Nesta semana, conversei um pouco mais longamente com o Dude, que é meu amigo e trabalha na equipe Mercedes de F1 desde 2012. Durante a conversa, ele revelou alguns dos segredos de Kimi Antonelli.

Entre os muitos assuntos sobre os quais conversamos, um se destacou demais dos outros: a tocada de Antonelli. Afinal, como ele consegue ser mais rápido que Russell — às vezes, muito mais rápido — com tanta naturalidade?

O Dude me disse que aquilo que ele está vendo na prática é o oposto do que costuma acontecer. Normalmente, pilotos mais experientes se adaptam com maior rapidez aos novos regulamentos que a Fórmula 1 cria aproximadamente a cada cinco anos.

“Esse tipo de carro atual, com bem menos aderência do que os carros de efeito-solo e pneus mais largos, foi muito mais fácil e natural para o Kimi. Afinal, com apenas um ano de F1, ele ainda nem adquiriu vícios de pilotagem, Adawtow.”

“Por exemplo, ele entende a aderência da pista em poucas voltas de treinos livres com uma naturalidade impressionante, que nem nós entendemos. É um feeling dele que nem ele sabe explicar.”

“E só isso já o diferencia dos outros de maneira quase determinante. Isso permite que ele ande praticamente o tempo todo no limite sem perder o carro e desgastando menos os pneus.”

“É por isso que andaram comparando-o com o Senna. Essa era uma das características que mais davam vantagem a ele sobre os outros.”

“Ahhhhh… Então foi por isso que andaram fazendo essa comparação”, disse eu.

“Só pode ser. Eu até acho que sei quem fez essa comparação, mas não vou falar porque não tenho certeza. Porém, você deve imaginar…”

“Muitos fatores pequenos que, somados, fazem uma boa diferença. Ele é muito inteligente e tem uma cabeça muito aberta para novidades.”

“Tanto que a gente costuma dizer que ele começou esta temporada como se a mente dele fosse um livro em branco, sabe? Isso torna muito fácil trabalhar com ele. Além disso, é um garoto extremamente gentil e aberto com todos da equipe.”

“Tá bom, mas isso não o torna tão mais rápido assim…!”

“Ok, Adawtow, é verdade. Ajuda, mas não define completamente. Porém, existe outro fator que também é determinante: o modo como ele trabalha a unidade de potência com o Bono.”

“Bem, isso é muito interno e sei que você vai publicar, mas tudo bem. Vamos lá… A integração do ICE com a parte elétrica do carro é determinante neste ano, certo? Seus confrades sabem disso…”

“Sim, tenho certeza de que a maioria sabe. Continue…”

“O software já vem com vários mapas específicos para cada pista. Tem o mapa do TL1, do TL2, do TL3 e o mapa de largada.”

“Esse último leva em consideração a aderência do asfalto nos dois lados da pista e a distância para a curva 1. Portanto, usa-se um mapa para o lado sujo e outro para o limpo.”

“Além disso, existem o mapa de qualy, vários mapas de corrida e os de ultrapassagem. Todos eles levam em consideração principalmente o traçado e a aderência da pista, que muda ao longo das voltas.”

“Sim, imagino que sim. Aqui, tanto ele quanto o George têm todos esses mapas no software. E a quantidade aumentou muito neste ano por causa da importância da bateria. É mapa que não acaba mais.”

“Muito ‘simples’. Depois do TL2, eles fazem mais um mapa. Porém, esse mapa leva em consideração onde o Kimi pode mudar a tocada para ser mais rápido, recuperar mais energia e despejá-la em momentos distintos.”