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Depois de 39 dias com 104 partidas disputadas por 48 seleções em três países, veja dez coisas que deram certo na Copa do Mundo e outras que deixaram a desejar.
Todo mundo que chegou na Copa com fama saiu mais famoso. Os protagonistas do futebol brilharam no país de Hollywood. E não foram só Messi e Mbappé, como em 2022. Haaland fez sete gols em seu primeiro Mundial, e Kane marcou seis. Teve ainda Bellingham, Dembélé e Olise (se destacando com assistências). Até Vinicius Junior teve lá seu brilho.
Havia muita desconfiança em relação ao aumento de seleções de 32 para 48. Além do calendário sufocante, existia o medo da queda abrupta da qualidade técnica. O saldo final foi positivo, com equipes como a estreante Cabo Verde fazendo bonito. Os africanos chegaram com nove seleções ao mata-mata, mostrando que o aumento de vagas no continente foi correto.
Com 48 seleções e 104 jogos, muitos recordes eram esperados, mas eles superaram as expectativas. O principal veio com Messi e Mbappépulverizando a marca de Klose (16) na artilharia das Copas. O argentino soma 21 e o francês, 22. Cristiano Ronaldo é o primeiro a marcar em seis Copas diferentes. Unai Simón bateu a marca de tempo sem tomar gols (650 minutos) e Didier Deschamps se tornou o técnico recordista em participações, com 26 jogos (e ainda se ausentou de um, para acompanhar o velório da mãe).
A imagem icônica de 2022, com todos os fotógrafos apontando para Cristiano Ronaldo no banco de reservas durante o hino português, não aconteceria nesta Copa. Uma mudança no protocolo permitiu a entrada dos 26 jogadores para ouvir o hino, com direito a bandeirões gigantes estendidos no campo. Funcionou.
O lado bom: já pensou se tivesse parada para hidratação naquele 7 a 1? De repente, seriam só 4 a 1. Neste Mundial, foi comum ver técnicos ajustando posicionamento de times durante os três minutos de intervalo e mudando a dinâmica do jogo. E sempre ao som de "Livin’ on a Prayer", do Bon Jovi, para alegria dos oitentistas.
Ainda é impossível exterminar completamente a cera, mas algumas das novas regras aumentaram a dinâmica do jogo. Nas primeiras rodadas, foi mais comum ver reversão em laterais (que estouravam o limite de cinco segundos). Também teve aquele jogador rolando no gramado que foi obrigado a ficar um minuto fora. Mas a bem-vinda Lei Vini Jr., que fez o paraguaio Almirón ser expulso após pôr a mão na boca, não será usada pela Conmebol após a Copa.
Algumas torcidas deixam mais saudades que seus times. O principal exemplo é a Escócia, que fez a alegria pelas cidades em que passou —e, reza a lenda, secou alguns bares em Boston. Os cânticos da torcida argentina (que nas Copas não leva o racismo da Libertadores) e o "Wonderwall" dos ingleses também tiveram impacto. Mas a torcida mais marcante foi a norueguesa, com a remada viking indo da arquibancada ao Parlamento (e em campo).
Mesmo que você não tenha visto nem uma partida de futebol inteira, dificilmente deve ter escapado de algum vídeo-piada elaborado a partir da inteligência artificial. Tudo era motivo para graça, principalmente a parada para hidratação, que mostrava Haaland cuidando de seus cabelos sedosos, a seleção inglesa tomando chá, a uruguaia, mate, e a seleção argentina fazendo churrasco. Sem falar nas interações de Vini Jr. e Haaland em "As Branquelas".
Em plena semifinal, a Argentina empata aos 40min do 2º tempo e vira nos acréscimos, diante da Inglaterra. O espanhol Mikel Merino entra no fim do jogo e marca aos 46min contra Portugal e aos 43min diante da Bélgica. Citando o bordão de Luiz Carlos Jr., o "vai ter emoção até o fim" nunca valeu tanto como nesta Copa. Na vitória portuguesa contra a Croácia, teve gol aos 49min do 2º tempo e empate croata aos 55min —que o VAR anulou. Haja coração.
Após ajudar a segurar a poderosa Espanha na estreia (0 a 0), o goleiro Vozinha virou celebridade na Copa e fora dela. No Instagram, seus 40 mil seguidores se transformaram em 29,4 milhões. Agora, ele procura um novo time, mas não quer ser só peça publicitária (quem diria). Já o lateral neozelandês Tim Payne era o que tinha menos seguidores (cerca de 5.000). Após campanha, passou de 5,5 milhões e ganhou contrato com o clube paraguaio Olimpia.
As longas distâncias provocadas pela Copa do Mundo continental não foram aplicadas a todas as seleções. Algumas tiveram a logística (e a quilometragem) mais facilitada que outras —a França só saiu da costa leste na semifinal. A Colômbia foi a única obrigada a viajar pelos três países anfitriões.
Clutch, Maple e Zayu, conhece? Bem, são as mascotes da Copa, uma para cada país. E não há muito mais a dizer sobre elas. Os bichinhos (águia, alce e onça-pintada, respectivamente) não deram as caras nem na cerimônia de abertura televisionada —na do México preferiram convidar os labubus. Poucas vezes as figuras foram tão desprezadas em evento do gênero.
O lado ruim: a parada de três minutos foi criticada por muitos jogadores e espectadores. Entre outras coisas, fere a regra do jogo e transforma uma partida de dois tempos em um duelo de quatro períodos —o que agrada aos possíveis patrocinadores. A desculpa da hidratação também não colava em jogos com temperaturas amenas ou em estádios climatizados.
A primeira Copa com um estrangeiro no comando, Carlo Ancelotti, não trouxe o futebol (e o resultado) esperado. Exceção a Vini Jr., Matheus Cunha e Bruno Guimarães (apesar do pênalti), pouco se salva. Os equívocos começaram na convocação, com uma seleção envelhecida, carente de reposição em alguns setores e com um Neymar visivelmente fora de ritmo até o fim.
Os caríssimos ingressos para a Copa espantaram muitos torcedores, o que nunca foi um problema para a Fifa. Antes da abertura, o mandatário da entiade, Gianni Infantino, colocou a culpa em um mercado secundário. Mesmo em jogos com Messi (Argentina x Suíça) era possível observar lugares vazios, principalmente nos setores mais caros.
A interferência de Donald Trump entrou em campo. O presidente admitiu ter ligado para Infantino para suspender um cartão vermelho aplicado ao atacante Balogun (EUA), que o tiraria das oitavas de final, contra a Bélgica. Pior para o árbitro brasileiro Raphael Claus, chamado de "suspeito" por Trump. Ah, e a Fifa, claro, concordou com o pedido: Balogun jogou, e perdeu