das próximas publicações, serão apresentados agentes, empresas e profissionais que atuam nas negociações de atletas, além de discutir o funcionamento desse mercado, seus desafios e as oportunidades que impulsionam o crescimento da modalidade.

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Lance!: Como você entrou no mercado do futebol feminino e o que o motivou a atuar na modalidade?

Dorian Ferreira: Sou CEO da DSF Sports e trabalho tanto com o futebol feminino quanto com o masculino há cerca de cinco anos. A nossa entrada no futebol feminino aconteceu porque enxergamos uma lacuna nesse mercado, que já vinha em constante crescimento, principalmente nos Estados Unidos.

Percebemos que ainda havia poucas agências trabalhando com o futebol feminino no Brasil e que existia um espaço interessante para atuar na gestão de carreira das atletas. Diferentemente do masculino, o mercado feminino ainda oferece oportunidades para crescer e disputar espaço com grandes empresas do setor.

Lance!: Quais características e conhecimentos são fundamentais para trabalhar com gestão de carreira no futebol feminino?

Dorian Ferreira: O futebol feminino requer um profissional mais humano do que o masculino. No masculino, muitas vezes o foco está mais voltado para o negócio. No feminino, é preciso estar mais próximo das atletas.

As jogadoras enfrentam desafios diferentes dentro da modalidade e precisam de um acompanhamento mais presente. O agente precisa ser alguém que ofereça apoio e esteja ao lado delas durante a construção da carreira. É um trabalho que exige humanidade, disponibilidade e sensibilidade para compreender as necessidades individuais de cada atleta.

Lance!: Existe algum case da agência que represente esse trabalho desenvolvido por vocês?

Dorian Ferreira: Um dos casos que mais me marcou foi o de uma jogadora do São Paulo que sofreu uma lesão grave quando o contrato dela estava próximo do fim. Conseguimos fazer uma renovação contratual de três anos, mesmo com a atleta lesionada e ainda com alguns meses de recuperação pela frente. Além disso, o salário dela foi quadruplicado durante a negociação. Foi um momento importante porque mostrou a confiança do clube no potencial da atleta e reforçou o trabalho que realizamos na gestão da carreira das jogadoras.

Lance!: Quantas atletas fazem parte do portfólio da agência atualmente e qual é o perfil buscado pela DSF Sports?

Dorian Ferreira: Hoje temos cerca de 20 atletas no futebol feminino e metade delas atua nas categorias de base. Nós priorizamos o trabalho com jogadoras jovens porque acreditamos na construção de um relacionamento de longo prazo. É um investimento que traz riscos maiores, especialmente por conta dos contratos das atletas menores de idade, mas que pode trazer resultados importantes no futuro.

Lance!: Quais são os principais desafios do futebol feminino brasileiro atualmente?

Dorian Ferreira: O principal desafio hoje é o calendário. Precisamos de mais competições para as categorias de base. No futebol masculino, os clubes possuem equipes desde o sub-11, sub-10 e até sub-9. Já no feminino, muitos clubes começam apenas no sub-15 ou no sub-17, e existem atletas que disputam campeonatos amadores ao lado de meninos por falta de competições adequadas. Quanto mais oportunidades essas atletas tiverem para jogar e se desenvolver, maior será a evolução do futebol feminino brasileiro.

Lance!: O que pesa mais em uma transferência: a vontade da atleta ou a proposta apresentada pelo clube?

Dorian Ferreira: A vontade da atleta sempre prevalece. Já tive o caso de uma jogadora que estava com tudo acertado para atuar no futebol espanhol, mas decidiu permanecer no clube em que estava, mesmo recebendo um salário menor. O papel do agente é apresentar os caminhos possíveis. A decisão final pertence à atleta, e nós sempre respeitamos a escolha dela.

Lance!: O que você espera do mercado do futebol feminino após a Copa do Mundo de 2027?