O confronto entre Corinthians e Vitória, nesta segunda-feira, 19, às 20h, na Neo Química Arena, será uma chance da torcida alvinegra conhecer seu novo líder - mas ele próprio terá um reencontro com quem já o conhece.
Atual treinador do Rubro-Negro baiano, Jair Ventura voltará a encontrar Clarence Seedorf, recém-contratado pelo clube paulista, com quem trabalhou durante a passagem do holandês pelo Botafogo, entre 2012 e 2013.
Os dois estiveram juntos em um dos períodos mais marcantes da história recente do Alvinegro carioca. Na época, Seedorf chegou ao futebol brasileiro como uma estrela internacional, enquanto Jair integrava a comissão técnica permanente do Botafogo. A convivência deixou uma relação de amizade e admiração que permanece até hoje.
O reencontro acontecerá em uma partida importante para os dois clubes na luta contra o rebaixamento. O Vitória tenta conquistar sua primeira vitória fora de casa no Campeonato Brasileiro, enquanto o Corinthians busca encerrar uma sequência de oito derrotas consecutivas.
Apesar da expectativa em torno do novo treinador corintiano, Seedorf não poderá comandar a equipe do banco de reservas, já que seu nome não foi registrado a tempo no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF. O holandês, no entanto, estará presente na Neo Química Arena.
Já pensando no reencontro, Jair Ventura recordou a chegada do ex-meia ao Botafogo e destacou a influência que ele exerceu sobre jogadores e profissionais do clube em entrevista ao UOL.
Na avaliação do treinador do Leão, o holandês não se limitava a contribuir tecnicamente dentro de campo. Sua experiência internacional e o cuidado com detalhes também elevaram o nível de exigência no trabalho da comissão técnica.
"Quando você tem um profissional do tamanho do Seedorf, um cara que está atento a todos os detalhes, automaticamente todos os segmentos do clube ficam mais atentos. Você estuda melhor o treino que você vai passar, os outros profissionais das suas áreas também", afirmou Jair.
O treinador também elogiou a capacidade de comando do antigo companheiro de trabalho, característica que considera importante para a nova função no Corinthians.
"Ele é um líder nato. Você sabe que o cara que é líder tende a ter facilidade com gestão. Nós como treinadores somos líderes e temos que gerir muita gente, não só os nossos jogadores", destacou.
Jair ainda lembrou que Seedorf mantinha contato constante com a comissão técnica e participava de discussões sobre o funcionamento da equipe.
"Ele já era um cara apaixonado pelo jogo, era muito próximo da comissão, a gente trocava ideias, não só sobre o futebol, mas sobre tudo. É um cara muito inteligente, fala diversos idiomas", completou.
Seedorf desembarcou no Brasil em 2012, aos 36 anos, depois de uma carreira vitoriosa no futebol europeu, com passagens por Ajax, Real Madrid, Inter de Milão e Milan. O holandês conquistou quatro títulos da Liga dos Campeões, tornando-se um dos principais nomes internacionais a atuar no futebol brasileiro.
No Botafogo, ajudou a equipe a conquistar o Campeonato Carioca de 2013 e a garantir classificação para a Libertadores, encerrando um período de 18 anos sem disputar a competição.
Jair Ventura acompanhou de perto aquele momento e acredita que o Corinthians poderá aproveitar a experiência acumulada pelo holandês.
"Grandes atletas não passam por clubes, deixam legados. Ele agregou demais para a gente na época, com a sua experiência internacional, um cara vencedor de três Champions. O que me lembro logo foi do título do Carioca de 2013 e depois classificamos para a Libertadores", recordou.
A personalidade de Seedorf também provocou mudanças nos bastidores do Botafogo. Durante sua passagem, o jogador defendeu alterações na alimentação dos atletas e na organização das viagens, além de sugerir até uma modificação em um trecho do hino do clube, por considerar negativa a expressão relacionada a perder.
O contato entre os dois não terminou quando Seedorf deixou o futebol brasileiro. Segundo Jair, eles mantiveram uma relação de amizade, embora não conversem frequentemente.
O treinador do Vitória revelou que os dois chegaram a trocar mensagens em 2026. Um dos vínculos entre eles é Alex Evangelista, médico que trabalhou com ambos no Botafogo e atualmente está no Santos.
"É um amigo que eu construí. A gente seguiu falando sobre futebol, nos falamos este ano, inclusive. A gente manteve essa relação, não é corriqueira. Não nos falamos todos esses anos, mas ficou um carinho, ficou uma amizade", explicou