Se o negócio com o grupo de Roberto Graziano for aprovado, o investidor terá 90% das ações da empresa responsável pelo futebol
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Campinas, SP, 24 (AFI) – O Guarani está próximo de tomar uma das decisões mais importantes de seus 115 anos. Os associados analisarão uma proposta que pode transferir 90% da futura Sociedade Anônima do Futebol para o grupo liderado pelo empresário Roberto Graziano.
O valor global apresentado chega a R$ 1,075 bilhão e envolve o futebol, as dívidas, um novo centro de treinamento, a construção de outro estádio e um grande projeto imobiliário na área ocupada pelo Brinco de Ouro.
Mas o que significa entregar 90% da SAF? O Guarani deixará de existir? Quem escolherá dirigentes, treinadores e jogadores? E o que acontecerá com o estádio?
Pelo modelo apresentado, o grupo de Roberto Graziano ficará com 90% das ações da SAF. O Guarani terá os 10% restantes.
Na prática, o investidor será o acionista controlador da empresa. Isso significa que terá maioria suficiente para comandar as decisões da SAF, respeitando as regras de governança, os mecanismos de proteção e as obrigações definidos no contrato.
O controle deve alcançar a gestão cotidiana do futebol:
Os poderes exatos, entretanto, dependerão da versão final do contrato, que tem 83 páginas e ainda está sendo analisada. Sem a publicação integral do documento, não é possível afirmar quais decisões exigirão aprovação conjunta ou se a associação terá poder de veto em temas específicos.
A associação Guarani Futebol Clube continuará existindo. O que muda é o controle do departamento de futebol, que será transferido para uma empresa separada.
A associação seguirá responsável pelas áreas que não forem repassadas à SAF e será acionista minoritária da nova companhia. Também poderá ter direitos relacionados ao nome, às cores, ao escudo e à identidade do clube, conforme as proteções estabelecidas pela legislação e pelo contrato.
Ter 10%, porém, não significa controlar a empresa. Em votações normais entre acionistas, o grupo com 90% terá ampla maioria. Por isso, as cláusulas de proteção são fundamentais para impedir mudanças consideradas irreversíveis na história ou na identidade do Bugre.
O valor divulgado não representa necessariamente um depósito imediato na conta do Guarani. Trata-se da soma dos investimentos e compromissos previstos para diferentes áreas e prazos.
A proposta prevê até R$ 350 milhões para as dívidas incluídas na recuperação judicial. Isso não significa necessariamente que todos os credores receberão imediatamente ou integralmente. Os pagamentos deverão seguir as regras, os descontos e os prazos do plano aprovado no processo judicial.
Os R$ 400 milhões destinados à operação também não devem ser confundidos com dinheiro livre para contratações. O montante engloba a manutenção da SAF e o suporte previsto ao clube social durante o período estabelecido no contrato.
O projeto prevê a exploração imobiliária da área do atual Brinco de Ouro. Graziano apresentou aos conselheiros a possibilidade de construir aproximadamente 1.200 apartamentos no terreno, em um empreendimento executado ao longo de vários anos.
A proposta está ligada à construção de um novo estádio, que receberia investimento estimado em R$ 300 milhões. A projeção apresentada pelo empresário é concluir a nova casa em aproximadamente dois ou três anos depois da obtenção das aprovações necessárias.
Isso significa que o Brinco não seria simplesmente demolido de um dia para o outro. O projeto dependeria de licenças urbanísticas, ambientais, aprovações municipais, definição do terreno, financiamento e execução das obras do novo estádio.
Antes da votação, os associados precisam saber quais garantias impedem o Guarani de perder o Brinco antes de receber uma nova casa em condições de uso.
A participação de apenas 10% aumenta a importância das cláusulas de proteção. Entre os pontos que precisam estar claramente definidos estão: