O Flamengo está perto de acrescentar mais dois nomes a uma lista de estrangeiros que mudou bastante desde 2013, ano que marcou o início da reestruturação administrativa e financeira do clube. Anthony Valencia, equatoriano de 23 anos, chegou ao Rio de Janeiro no domingo (30), vindo do Royal Antwerp, da Bélgica. Já Joaquín Freitas, argentino de 19, desembarcou nesta segunda-feira (31), após deixar o River Plate. Ambos chegaram para realizar exames, assinar contrato e concluir os últimos trâmites antes do anúncio oficial.

Considerando apenas estrangeiros contratados diretamente para integrar o elenco profissional, o Flamengo trouxe 27 jogadores entre 2014 e 2025. Assim, caso conclua as operações por Valencia e Freitas, o número chegará a 29. Nesse período, porém, o perfil das contratações sofreu uma transformação profunda.

Nos primeiros anos da reconstrução financeira, o Rubro-Negro buscou principalmente oportunidades, empréstimos e jogadores de mercados sul-americanos. Posteriormente, com maior capacidade de investimento, passou a tirar protagonistas de rivais brasileiros e também a buscar atletas em grandes ligas europeias. Dessa forma, a lista reúne desde passagens de poucos minutos, como a de Darío Conca, até um dos maiores ídolos estrangeiros da história do clube, Giorgian de Arrascaeta.

Nenhum estrangeiro contratado pelo Flamengo neste recorte alcançou o impacto de Arrascaeta. O uruguaio chegou do Cruzeiro em janeiro de 2019 e se tornou peça central do período mais vencedor da história recente rubro-negra.

Desde então, o camisa 10 ultrapassou 380 partidas e chegou a 106 gols. Além disso, conquistou três Libertadores, em 2019, 2022 e 2025, além de Brasileiros, Copas do Brasil, estaduais e Supercopas. Arrascaeta também se tornou o estrangeiro com mais gols na história do clube.

Contudo, ele não representa o único grande acerto. Poucos meses depois de sua chegada, o Flamengo buscou Pablo Marí no Manchester City. O espanhol disputou somente 30 partidas e marcou três gols, mas virou titular absoluto na campanha dos títulos da Libertadores e do Brasileiro de 2019. Logo depois, seguiu para o Arsenal. Portanto, pelo impacto esportivo em tão pouco tempo e pelo retorno da negociação, tornou-se outro caso emblemático.

Cuéllar também deixou marca importante antes desse período. O colombiano chegou em 2016 e acumulou 171 partidas, com dois gols. Além disso, ganhou identificação com a torcida e saiu para o Al-Hilal em agosto de 2019.

Já nos anos seguintes, Pulgar, Varela e Rossi deram longevidade ao processo de internacionalização do elenco. O chileno chegou a 171 jogos e seis gols até o fim de agosto de 2026, enquanto Varela já ultrapassou 150 partidas. Rossi, por sua vez, passou de 185 jogos e se consolidou como titular em uma equipe que acumulou títulos.

Antes da geração multicampeã, Paolo Guerrero representou a contratação estrangeira de maior impacto ofensivo. O peruano chegou do Corinthians em 2015 e disputou 115 partidas, com 43 gols.

O centroavante, porém, atuou em um momento no qual o Flamengo ainda estruturava o projeto esportivo que alcançaria outro patamar a partir de 2019. Assim, embora tenha produzido individualmente e conquistado o Carioca de 2017, não acumulou a quantidade de grandes títulos dos estrangeiros que chegaram posteriormente.

Trauco também teve sequência razoável naquele período. O lateral peruano chegou para 2017, participou de 79 partidas e marcou quatro vezes antes de seguir para o Saint-Étienne. Berrío, por outro lado, somou 82 jogos e sete gols. Além disso, participou do elenco campeão da Libertadores e do Brasileiro em 2019, embora uma grave lesão no joelho tenha limitado sua trajetória.

Mais tarde, Isla assumiu a lateral direita e disputou 83 partidas, com três gols. O chileno participou das conquistas do Brasileiro de 2020, da Supercopa e do Carioca de 2021 antes de retornar ao seu país.

A partir de 2022, o Flamengo voltou a aumentar o número de estrangeiros no elenco. Primeiro, trouxe Arturo Vidal, Erick Pulgar e Guillermo Varela. Posteriormente, adicionou Rossi, De la Cruz, Viña, Alcaraz e Plata.

Vidal chegou cercado de enorme expectativa depois de uma carreira por Juventus, Bayern de Munique, Barcelona e Inter de Milão. Entretanto, não se tornou protagonista. Ainda assim, participou de 51 partidas, marcou dois gols e integrou o elenco campeão da Copa do Brasil e da Libertadores em 2022.

Pulgar teve trajetória diferente. Depois de um início discreto, ganhou espaço e se tornou titular. Até agosto de 2026, acumulava 171 jogos, seis gols e nove assistências. Além disso, já somava nove títulos pelo Flamengo.

Varela também superou períodos de contestação e ganhou longevidade. O uruguaio ultrapassou 150 partidas e marcou quatro gols. Já Rossi assumiu definitivamente o gol em 2024 e se tornou uma das peças mais utilizadas desde então.

De la Cruz, por sua vez, chegou do River Plate para a temporada de 2024. O uruguaio alcançou 98 partidas e quatro gols até julho de 2026. Entretanto, problemas físicos dificultaram uma sequência maior.

Gonzalo Plata encerrou recentemente outro capítulo dessa história. O Flamengo buscou o equatoriano no Al-Sadd em agosto de 2024. Dois anos depois, negociou o jogador com o Dínamo de Moscou.

Plata deixou o clube exatamente após 100 partidas, nove gols e 13 assistências. Além disso, conquistou seis títulos: Copa do Brasil de 2024, Libertadores e Brasileiro de 2025, Supercopa de 2025 e os Cariocas de 2025 e 2026.

Portanto, embora nunca tenha apresentado grande produção de gols, participou diretamente de um ciclo vencedor. O equatoriano também ganhou importância tática antes de deixar o clube para o futebol russo