Um jogo entre a poderosa França e a zebra Paraguai obviamente gera uma torcida de outros países em favor da equipe sul-americana.
É normal, do futebol. Também é compreensível a retranca armada pelo técnico Gustavo Alfaro para tentar parar a artilharia francesa. Não havia outra forma de ganhar, e há mérito em se defender bem.
Dito isso, não dá para celebrar o antijogo praticado pelo Paraguai em boa parte do jogo.
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"Ah, é jogo de Libertadores." Pois esse é o pior aspecto da competição, a cera, as pancadas disfarçadas, as reclamações constantes. É possível criar desconforto no rival sem isso.
No primeiro lance do jogo, Alderete tem um encontrão com Rabiot e cai na área. Não foi nada, contato normal, ele se estende no chão, Gustavo Gomez pede para o jogo parar. Por sorte, o árbitro Tantashev ignora e o paraguaio levanta.
Gomez, Almirón, Enciso caíram no campo. O último queria ficar estendido enquanto seria substituído. O árbitro o ameaçou com a punição de ficar sem um jogador, ele levantou. Aliás, na maior parte dos lances, Tantashev conseguiu conter a cera, mas foi permissivo noas contatos mais agressivos.
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Os contatos para criar desconforto em Mbappé, Olise e Dembele são normais. Ninguém deve abrir caminho aos rivais.
Alguns tapas ali, como o de Galarza, não fazem parte do jogo. Depois, o paraguaio meteu a mão na cara de Kundé no final do jogo. Eram dois amarelos. A poucos minutos do fim, ele se jogou teatralmente na área para simular um golpe no rosto e pedir uma sanção ao rival.
Cabo Verde, por exemplo, defendeu-se sem apelar dirante do Uruguai, Espanha e Argentina. E ainda tinha um plano ofensivo de contra-ataque tanto que marcou gols contra dois desses rivais.
Quando o árbitro Tanashev marcou pênalti em Doue após analisa o VAR (foi pênalti, diga-se), os paraguaios cercaram o árbitro para tentar reverter no melhor estilo Brasileirão. E ficaram em volta da marca. Enquanto isso, Velasquez enfiou a chuteira na marca para tentar danificar o gramado, no melhor estilo Andreas Pereira, para prejudicar a batida de Mbappé.
Isso não é futebol. É uma malandragem torpe, é antijogo claro.
Quem defende isso não vai poder reclamar quando fizerem com seu time. Se não é correto contra sua equipe, sua seleção, não é contra aqueles que você eventualmente torce contra.
Então, pode-se até elogiar a postura defensiva do Paraguai. Parte do jogo, um plano tático de cinco na linha de trás que criou dificuldade a uma França que não estava na sua melhor tarde. E merece elogio o goleiro Orlando Gill, que pegou pênaltis diante da Alemanha e fez duas defesaças contra Mbappé.
Mas não dá para celebrar uma postura que ignora os princípios básicos da civilidade dentro do jogo.
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