No super-festival de futebol inventado pela FIFA para rechear a 23ª Copa do Mundo com 48 seleções, se fora do campo há muito que lamentar pela política de exclusão do governo Trump, aí incluída a cafajestagem com a seleção do Irã, dentro não faltou diversão, nem muito jogo ruim.
Sobre o super-festival, dadas as desigualdades promovidas na última rodada da fase de grupos, é bem possível que a banca do futebol mundial já aumente para 64 participantes no próximo torneio, com 16 grupos, em vez dos atuais 12, para acabar com a classificação de terceiros colocados.
Não se surpreenda, também, se depois da infame Copa na Arábia Saudita, em 2034, a de 2038 tenha sedes em todas as partes do Planeta Bola. Nos cinco continentes.
Algo assim: dois grupos jogariam na Oceania, na Austrália e na Nova Zelândia; outros dois na Ásia, no Japão e Coreia do Sul; mais quatro na África, na África do Sul, Egito, Nigéria e Argélia; a Europa teria direito a sediar na Alemanha, Espanha, França, Itália, Inglaterra, com cinco sedes; e a América ficaria com as demais três, na Argentina, Brasil e Uruguai. Não seria uma festa?
Gianni Infantino se desdobraria para ir a todos os jogos num foguete emprestado por Elon Musk.
Horrores à parte, quando nos divertimos até aqui nesta Copa?
Quando vimos, logo na primeira rodada, Holanda 2, Japão 2 e Estados Unidos 4, Paraguai 1, e Inglaterra 4,Croácia 2, três belos jogos em 24. Convenhamos, é pouco.
E tivemos Vozinha, o goleiro de Cabo Verde, grande personagem da fase de grupos, capaz de rivalizar em atenção com os geniais Lionel Messi, Mpabbé, Dembélé e Olise, o infernal trio francês, para não falar do veterano comandante inglês Harry Kane.
Lamine Yamal, o espanhol especial, já deu o ar de sua graça, mas ainda não brilhou, embora tenha tempo suficiente para acender e ascender. Não duvide.
E Cristiano Ronaldo? Sim, está quase no fim, embora não se deva descartar que possa ter final feliz.
Por falar em brilhar, o Cometa Haaland apresentou suas armas, deu muito prazer à Copa e periga aparecer como nosso algoz nas oitavas, se nada de surpreendente acontecer antes delas.
Pena que a façanha de Cabo Verde seja abalada pela presença inaceitável de seu capitão Ryan Mendes, acusado de estupro. Que a FIFA e a federação cabo-verdiana se façam de surdas, cegas e mudas é terrível.
Porque de modo geral os africanos se firmam como representantes de continente capaz de classificar nove de dez participantes.
No quesito das decepções impossível não citar o Uruguai, eliminado precocemente com história de tamanho respeito e escola das mais refinadas.
Feitas estas rápidas considerações à guisa de balanço da primeira fase, vamos combinar que a Copa, de fato, começa agora, quando 32 seleções começam o mata-mata.
Parece óbvio que era melhor quando o mesmo número de concorrentes disputavam a fase de grupos para classificar 16 seleções.
Mas a ganância sacrifica a tradição e a tecnologia impõe mudanças, por exemplo, e cada vez mais, na regra do impedimento.
A anulação do gol colombiano contra os portugueses é crime lesa-futebol, por, repita-se, repita-se e repita-se, ferir mortalmente o espírito da regra: que vantagem leva o goleador porque o bico da chuteira está fora de lugar?
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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