O novo limite de estrangeiros no futebol brasileiro é "muito radical" e tende a derrubar a qualidade média do Campeonato Brasileiro, avaliou o colunista Rodrigo Mattos no UOL News Esporte, do Canal UOL.
A CBF aprovou uma redução gradual: em 2026, os clubes poderão relacionar até nove estrangeiros por jogo; até 2030, o teto cai para cinco. A entidade justificou a proposta com a queda de minutagem de jogadores sub-23. Na visão de Mattos, a medida passou do limite.
Eu, como opinião, discordei da medida. Acho que é muito radical, acho que se a gente comparar com as outras ligas, é muito restritiva. Na Inglaterra não tem restrição, na Alemanha não tem restrição e isso não parece ter afetado a formação e o desenvolvimento dos jogadores desses dois países. Tem na Espanha e tem na Itália uma restrição, mas não envolve os jogadores extracomunitários. Ou seja, pode ter europeu lá dentro.Rodrigo Mattos
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Segundo Mattos, a CBF levou ao encontro gráficos e comparações com ligas europeias para sustentar que o Brasileiro ficou "mais velho" e "menos intenso", além de dar menos espaço às categorias de base.
Qual é a argumentação da CBF? Que desde que tem aumentado o número de estrangeiros de 5 para 9, você teve uma diminuição muito grande da minutagem dos jogadores sub-23. Esse é o cálculo. Que caiu e que hoje o Campeonato Brasileiro tem metade do tempo para os jogadores sub-23 em relação às grandes ligas.Rodrigo Mattos
Mesmo reconhecendo o diagnóstico de que a base joga pouco, ele disse que a solução não ataca o problema central. Para o colunista, faria mais sentido apertar a lista de inscritos e exigir mais jogadores formados no clube, como ocorre em outros países.
Eu não discordo da análise da CBF que tem poucos jogadores de base sendo aproveitados. Eu discordo da medida. E eu acho que, no final das contas, esses garotos não vão ficar aqui pra ter uma liga super jovem. Vão se desenvolver minimamente, vai dar dois, três anos, eles vão ser vendidos por zilhões de euros.Rodrigo Mattos
Mattos ainda citou os efeitos colaterais no mercado: clubes devem buscar naturalizações de estrangeiros que já estão há tempo suficiente no Brasil para liberar vagas na lista de relacionados; e repatriar brasileiros que estão no exterior deve ficar mais caro.
Vai aumentar o ganho dos advogados de migração, porque o Flamengo, por exemplo, já vai arrumar nacionalidade para o Arrascaeta e para o Pulgar, que já estão há tempo suficiente no Brasil.Rodrigo Mattos
Em 2027, o limite por clube será de oito estrangeiros. E assim diminui gradualmente, até chegar em cinco em 2030.
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