O encerramento de grandes ciclos esportivos globais, como os que são enfrentados pelas seleções na Copa do Mundo da FIFA, costuma concentrar as atenções nos atletas que protagonizam os lances decisivos. Mas a análise de bastidores dos times vencedores reforça que a conquista de resultados de alto desempenho exige a construção de grupos focados na divisão de responsabilidades, mitigando a dependência de talentos individuais.

No ambiente corporativo, a dinâmica se repete, desafiando a tendência tradicional de associar a liderança à figura do funcionário mais produtivo ou tecnicamente preparado da equipe. Para a psicóloga e especialista em liderança Janaína Fidelis, um dos maiores equívocos das empresas modernas é acreditar que o desempenho técnico individual e a capacidade de gestão são competências necessariamente interligadas. A profissional aponta que o mercado de trabalho ainda projeta uma expectativa de infalibilidade sobre os gestores, o que prejudica o desenvolvimento organizacional.

"Existe uma expectativa muito forte de que o líder seja a pessoa que tem todas as respostas, resolve todos os problemas e nunca demonstra insegurança. Mas liderança não tem relaçatilde;o com perfeição. Tem relação com influência, confiança e capacidade de mobilizar pessoas em torno de um objetivo comum", afirma Janaína Fidelis.

A analogia com o futebol ajuda a ilustrar essa diferenciação no organograma das companhias, uma vez que o capitão de um elenco frequentemente não ocupa o posto de artilheiro ou de atleta mais midiático, mas atua na administração de conflitos internos e na manutenção do foco sob pressão. Segundo a psicóloga, o gestor que centraliza as decisões e busca o protagonismo técnico acaba criando gargalos operacionais e enfraquecendo a autonomia dos liderados, em vez de potencializar as habilidades complementares do grupo.

"O líder não precisa ser o protagonista de tudo. Quando ele acredita que precisa carregar sozinho o peso das decisões, acaba criando dependência e enfraquecendo a autonomia da equipe. Os melhores líderes são aqueles que desenvolvem pessoas e fazem com que cada profissional reconheça sua importância dentro do grupo", explica a especialista.

Para Janaína, a Copa do Mundo serve para lembrar que liderança não é sobre ser o melhor jogador em campo, mas é sobre fazer com que o time inteiro jogue melhor. "Quando um líder entende isso, ele deixa de buscar protagonismo e passa a construir resultados junto com as pessoas.", conclui, destacando o peso atual da inteligência emocional e da comunicação no mercado de empregos