A Fifa voltou atrás com o projeto FIFA Forward Enterprise (FFE) e anunciou nesta sexta-feira (31) a retirada da proposta que previa abrir à iniciativa privada a gestão comercial de competições como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A decisão foi tomada após a forte reação de confederações e dirigentes de diferentes regiões do mundo.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a entidade decidiu abandonar a iniciativa depois de ouvir as associações filiadas e perceber que o projeto havia gerado mais divisão do que consenso.
"Nosso propósito sempre foi, e sempre será, unir e melhorar. Em consequência, essa proposta não seguirá adiante", afirmou Infantino, em comunicado.
Segundo o dirigente, o FIFA Forward Enterprise havia sido pensado para ampliar os recursos destinados às associações nacionais, principalmente às de países que dependem mais do apoio financeiro da Fifa. Ele ressaltou, porém, que a proposta só seguiria em frente se tivesse respaldo da maioria.
Apresentado na terça-feira, o projeto previa a criação de uma empresa para administrar os direitos comerciais das principais competições da Fifa. A expectativa era levantar até US$ 4,2 bilhões, com base em uma avaliação de mercado de US$ 20 bilhões.
Além disso, a proposta incluía um pagamento único de US$ 20 milhões para cada uma das 211 associações filiadas no início de 2027 e aumentava de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões o repasse previsto para o ciclo de 2027 a 2030.
A possibilidade de investidores privados entrarem no negócio, mesmo com participação minoritária, provocou resistência quase imediata.
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra o projeto. Depois vieram a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC). Nesta sexta-feira, a Conmebol também se manifestou e informou que abriu consultas com suas dez associações filiadas, entre elas a CBF e a AFA.
A crise ainda resultou na saída de Carlos Cordeiro, um dos principais assessores de Infantino. Ao deixar o cargo, ele classificou o projeto como "um mau negócio para as associações filiadas à Fifa, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro de longo prazo do esporte"