O Flamengo chega ao último dia da janela de transferências do futebol brasileiro com um mercado diferente daquele que inicialmente projetou. O clube entrou no período, iniciado em 20 de julho, disposto a fazer uma contratação de impacto e chegou a negociar com jogadores de alto valor, mas encontrou obstáculos nas tratativas. Diante disso, mudou a rota e terminou o período com duas apostas jovens: Joaquín Freitas e Anthony Valencia.

A trajetória da janela revela como o Flamengo lidou com aquilo que encontrou no mercado: primeiro, buscando nomes consolidados e capazes de causar impacto imediato; depois, recorrendo ao scout de José Boto e a jogadores com potencial de desenvolvimento. Essa mudança resume o principal movimento do mercado rubro-negro.

A expectativa por grandes contratações não surgiu apenas entre os torcedores. Em dezembro do ano passado, Bap, presidente do Flamengo, afirmou que o clube teria condições de gastar R$ 1 bilhão com reforços em 2026.

A declaração, naturalmente, criou um cenário de expectativa para o mercado. A diretoria ainda havia feito um investimento histórico no início do ano, quando contratou Lucas Paquetá por R$ 315,669 milhões, considerando aquisição dos direitos federativos, luvas e intermediação.

Com uma contratação desse tamanho e a sinalização de que ainda haveria margem para novos investimentos, era natural imaginar que o Flamengo pudesse voltar ao mercado por outro nome de impacto. E o clube, de fato, tentou.

O primeiro caminho foi buscar jogadores com potencial para assumir protagonismo imediatamente. O Flamengo negociou com Thiago Almada e chegou a ficar próximo de um acordo com o Atlético de Madrid. As conversas avançaram a ponto de José Boto viajar para a Argentina em uma das últimas tentativas de viabilizar a contratação do meia.

Declarações do próprio dirigente e de Bap movimentaram a torcida e aumentaram a expectativa em torno do negócio. No fim, porém, prevaleceu a vontade do jogador, que optou pelo retorno ao River Plate.

O investimento também seria significativo: o Flamengo esteve disposto a desembolsar 20 milhões de euros, cerca de R$ 118 milhões na cotação considerada.

A história com Luiz Henrique teve outro desfecho. As conversas avançaram, mas o negócio não foi concretizado após um desacordo envolvendo as condições apresentadas pelo Zenit, da Rússia.

Nesta semana, Boto, diretor de futebol do Rubro-Negro, explicou que o jogador nunca foi uma prioridade inicial do clube e que houve uma possibilidade de negócio que acabou não se confirmando.

— O Luiz Henrique nós nunca quisemos. Houve uma possibilidade que nos foi colocada por gente próxima a ele, que gostaria de vir para o Flamengo, em condições que foram muito boas, não só o valor, mas o prazo de pagamento — disse Boto, em entrevista à "Espn".

Somadas, as duas negociações chegaram a representar algo próximo de R$ 295 milhões em investimentos possíveis.

Ou seja: o Flamengo não deixou de buscar grandes nomes por falta de disposição para investir.

As negativas mudaram o caminho. Sem Almada e Luiz Henrique, o Flamengo voltou ao modelo de contratação que está diretamente ligado à trajetória de José Boto: identificar jogadores mais jovens, com potencial de desenvolvimento e possibilidade de se tornarem protagonistas no futuro.

Foi assim que apareceram Joaquín Freitas, do River Plate, e Anthony Valencia, do Royal Antwerp.

O argentino custou US$ 7 milhões, cerca de R$ 36,4 milhões, enquanto o equatoriano foi contratado por 5 milhões de euros, aproximadamente R$ 30 milhões. Juntos, os dois representaram cerca de R$ 66,4 milhões nas cifras informadas.

A diferença de investimento em relação às duas primeiras tentativas é significativa, mas o mais importante está no perfil.

Freitas tem 19 anos. Valencia, 23. São jogadores que chegam ao Flamengo com margem para desenvolvimento e não necessariamente com a obrigação de serem as principais estrelas do time imediatamente. É exatamente o tipo de movimento que Boto explicou ao falar sobre o planejamento.

"O plano inicial era trazer um desses jogadores, mas era esse tipo de jogador, alguém jovem, com projeção para o futuro, que pudesse ajudar no fim da temporada, mas que seja protagonista daqui um ou dois anos."

O caso de Anthony Valencia é ainda mais interessante porque o equatoriano foi contratado em um cenário no qual Gonzalo Plata, inicialmente, deixaria o clube