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Rui Costa assumiu falhanço no futebol, ex-candidatos criticaram decisões, tudo acabou com Orçamento aprovado com 54% entre 8.209 votantes. Pelo meio, houve de tudo na Luz – menos pedidos de demissão.
▲Rui Costa voltou a assumir o que correu bem e mal na temporada de 2025/26 sobretudo na Assembleia Geral da manhã, acabando à tarde com o Orçamento do clube aprovado na segunda reunião magna
Uma primeira Assembleia Geral com segunda chamada logo às 9h da manhã que tinha como objetivo fazer um balanço daquilo que foi a última temporada a nível de futebol, de modalidades, de associativismo e, em termos génericos, de clube. Uma segunda Assembleia Geral, neste caso com um início previsto para as 14h30, apenas com o ponto de votar o Orçamento do clube para o novo exercício de 2026/27. Em súmula, era isto e apenas isto que estaria em cima da mesa no Pavilhão da Luz, que recebia duas reuniões magnas num único dia na antecâmara do fecho da fase de grupos do Campeonato do Mundo de seleções, com Portugal a jogar com a Colômbia em Miami a partir das 00h30, madrugada de domingo. A partir daqui, tudo podia acontecer. Ou melhor, havia condições para que tudo acontecesse. E o interesse no dia já tinha um “número”.
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Ao todo, e na véspera das duas Assembleias Gerais, os serviços do Benfica já tinham recebido um total de 142 questões dos associados, numa fórmula que começa agora a ser utilizada na Luz para tentar abrir ao máximo a todos os sócios aquilo que é a discussão da vida do clube. “O nosso compromisso é fazer chegar a quem de direito todas as questões que forem suscitadas”, assegurara José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral dos encarnados, em declarações à BTV antes das reuniões magnas onde assegurou que a formação da Luz criou todas as condições para que as pessoas habilitadas pudessem participar no encontro, fosse em termos presenciais, fosse através das plataformas digitais disponibilizadas pelos serviços.
“Haverá um processo transparente, cristalino, certificado e auditável, com um sistema de voto mais ágil, mas também certificado. Espero que o processo deliberativo decorra de forma ordeira, calma e ponderada, como os sócios habituaram o clube e quem olha de fora desde 1904, como exemplo de civismo e democracia. Haverá transmissão em streaming, que já ocorreu na Assembleia Geral do Benfica District e visa apelar à participação de todos os sócios nas Assembleias gerais do Benfica. Há uma estrutura informática montada e assegurada, do primeiro ao último minuto das duas assembleias gerais”, garantira José Pereira da Costa.
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E se, no início do ano, a Assembleia Geral conseguiu juntar quase 30.000 votantes através destes novos meios de participação, esta reunião magna tinha também condições para fazer aumentar, e muito, os resultados em torno da votação do Orçamento do clube para a próxima temporada. No entanto, e antes, Rui Costa e os restantes pares da Direção estariam quase debaixo de um “escrutínio sem números”, tendo em conta os resultados dos encarnados no futebol em 2025/26, do terceiro lugar no Campeonato à falta de troféus (a não ser a Supertaça, referente à temporada anterior, ganha ainda em julho frente ao Sporting com Bruno Lage no comando), passando pela aposta em José Mourinho num período pré-eleitoral, pela rábula da saída para o Real Madrid que foi congelando tudo e todos até haver eleições nos merengues e pelas operações feitas no mercado de transferências pelo SAD. Tudo temas que Rui Costa já tinha abordado em conferência.
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Ainda assim, e apesar dessas explicações, tudo volaria novamente a ser questionado – e colocado em causa, depois de um final de temporada que terminou, nos últimos minutos do derradeiro encontro na Luz para a Primeira Liga frente ao Sp. Braga, com pedidos de demissão para Rui Costa… pouco mais de seis meses após ter sido reeleito no sufrágio mais participado de sempre e que só foi decidido na segunda volta. Era também por isso que tudo apontava, à partida, para a participação de todos os candidatos derrotados nas eleições: Noronha Lopes, Luís Filipe Vieira, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho. E que, num número que entretanto tinha sido atualizado, já existiam mais de 240 questões feitas pelos sócios.
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Logo a abrir a reunião magna, e como é habitual nestes momentos, Rui Costa falou a todos os associados que já marcavam presença no Pavilhão número 2 da Luz (e que iam acompanhando através dos outros meios que foram disponibilizados) colocando um ponto em cima da mesa que marcaria toda a manhã: a última época não cumpriu os objetivos que estavam estipulados, os encarnados não conseguiram fugir ao insucesso.
