O goleiro George Desmond Kamurasi, do SE Dons, da nona divisão da Inglaterra, teve de fazer uma escolha que parece até saída do enredo de um filme: continuar sua carreira no futebol ou jogar tudo para o alto, mudar-se para Uganda, no leste da África, e virar rei.

"Big G", como é mais conhecido nos escalões inferiores do Campeonato Inglês, recusou o convite feito pelo Conselho de Seleção Real para assumir o trono do povo Tooro, um dos principais reinos existentes dentro do território ugandês.

O goleiro, que tem tido destaque nas redes sociais por conta dos discursos motivacionais pré-jogo que costuma fazer para seus companheiros do SE Dons, havia sido a primeira escolha para suceder o rei Oyo Nyimba Kabamba Iguru Rukidi IV, seu primo.

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O monarca morreu na semana passada, nos EUA, vítima de câncer, aos 34 anos. Logo após o funeral, 15 dos 18 integrantes do Conselho escolheram Kamurasi para sucedê-lo.

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A expectativa sobre o possível aceite do goleiro durou até a última quarta-feira, quando o órgão anunciou que sua primeira opção para o trono resolveu não aceitá-lo. Com isso, o jornalista e apresentador de TV Edward Rukidi Kijanangoma será coroado.

Apesar de não constituírem um país independente, o que faz com quem seu rei não tenha um papel oficial de chefe de Estado, os Tooro são um povo bem relevante dentro de Uganda e seu reino possui bastante importância histórica e cultural.

O rei George Rukidi 3º, avô de Kamurasi e que ficou no trono entre 1928 e 1965, chegou a receber a rainha Elizabeth 2ª, durante visita da então recém-empossada monarca britânica a Uganda, na década de 1950.

Sem compromissos reais no horizonte, o goleiro do SE Dons pode agora concentrar sua atenção na disputa da Southern Counties East Football League Premier Division, a liga semiprofissional de Londres da qual participa.

Kamurasi também está vivo na Copa da Inglaterra, competição na qual pode até cruzar com Arsenal, Liverpool, Manchester City e os outros grandes do país caso vá avançando de fases.

O SE Dons já sobreviveu a três mata-matas, todos contra equipes de oitava ou nona divisão, e agora terá pela frente o Chichester City, do sétimo escalão, no dia 19 de setembro.

O goleiro que rejeitou um trono na Uganda não é o primeiro integrante da realeza africana que se envolveu com o futebol europeu. Na verdade, há casos de jogadores bem mais famosos do que ele que também possuem "sangue azul".

O zagueiro austríaco David Alaba, ex-Bayern de Munique e Real Madrid, por exemplo, é filho de um príncipe de Ogere, cidade cidade localizada no sudeste da Nigéria, que se mudou para a Europa para estudar economia e construir uma carreira como DJ.

Já o meia inglês Dele Alli, que se destacou pelo Tottenham no final da década passada, é neto de um rei iorubá, um dos principais grupos étnicos da África Ocidental e cujo território engloba áreas de Nigéria, Gana, Benin e Togo.

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