Jogadores de futebol costumam repetir quase como um mantra que o que acontece dentro do campo fica por lá mesmo. Isso vale para as rivalidades, palavras ríspidas e até mesmo para os momentos mais quentes quando a civilidade sai de cena e dá lugar para a pancadaria. É quase aquela história de que o que acontece em Vegas fica em Vegas. Mas o que pode até acontecer com os boleiros, pelo menos em algumas circunstâncias, está muito longe de ser uma verdade absoluta. O que acontece em campo mexe com a vida de muita gente fora das quatro linhas. >
Não é só futebol, nunca foi e nunca será. A faixa dos jogadores argentinos sobre a Guerra das Malvinas é apenas o capítulo mais recente da política invadindo o campo. “Las Malvinas son Argentinas” (vamos manter no idioma original, acreditando que todo mundo entendeu) provocou uma reação oficial do Reino Unido, um dia depois da seleção inglesa ter sido despachada de volta para casa. “A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Malvinas certamente são”, declarou a porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. >
Todo encontro entre as duas seleções reacende as mágoas por um conflito que ocorreu em 1982 e provocou a morte de 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três civis. >
Muito antes do conflito entre a Argentina e a Inglaterra, um dos principais pontos de tensão na Copa do Mundo deste ano foi a participação do Irã no torneio realizado nos Estados Unidos, com quem caminha para cinco meses de conflitos militares. Em campo, o Irã se despediu após três empates na fase de grupos. Perdeu a vaga para a fase eliminatória no último minuto com um gol anulado contra o Egito. Fora das quatro linhas, enfrentou tantos contratempos que quase desistiu de participar – de vistos negados a restrições de viagens. >
Mas não é só durante a Copa do Mundo que o futebol extrapola as fronteiras das quatro linhas. Aqui no Brasil, convive-se com dados assustadores relacionados ao jogo. Nos dias das partidas, o número de registros de boletins de ocorrência de ameaça contra mulheres cresce 23,7%, enquanto a quantidade de denúncias por lesão corporal aumenta em 20,8% nas principais praças esportivas do país. >
E nem sempre a influência do jogo é negativa. Vejam Pelé: a história de que a presença dele na Nigéria teria levado a um cessar-fogo na Guerra de Biafra carece de evidências históricas, mas o eterno Rei do Futebol usou o esporte para exercer influência positiva no mundo. Mesmo durante os momentos mais tensos da Guerra Fria, conseguiu ser recebido pelos mais diversos líderes. Por aqui, deu vida e nome à Lei Pelé, que modernizou a legislação esportiva.>
Antes de Pelé, o húngaro Puskas deixou seu país após a Revolução e tornou-se ídolo na Espanha, além de símbolo na defesa dos direitos de refugiados. Drogba, depois de ajudar a Costa do Marfim a se classificar para a Copa de 2006, ajoelhou-se diante das câmeras pedindo paz para a Costa do Marfim. Outro craque que mudou a história foi George Weah, que brilhou no Milan e depois se tornou presidente da Libéria. >
Talvez o que torne o futebol o esporte mais popular do planeta seja a força de extrapolar as quatro linhas. Nunca será apenas um jogo.>
Se quiserem acabar com a dependência de produtos chineses, Estados Unidos e Europa terão que investir impressionantes US$ 23,6 trilhões nos próximos 25 anos para reforçar a produção de manufatura e tecnologia, aponta um estudo da consultoria EY-Parthenon. Os Estados Unidos, do presidente Donald Trump, teriam que ampliar seus investimentos em US$ 600 bilhões por ano, enquanto o desafio da União Europeia seria o dobro disso. O que pode ser uma boa notícia para o Brasil é que por aqui existe grande parte dos recursos naturais e materiais necessários. “Localizar cadeias de suprimentos sem impor custos proibitivos aos contribuintes e consumidores será um dos desafios mais formidáveis para empresas e governos nos próximos anos”, acredita Mats Persson, representante da EY-Parthenon. O nível de dependência do mundo em relação à China ficou explícito no ano passado, quando Pequim impôs dificuldades à exportação de terras raras, em meio à guerra comercial contra os Estados Unidos. >
Na China, uma das prioridades do plano quinquenal de desenvolvimento é o fortalecimento do mercado interno. O país quer atingir 60 trilhões de yuanes, o equivalente a R$ 45,46 trilhões, em vendas no varejo até 2030, impulsionadas pelo consumo, com o compromisso de aumentar a renda das famílias. A ideia é fazer a população do segundo país mais populoso do mundo consumir mais serviços nas áreas de cuidados a idosos e infantis, saúde, cultura, turismo, esportes e educação. No turismo, os planos incluem ampliar a isenção de vistos e oferecer mais voos diretos para os mercados europeu, norte-americano e dos países integrantes da chamada Nova Rota da Seda. Analistas econômicos acreditam que a medida decorre do cenário de desaceleração do crescimento econômico por lá, que deve ficar abaixo dos 5% este ano. Pouco para eles, mas um sonho aqui no Brasil.>
Nos últimos cinquenta anos, a China plantou 66 bilhões de árvores para conter o avanço dos desertos de Gobi e Taclamacã, criando a chamada Grande Muralha Verde. Outros 34 bilhões de árvores deverão ser plantados até meados deste século numa região que já não lembra mais o que era no fim da década de 1970. Segundo a revista Nature, a cobertura florestal nas regiões afetadas passou de 5% em 1978 para 14% em 2023. Com isso, não apenas diminuíram as tempestades de poeira, como também melhorou a qualidade do ar em grandes cidades. A motivação para o plantio era conter a desertificação da área, mas agora pesquisadores do mundo inteiro se debruçam sobre dados da região para entender o impacto da imensa floresta plantada no aquecimento global.>
Mojtaba Khamenei assumiu oficialmente o papel de novo líder supremo do Irã, no lugar do pai, Ali, que foi sepultado na última semana. Mais jovem ocupante do cargo desde a Revolução Islâmica, em 1979, Khamenei, que, até onde se sabe, teve o rosto desfigurado no ataque que matou o pai, tem diante de si o desafio de reconstruir um país destruído por quase cinco meses de intensos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Entre as estruturas que precisam ser reconstruídas está o sistema político criado pelo primeiro Khamenei, que equilibrava os interesses religiosos com os dos líderes políticos. Mojtaba terá que lidar com comandantes militares mais poderosos do que nunca na antiga Pérsia.>
O leitor desta coluna pode até achar que é o brasileiro o trabalhador que mais apresenta atestados médicos, mas, acredite, os responsáveis por se afastar do trabalho durante uma média de 20 dias por ano em função de problemas de saúde vivem bem distante daqui. São os alemães, e a situação já preocupa bastante o governo de lá. O chanceler do país, Friedrich Merz, anunciou na semana passada uma ofensiva para combater o elevado número de dias de afastamento. Entre as mudanças, a partir de janeiro do próximo ano, os trabalhadores não poderão mais obter um atestado médico por telefone. Será necessário consultar um médico presencialmente já no primeiro dia de doença, mesmo que esteja com uma dor de barriga daquelas. Segundo Merz, o elevado número de ausências prejudica a economia alemã.>
Tudo bem que a carreira de Lamine Yamal está apenas começando, mas o jovem atacante espanhol não sabe o que é perder para o craque francês Kilian Mbappé. Pelas seleções, foram três jogos e em todos eles o espanhol despachou de volta para casa o craque francês.>