“É aqui, perante os sócios, que prestamos contas do trabalho realizado, que assumimos responsabilidades pelas decisões tomadas e que apresentamos a visão que temos para o futuro do nosso clube. O Benfica sempre foi construído desta forma: na exigência, no debate e na convicção de que só com a participação dos sócios conseguimos tornar o clube cada vez mais forte. É precisamente com esse espírito que hoje aqui estamos para proceder ao balanço da época que agora está a findar. Importa reconhecer aquilo que fizemos bem, assumir o que não correu como desejávamos e, acima de tudo, corrigir o que tiver de ser melhorado. Começando pelo futebol profissional, importa dizer com total frontalidade aquilo que sentimos: a época ficou aquém da exigência que define o Benfica”, começou por assumir o líder do clube na Luz.
“A conquista da Supertaça é um título que valorizamos mas está longe de corresponder às ambições que tínhamos para esta época. O terceiro lugar no Campeonato e a ausência da Liga dos Campeões do próximo ano não correspondem aos objetivos que traçámos nem ao investimento realizado. Não ignoramos a realidade, nem procuramos escondê-la. Assumimos o desfecho com sentido de responsabilidade e com a convicção de que o Benfica tem de voltar a ocupar o lugar que lhe pertence. Ser campeão nacional, o principal objetivo com que partimos em cada ano. Ao mesmo tempo, importa analisar a época com rigor e sem simplificações”, prosseguiu, antes de introduzir algumas notas de contexto da temporada de 2025/26.
“Estávamos cientes que iríamos enfrentar um contexto particularmente exigente, marcado por um calendário condicionado pela realização do Campeonato do Mundo de Clubes, o que reduziu significativamente o tempo disponível entre o final da temporada e o arranque competitivo da nova época. Foi também nesse enquadramento que procurámos reforçar a equipa com novos jogadores que pudessem ter um rendimento elevado imediato, algo que, quer por erros de expectativas da nossa parte, quer por questões de adaptação, acabou por não acontecer da forma como pretendíamos, culminando numa irregularidade exibicional que muito nos comprometeu em termos de classificação”, prosseguiu Rui Costa, numa época em que chegaram à Luz Richard Ríos, Dedic, Ivanovic, Obrador, Enzo Barrenechea e, nos últimos dias de agosto, Lukebakio e Sudakov (Sidny Lopes Cabral e Rafa Silva foram reforços depois na reabertura de mercado em janeiro).
“Como já afirmei publicamente, não escondemos os nossos erros em fatores arbitrais. Sou o primeiro a assumir que falhámos em vários planos. Mas também não podemos aceitar que os nossos falhanços sirvam para escamotear erros de arbitragem relevantes que condicionaram e muito o nosso percurso e tiveram um desfecho importante no desenrolar do Campeonato. Nenhuma destas circunstâncias diminui a nossa responsabilidade, nenhuma. Mas servem, isso sim, para enquadrar uma época que ficou aquém das expectativas e da qual retiramos ensinamentos importantes”, rematou nesta fase do discurso.
“Com o arranque dos trabalhos no Benfica Campus, na passada quinta-feira, iniciamos uma nova etapa, assente numa renovada estrutura técnica e numa visão clara para devolver o Benfica ao lugar que lhe pertence. Estamos a preparar esta nova temporada com rigor, exigência e sentido de responsabilidade, conscientes de que os benfiquistas esperam respostas dentro de campo e estamos determinados em corresponder a essa expectativa. É isso que todos pretendemos. Queremos e tudo vamos fazer para conquistar o campeonato nacional e ter uma presença expressiva na Liga Europa. No fundo, devolver o Benfica ao lugar que os sócios exigem e que a história do clube nos impõe”, apontou sobre 2026/27.
A partir daí, Rui Costa falou também de outras modalidades e pontos do clube. “No futebol feminino, vencemos o Campeonato e a Taça, reafirmando de forma inequívoca a nossa hegemonia no panorama português. Trata-se de uma trajetória de sucesso que queremos consolidar, depois da conquista do hexacampeonato, e que nos orgulha profundamente. Mas as nossas metas não se esgotam nas fronteiras nacionais. Queremos continuar a crescer a nível internacional. É com esse objetivo que partimos para a nova época, com a mesmo compromisso, a mesma cultura de excelência e o espírito vencedor que definem o Benfica. O Benfica está longe de esgotar-se no futebol, tal como comprova a forma vibrante e apaixonada como todos vivemos os jogos aqui nestes pavilhões”, salientou o líder das águias nessa fase da intervenção.
Rui Costa na AG: ????️: "Ouvi uma preocupação sobre o futebol feminino, devido à saída de algumas atletas, que esgotaram o seu período no Benfica. A garantia é que a equipa será reforçada. É um projeto no qual não deixaremos de investir e não deixaremos de querer continuar a ganhar" pic.twitter.com/2OtteuyISe