A França pode promover uma nova "revolução" no futebol de seleções, com um jeito de jogar difícil de marcar e baseado em movimentação constante que não se via desde o Carrossel Holandês na Copa de 1974, avaliou Walter Casagrande Jr. no Fim de Papo, do Canal UOL.

Ao projetar o caminho do Brasil na Copa do Mundo, o comentarista disse ver no time francês um padrão que lembra a quebra de paradigma da Holanda de 1974, citada por ele como a última grande virada em Copas.

Essa França pode ser uma revolução numa Copa do Mundo depois da Holanda de 74, que foi a última no futebol dentro de um Mundial. Tudo o que aconteceu depois da Copa de 74 foi baseado naquilo que eles viram a Holanda fazer, do Johan Cruyff. Neeskens, Krol, enfim, uma seleção espetacular, que era o futebol total, com todo mundo se movimentando, sem ninguém ter posição fixa, e correndo pra cima da bola em bloco. Casagrande

Casagrande disse que a comparação não passa apenas por talento individual, mas por um modelo que desorganiza a marcação rival. Para ele, o ataque francês "roda" o campo inteiro, sem referência fixa, e isso muda a forma de defender.

Hoje a França tem seis caras muito acima da média, tanto que dois têm que ficar no banco. E uma movimentação constante, sem posição fixa. O Mbappé abre para a direita, para a esquerda, volta para receber; o Dembélé vai para o lado esquerdo; o Olise vem por dentro, entra para um lado, sai pelo outro; o Barcola entra em velocidade. Você não sabe como marcar e nem a posição fixa dos jogadores do ataque da França. Casagrande

Na mesma conversa, o comentarista apontou que a força do time passa por aceitar a defesa mais exposta como parte do plano, já que a equipe joga para fazer gols o tempo todo. "A defesa não é fraca, ela é exposta", afirmou, ao explicar a estratégia.

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A defesa fica muitas vezes exposta porque os caras atacam. Às vezes perde a bola e vem um contra-ataque. Mas a França aposta no seguinte: a hora que tomou o gol, ela já tinha feito dois, três. O pensamento desse time é totalmente para marcar gols. Eles não têm muita preocupação se eles vão tomar o gol. A defesa não é fraca, ela é exposta; é diferente de ser fraca. Casagrande

Foi um espetáculo, um dos maiores que eu vi. Para mim, essa França é a melhor seleção dos últimos tempos no mundo. Não tem nenhuma seleção dos últimos dez anos que tenha tantos jogadores tão acima da média como a França tem do meio para frente. Não existe. É o melhor ataque do futebol mundial, sem dúvida alguma. Casagrande

Uma coisa é você marcar o Sané, que não está tão confiante, tentando jogar a bola na área. Esse ataque, com Mbappé, Olise, Barcola, Doué, tendo opções que podem vir do banco também, é outra história. Já é uma história bonita para a Copa do Mundo, mas não vai dar conta do recado, não. Aí você pensa nessa zaga do Paraguai. Tem o Canales, que é aquele zagueiro um pouco mais pesadão. Se infiltrar o Mbappé por ali, ele vai ter vida difícil. Gabriel Sá

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