Não tem como não se comover e entrar no desespero dos jogadores de Senegal nessa eliminação dramática.

Bom, o jogo todos viram como foi, e não vou escrever sobre a partida, mas sobre a dor e a tristeza do jogador Lamine Camara, que acabou cometendo o pênalti sem querer fazer a falta — mas, sem querer, também é falta.

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A Bélgica poderia ter virado o jogo como fez, mas sem deixar sequelas, sem que alguém saísse de campo se sentindo culpado por isso.

Mas o futebol é emoção pura, principalmente em Copas do Mundo, que envolvem nações inteiras, e o jogador está lá representando esse povo.

Principalmente quando é uma seleção africana, porque a gente se envolve com a história civilizatória do continente e pensa que o futebol é uma das poucas coisas que trazem um pouco de felicidade, união e prazer.

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Fora isso, são guerras civis, ditadores sanguinários e doenças terríveis, como o surto de ebola que acontece na República Democrática do Congo.

Eu lamento por isso tudo e torci para Senegal, mas a Bélgica teve seu mérito de correr atrás e construir uma virada épica.

Mas as imagens dos torcedores senegaleses foram de apertar o coração.

Lamine Camara desabou, desesperado, desde o momento em que o árbitro voltou do VAR assinalando o pênalti.

Ele não queria sair do lugar; precisou que seus companheiros e os belgas fossem falar com ele para que se recompusesse.

E quando Youri Tielemans bateu o pênalti e marcou o gol, ainda restavam alguns minutos, porque o jogo ficou muito tempo parado.

Mas, quando o árbitro apitou o fim do jogo, ele não resistiu e ficou desconsolado, sentindo-se culpado pela eliminação de sua seleção.

Lamine Camara queria acordar de um pesadelo e estar jogando a partida antes desse lance fatídico.

A fase de mata-mata da Copa é cruel porque alguém vai embora para casa, mas não precisaria deixar rastros de culpa. Mas, a competição é assim mesmo.

Jogar futebol é uma das coisas mais gostosas que existem e, quando você consegue ser profissional, é um sonho realizado, porque fazemos o que mais amamos, o que é uma paixão nacional.

Jogar no time para o qual torce e na seleção de seu país, como aconteceu comigo, é algo único e um privilégio raro.

Mas tudo tem dois lados e, muitas vezes, com a mesma potência emocional.

O futebol dá alegrias gigantescas, mas pode dar também uma tristeza imensa e difícil de esquecer