Gabriel Magalhães é a esperança da seleção brasileira para neutralizar o centroavante Erling Haaland. Apesar de ser um dos melhores zagueiros do futebol mundial, o defensor ainda é um nome pouco conhecido do grande público no Brasil a ponto de conseguir andar de metrô em São Paulo sem provocar grande alarde.
Torcedor do Corinthians, Gabriel Magalhães já foi visto várias vezes indo ao estádio do clube. No ano passado, ele esteve na final do Campeonato Paulista, contra o Palmeiras, e ficou na parte destinada à principal torcida organizada da equipe, algo inviável para grandes estrelas no Brasil.
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Uma vitória no confronto deste domingo, às 17h (horário de Brasília), pode transformar a vida de Gabriel Magalhães. É a chance do jogador ser reconhecido no país como uma estrela mundial da mesma forma que é na Europa, onde atua desde 2017, quando foi vendido pelo Avaí para o Lille, da França.
Se Gabriel conseguir parar Haaland, o Brasil terá grande chance de avançar às quartas de final da Copa do Mundo. Com 60 gols em 53 jogos pela sua seleção, o norueguês é um dos principais nomes do futebol internacional e tem brilhado no Mundial, com cinco gols em três jogos.
O confronto entre Haaland e Gabriel Magalhães não é uma novidade. Desde 2022, quando o norueguês foi contratado pelo Manchester City, o embate tem ganhado cada vez mais destaque, a ponto de se tornar uma das maiores rivalidades da Inglaterra.
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Nos 11 jogos disputados entre eles, a vantagem é de Haaland, com cinco vitórias e quatro empates. O brasileiro, pelo Arsenal, saiu vencedor em apenas duas vezes.
"Gabriel já declarou algumas vezes que ele gosta do jogo com o Haaland, mas a verdade é que Haaland levou a melhor nos últimos três encontros entre eles. Gabriel Magalhães é um dos melhores defensores do futebol europeu, mas tem tido dificuldades para parar o rápido e forte atacante norueguês. Se o Brasil quiser passar, ele e Carlo Ancelotti sabem que Haaland é a chave para vencer a Noruega", explicou Ed Aarons, repórter do jornal inglês The Guardian,
Por não ter jogado uma Série A do Brasileirão, Gabriel Magalhães não tem uma identificação forte com uma grande equipe do país. Mas isso poderia ter acontecido. Aos 14 anos, ele foi aprovado pelo Corinthians e Avaí, mas decidiu ir para o clube catarinense.
A decisão aconteceu porque o Corinthians não podia mais registrar jogadores. Assim, o então adolescente teria de aguardar três meses para começar a treinar e ter condições de jogo pelo clube do coração.
"O Gabriel foi aprovado no Corinthians, mas ele não quis ficar porque as inscrições para o Campeonato Paulista já tinham acabado. Ele não quis esperar mesmo sendo muito torcedor do Corinthians", explicou Agnello Gonçalves, que foi gerente da base do Corinthians entre 2010 e 2015.
Agnello voltou a encontrar Gabriel Magalhães anos depois. Dessa vez no Avaí, clube em que ele foi gerente de futebol entre 2016 e 2018 e responsável pela promoção do jogador para o profissional aos 18 anos.
"Eu já conhecia o Gabriel quando eu cheguei no Avaí. Ele é um jogador muito focado. Eu estou ansioso com esse embate com o Haaland. Vai ser interessante, mas eu acredito que ele vai segurar porque ele tem um nível de concentração muito grande. Ele já tinha essa qualidade no Avaí, mas aprimorou muito na Europa. É um jogador que raramente erra", analisou Agnello.
A concentração citada pelo dirigente foi um dos pontos que levou Gabriel Magalhães a ganhar espaço no Avaí. Em um dos momentos mais delicados da vida do jogador, ele perdeu um dos melhores amigos em um acidente.
A comissão técnica do clube catarinense ofereceu uma folga em respeito ao luto do atleta, mas ele disse que preferia estar em campo para homenagear o amigo no jogo contra o Bragantino.
"Nós tínhamos um jogo pela Série B que era muito importante pelo acesso. Mas foi um dia triste porque o Gabriel tinha perdido um amigo que era como se fosse um irmão para ele. Nós perguntamos se ele queria jogar, dissemos que ele estava liberado, mas ele queria jogar. Ele entrou e ainda fez um gol de cabeça em um escanteio do Marquinhos", relembrou Ewando, ídolo do Avaí e assistente técnico da equipe em 2016, sobre a partida vencida por 2 a 0.
Ao fim daquela temporada, Gabriel Magalhães foi vendido para o Lille por 3 milhões de euros, maior negociação da história do clube. Depois foi emprestado para o Troyes (França) e Dinamo de Zagreb (Croácia), e retornou ao Lille em 2018, onde ganhou tanto destaque que chamou a atenção do Arsenal, que o contratou em 2020.
A transição entre clubes menores da Europa até chegar ao futebol inglês foi importante para Gabriel Magalhães. Por ter chegado ao Avaí com 14 anos, uma idade já avançada em relação a grandes nomes que começam com 10 anos, ele teve de desenvolver fundamentos de forma tardia