Ex-homens-gol do futebol gaúcho comparam o desafio de marcar no Gauchão e na Copa do Mundo
Em meio aos fiordes noruegueses, entre os leões da Trafalgar, em Londres, ou em um campo lamacento do interior gaúcho, todos falam a língua do gol. Ela move protagonistas mundiais como Haaland e Harry Kane, artilheiros de Noruega e Inglaterra, adversárias neste sábado (11) de quartas de final da Copa do Mundo. Ela virou hábito de artilheiros como Sandro Sotilli, Badico e Michel.
Pode ser estádio lotado nos Estados Unidos ou uma quarta-feira chuvosa qualquer do inverno gaúcho, o importante é estufar a rede. Como conhecem do ofício, os goleadores pampeanos apontam suas preferências para a decisão que se avizinha.
— No confronto, o Kane leva vantagem, mas o Haaland é mais parecido comigo. Ele faz gol de cabeça, de chute forte, de bicicleta, de de bico, de canela — avalia Badico, ícone do interior gaúcho e artilheiro do Gauchão de 1998.
Michel, duas vezes artilheiro do Estadual (2015 e 2018) tem a mesma opinião de Badico, mas se identifica mais com o atacante inglês.
— Pelo contexto das equipes, o Kane leva a melhor. A Inglaterra tem mais camisa. Gosto dos dois, são os melhores centroavante da atualidade. Me identifico mais com o Kane por ele sair da área e fazer jogadas.
Ninguém balançou mais as redes nos estádios do Gauchão do que Sandro Carlos Sotilli, artilheiro em 2002 e 2004. As semelhanças que vão além das características dentro da área, como os esvoaçantes cabelos loiros.
— Me pareço com o Haaland. Meu problema foi pegar a estrada de chão no interior, ele pegou só ar condicionado. Ele é matador mesmo.
Mas brincadeiras à parte, a preferência dele é outra.
— Prefiro o Kane — emenda, como se pegasse de primeira um cruzamento da linha de fundo.
Há um ponto em que todos convergem. Empilhar gols com passes de Bellingham é uma mamata. Estufar as redes após um toque de Odegaard em gramados dignos de um campo de golfe é quase uma obrigação. Difícil é ser artilheiro do Gauchão.
— No Gauchão peguei gramados com Capim-annoni e barba de-bode. Tinha Aladio, Rudi, Salsicha. Não era nem jogo, era um duelo de boxe dentro da área. É muito mais fácil fazer gol em Copa do Mundo — brinca Badico.
A parceria, na visão de Michel, faz a diferença nessas horas.
— Na Copa é mais fácil, ali estão os melhores atletas.
— Cada um com suas grandezas. Como não joguei Copa do Mundo, vou dizer que é mais difícil ser goleador do nosso charmoso Gauchão.
No fim, todos são devotos da máxima de Dadá Maravilha. Feio é não fazer gol.
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