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Antonelli cimentou a liderança do campeonato, com 242 pontos, mais 59 do que Hamilton (Ferrari), que foi quarto, e George Russell, numa corrida marcada pelo violento despiste de Verstappen.
Zandvoort recebeu pela última vez a Fórmula 1. O Grande Prémio dos Países Baixos não fará parte do calendário de 2027, e a despedida do circuito neerlandês ficou marcada por um sprint de sábado onde o cenário foi, durante a maioria das 24 voltas, o de uma procissão controlada — até que a chuva começou a cair precisamente no momento em que George Russell cruzou a linha de chegada em primeiro, com Leclerc e Norris a completarem o pódio e Kimi Antonelli, líder do campeonato, a terminar em quarto.
A corrida principal chegava num momento em que a luta pelo título estava mais renhida do que nunca. Antonelli, com 56 pontos de avanço sobre Russell antes deste fim de semana, tinha somado mais um resultado sólido no sprint, mas o britânico da Mercedes continuava a aparecer sempre que a ocasião era propícia para reduzir a desvantagem. A pausa de verão tinha feito bem a Russell — e a Norris, que partia da pole para a corrida principal, a segunda consecutiva no circuito neerlandês, depois de ter ficado em terceiro no sprint.
O contexto do campeonato tinha muito peso na grelha de partida. Antonelli terceiro, Piastri quarto, Hamilton quinto e Leclerc sexto — um top seis que refletia o equilíbrio de forças desta segunda metade da temporada, com a McLaren a ganhar terreno, a Ferrari a oscilar e a Mercedes a gerir dois pilotos em luta por objetivos diferentes. Atrás deles, Verstappen largava em sétimo, numa tarde em que o circuito onde ganhou três vezes consecutivas entre 2021 e 2023 lhe colocava pela frente mais uma oportunidade de relançar uma época ainda longe do que o neerlandês e a Red Bull esperavam no início do ano.
A chuva que tinha chegado tarde para baralhar o sprint estava ainda presente nas horas que antecederam a corrida, obrigando a direção de corrida a ordenar uma volta de formação atrás do carro de segurança antes do arranque. A incerteza era total: havia pneus intermédios e de pleno molhado na grelha, mas com a chuva a diminuir, as equipas apostaram maioritariamente nos compostos macios para uma corrida de uma paragem. Norris partiu da frente e Antonelli saltou Russell logo na primeira curva para ocupar o segundo lugar. O que se seguiu durou apenas uma volta.
Na reta principal, Verstappen perdeu o controlo da traseira do Red Bull e foi de frente contra a barreira — um impacto violento que provocou bandeira vermelha e deixou as bancadas laranja em silêncio. O piloto neerlandês confirmou estar bem, mas a sua corrida em casa — a última na história da Fórmula 1 em Zandvoort, depois de esta semana ter anunciado a renovação do contrato com a Red Bull até ao final de 2030 — tinha acabado na primeira volta. Durante a interrupção, Norris trocou para os pneus macios, enquanto os Mercedes mantiveram os médios e Piastri optou pelos duros. Bearman, da Haas, parou com um problema técnico entre as curvas 10 e 11 durante a volta de formação do recomeço — mais uma contrariedade numa tarde cheia delas.
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No arranque a partir de paragem, Antonelli fez uma largada impressionante e passou Norris para a liderança, enquanto Piastri saltava Russell para terceiro. A corrida entrou num ritmo de gestão, com o italiano a gerir uma vantagem sobre o campeão em título que chegou a atingir 1,4 segundos — impedindo Norris de usar o modo de ultrapassagem. Russell ia resistindo às investidas de Leclerc e Hamilton, enquanto Lawson, no único Red Bull restante, segurava o sétimo lugar. Por volta da décima volta, a situação estava estabilizada — mas a estratégia ditaria tudo o que estava para vir.
A primeira ronda de paragens aconteceu entre as voltas 16 e 22. Russell foi dos primeiros a sair, regressando com pneus duros mas caindo para nono num tráfego denso. Piastri parou uma volta depois, com uma paragem lenta que o colocou atrás do companheiro. Antonelli e Norris pararam quase em simultâneo na 22.ª volta, ambos sofrendo paragens mais demoradas do que o desejado. Leclerc foi para os médios, deixando Hamilton a liderar durante alguns momentos antes de ele próprio parar na volta 26. O britânico da Ferrari regressou em sexto, mas rapidamente se viu envolvido numa batalha tensa com Leclerc, que não estava disposto a ceder posição.
A corrida aproximava-se do momento decisivo. Na volta 40, a diferença entre Antonelli e Norris tinha sido reduzida para 0,7 segundos. Na volta 41, o italiano parou para pneus duros e regressou em quarto. Russell fez o mesmo, juntando-se a Antonelli atrás de si. Quando Norris liderava com folga na frente, o drama instalou-se na Ferrari: Hamilton seguia colado à traseira de Leclerc e expressava a sua frustração pelo rádio. “Grande perda de tempo, rapazes”, comentou sarcasticamente quando a equipa ordenou finalmente a Leclerc que parasse. Na volta 48, Norris fez a sua segunda paragem e regressou em terceiro, a cinco segundos de Antonelli. Foram apenas três voltas para o alcançar.
Na volta 52, Norris estava encostado a Antonelli e aproveitou um momento em que o italiano estava a defender Hamilton para atacar e passar para o segundo lugar. Cinco segundos depois, passou também Hamilton para a liderança. Antonelli tentou segurar com o modo de ultrapassagem, mas foi em vão. A história da tarde tinha virado. Uma viatura de segurança virtual, chamada por paragem de Ocon nos últimos metros da pista, abriu uma janela de oportunidade para Antonelli ir aos boxes trocar para pneus macios — regressando em terceiro atrás de Russell. A Mercedes inverteu a ordem dos seus carros para libertar Antonelli, o que não agradou a Russell: “Podemos ter perdido um duplo pódio”, comentou. Hamilton fechou em cima do companheiro nas voltas finais, mas Norris estava intocável na frente.
Lando Norris (McLaren) acabou por vencer o Grande Prémio dos Países Baixos, a 12.ª ronda da temporada, na despedida do circuito neerlandês do calendário da Fórmula 1. O campeão em título garantiu a segunda vitória consecutiva com 11,536 segundos de vantagem sobre Antonelli (Mercedes) e 15,906 sobre Russell (Mercedes). Lewis Hamilton foi quarto e Charles Leclerc quinto, com Oscar Piastri em sexto. Lawson, apesar de uma penalização de dez segundos por infração de bandeira amarela, segurou o sétimo lugar. Hulkenberg, Alonso e Gasly completaram os pontos.
Com estes resultados, Antonelli cimentou a liderança do campeonato com 242 pontos — mais 59 do que Hamilton (Ferrari) e Russell (Mercedes), que ficaram a igual distância. “Uma corrida difícil”, reconheceu Norris no final. “Ontem disse que precisávamos de dar um espetáculo na despedida de Zandvoort — tornei as coisas difíceis para mim próprio, mas foi uma boa corrida, bem combatida. Provavelmente uma das minhas melhores vitórias — tivemos de lutar muito por ela. Que bom vencer a última corrida aqui”