A 20ª rodada do Brasileirão, realizada no último fim de semana, dias 25 e 26, marcou a implementação do impedimento semiautomático. A nova tecnologia atingiu o objetivo de reduzir o tempo de decisão em lances complicados: o recurso foi utilizado cinco vezes nos dez jogos, com tempo médio de 47 segundos para o veredito.

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No sábado (25), o jogo entre Santos e Chapecoense foi o palco da estreia. O Peixe vencia por 1 a 0 na Vila Belmiro, quando a Chape chegou ao empate com Marcinho. No entanto, o software apontou a irregularidade por cerca de 70 cm e, com velocidade impressionante, resolveu o lance.

O impedimento semi-automáticofinalmente estreou no Brasileirão!#Santos x #Chapecoense ⚽🥅#SANxCHA pic.twitter.com/fdx3tvpofd

Nos jogos de domingo (26), o novo recurso foi ainda mais decisivo. Primeiro, no duelo entre Corinthians e Bahia na Arena Fonte Nova, o Timão abriu o placar, mas viu o Tricolor empatar no fim da primeira etapa com Erick Pulga. A tecnologia do semiautomático, porém, identificou um impedimento de "biquinho de chuteira" do atacante.

Semiautomático flagra impedimento em gol do Bahia contra o Corinthians. Novo sistema mostra o bico da chuteira de Erick Pulga à frente do último defensor do Corinthians na origem da jogada. pic.twitter.com/m1gtnCx9NL

Posteriormente, situação parecida ocorreu no confronto entre Flamengo e São Paulo no Maracanã. Os times empatavam por 1 a 1 até o Rubro-Negro conseguir o gol da vitória com Samuel Lino já na reta final. Novamente, entretanto, a tecnologia flagrou a posição irregular "por um triz" de Wallace Yan na origem da jogada.

impedimento semiautomático anulando o gol do flamengo contra o são paulo pic.twitter.com/MkQxpDA7PD

Nas redes sociais, torcedores contestaram o fato de a imagem do impedimento não mostrar o momento exato do toque na bola. O comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho, inclusive, juntou-se às críticas em postagem no "X". Vale ressaltar, porém, que o sistema de projeção 3D é o mesmo adotado na Premier League, por exemplo.

As queixas que circulam na web trazem comparações com as imagens divulgadas nas transmissões da recém-finalizada Copa do Mundo, que levavam até mais tempo para serem exibidas. O impedimento semiautomático adotado no Brasileirão, todavia, é de fato diferente daquele utilizado no Mundial em vários sentidos.

No torneio de seleções, a bola tinha um chip inédito que apontava o exato momento do toque. A tecnologia contratada pela CBF, não. Por outro lado, o serviço importado utiliza quase o dobro de câmeras de alta resolução (de 28 a 32), o que, na visão da empresa responsável, a Genius Sport, compensa a não utilização de chips na bola. Além disso, o modelo brasileiro trabalha com imagens de 100 frames por segundo, enquanto o da Copa utilizava metade dessa taxa.

Dessa maneira, o sistema cria uma réplica digital do confronto, que é apresentada na transmissão aos torcedores. Portanto, a ausência do chip não afeta a precisão do impedimento semiautomático. Para a CBF, a estreia do novo recurso foi um sucesso.

— Em relação a comentários que surgiram em redes sociais, a CBF esclarece que o sistema usado no Brasil opera com captura de imagens a 100 quadros por segundo e identifica automaticamente o exato instante do último contato do jogador com a bola, o chamado ponto de contato. Também de forma automática, o sistema reconhece os atletas envolvidos na jogada, define os pontos de interesse de cada um deles e gera o resultado da análise de impedimento, sem qualquer interferência humana nessa construção — escreveu a entidade em seu site oficial.

Até por isso, nem mesmo os jogadores entraram em polêmica. O volante Jorginho, apesar de surpreendido pela decisão, não contestou a anulação do gol do Flamengo.

— Pegou todo mundo de surpresa, porque a gente achou que estavam checando uma suposta falta no início da jogada, mas regra é regra. Ele estava à frente, mesmo que pouco. A gente tem que focar em jogar bola e criar chances — falou após o empate.

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O rigor da ferramenta garantiu as anulações de gols em lances difíceis, como os de Bahia e Flamengo, conforme prevê a regra. No entanto, voltou a alimentar a discussão sobre os limites para marcação do impedimento, algo que já aconteceu na Copa do Mundo. A tecnologia ajuda a identificar o que o olho humano seria incapaz de perceber e segue a máxima: o jogador está ou não está impedido, independentemente da distância.

Contudo, as irregularidades "milimétricas" costumam irritar torcedores por supostamente favorecerem a defesa em detrimento do ataque. Esse debate já chegou também à Fifa: Arsène Wenger, ex-técnico do Arsenal e funcionário da entidade, por exemplo, propõe que o jogador só esteja fora de jogo se o corpo inteiro estiver adiantado em relação ao penúltimo defensor.

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Desde o início do ano, CBF e Genius Sport trabalham para aplicar a tecnologia nos estádios da elite do futebol brasileiro. Ao longo de cerca de sete meses, foram conduzidas visitas técnicas, instalações, calibrações, testes e validações. A estreia, então, só foi permitida após todas as arenas da 1ª divisão terem as câmeras devidamente espalhadas. O modelo aplicado no Brasil é o mesmo não só do Campeonato Inglês, como também da Liga MX (México) e da Pro League (Bélgica)