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Depois de se expor ao ridículo, fingir que alguém ainda acredita em seus planos e de tomar um enquadro do Ministério da Fazenda e do Ministério Público Federal, a Lecar está devolvendo 90% do dinheiro de clientes que aderiram à reserva do sedâ híbrido 459.
O ponto central da investigação está no modelo comercial adotado pela Lecar, que o batizou de “Compra Programada”, e consiste em um contrato de longo prazo de até 72 meses sem juros, prometendo a entrega do veículo assim que metade das parcelas fosse quitada. Parece vantajoso, mas para fazer isso é preciso ter autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas do Ministério da Fazenda e do Banco Central — e a Lecar não tem nada disso.
Pior: o relatório oficial aponta indícios de fraude, destacando que a empresa cobrava taxa de adesão para que participantes atuassem como revendedores (uma manobra conhecida no recrutamento do “marketing multinível”) e admitia expressamente que o fluxo de caixa para entregar os carros futuros dependia diretamente da entrada contínua de novos pagantes — tudo isso vendendo um carro que não existe, que não foi homologado, e que não tinha sequer uma fábrica onde pudesse ser feito.
A Lecar ainda tentou uma parceria com a Dongfeng, para trazer o hatch elétrico Dongfeng Box como “white label”, rebatizando-o por aqui como Lecar Pop. A repercussão negativa, contudo, acabou com qualquer chance de negociação com a gigante chinesa — a fabricante disse que os contatos com a Lecar eram apenas preliminares e recuou depois da investigação pelas autoridades.
Flávio Assis, o mentor da Lecar, nega as irregularidades e alega que a operação sempre foi transparente em relação à falta de fábrica e de produto finalizado, e a Lecar afirma em nota que não recebeu notificação oficial. Contudo, o MPF em São Paulo já acionou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar a estrutura financeira da empresa. (Leo Contesini)
Comprar um modelo queridinho do mercado pode ser vantajoso na hora da revenda pela baixa depreciação. Mas há um outro lado que pouca gente lembra — especialmente no Brasil. Carros bem-sucedidos em vendas também são mais visados pelos criminosos. Com os SUV dominando o mercado de novos e usados, eles também se tornaram alvo de roubos e furtos, como mostra a Ituran, empresa de monitoramento de automóveis, que fez um levantamento dos modelos visados na região metropolitana de São Paulo/SP, segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública.
No primeiro quadrimestre de 2026, foram registrados 2.874 roubos e furtos de SUVs na Grande São Paulo, um aumento de 5,66% na comparação com o mesmo período do ano anterior. E quem puxa essa fila indesejada, mais uma vez, é o Jeep Renegade, com 345 ocorrências. O modelo da Stellantis é seguido de muito perto no retrovisor pelo Nissan Kicks (332) e pelo seu irmão maior, o Jeep Compass (314). O “top 5” de incidentes é fechado pelo Honda HR-V (274) e pelo Hyundai Tucson (136).
Além disso, os dados mostra que os modelos com até 10 anos são os alvos preferidos (com 1.136 unidades levadas). Isso corrobora a tese de que o foco central das quadrilhas não é a clonagem ou a exportação, mas sim o desmanche para alimentar o mercado ilegal de peças de reposição — justamente a faixa de idade em que esses carros saem da garantia de fábrica e passam a demandar manutenção corretiva mais pesada nas oficinas independentes.
O modus operandi criminal também é claro: 88,8% dos casos são classificados como furtos (quando o carro é levado estacionado, sem violência ou contato com o dono), confirmando o uso de ferramentas eletrônicas de bypass de chaves de presença e módulos durante o período noturno. Os roubos à mão armada representam apenas 11,2% das ocorrências.
No mapa de calor da capital paulista, houve uma mudança de CEP: o bairro da Vila Mariana (115 registros) tomou a liderança estatística que antes pertencia ao Tatuapé. O pódio de risco é completado pelos bairros do Ipiranga (94) e São Lucas (86). Fora da capital, cidades como São Bernardo do Campo, Santo André e Guarulhos concentram o maior volume de baixas. (Leo Contesini)
Se você conheceu a Venturi por outra razão que não Gran Turismo 2, considere-se privilegiado — porque, para boa parte dos entusiastas, a marca francesa de esportivos foi apresentada no clássico do PlayStation. Seus carros fizeram relativo sucesso na década de 1990 mas, em última instância, a Venturi sofreu o mesmo destino de boa parte das fabricantes de nicho: o fracasso. Mas, caso você tenha bala na agulha, pode colocar um de seus carros na garagem. E mais: o Venturi 400 GT possivelmente é o melhor deles.
É uma pena, porque os carros eram bonitos, surpreendentemente refinados para o tamanho da fabricante e andavam bem. E, no caso do Venturi 400, rolou até uma categoria monomarca para quem quisesse se aventurar pelos autódromos.
Todos os carros da Venturi usavam o mesmo projeto básico — inaugurado no MVS Venturi, em 1987; e aproveitado em modelos com o 400, produzido de 1984 a 1987, e o Atlantique, que ficou em linha de 1991 a 2000. No total, algo entre 750 e 800 automóveis foram feitos pela Venturi ao longo daquele período, e o Venturi 400 — que teve por volta de 100 unidades fabricadas — é considerado o auge da fabricante.
Com a proposta de ser uma empreitada 100% francesa, a Venturi utilizava uma versão modificada do motor V6 PRV ligado a um câmbio manual de cinco marchas da Renault. No caso do 400, o motor de três litros podia ser aspirado ou biturbo — e, no caso deste último, dispunha de 408 cv e 54,4 kgfm de torque para ir de zero a 100 km/h em 4,1 segundos.
Curiosamente, a maior parte dos carros era de competição — 73, no total, com cerca de 15 exemplares feitos para rodar nas ruas. A unidade à venda pela Animoya Garage, nos Estados Unidos, é um desses carros de competição.
De acordo com a loja, o carro pertenceu a um cara chamado Pierre Regnault e competiu na categoria monomarca da Venturi em 1992 e 1993. Depois disso, Regnault guardou o carro e só saía com ele para eventos de clássicos. O diferencial aqui, segundo o anúncio, é que enquanto boa parte dos 400 GT foi convertida para uso nas ruas ao longo dos anos, este exemplar em específico não passou por isso.
Se você tiver US$ 400 mil dólares sobrando e está a fim de algo completamente underground para o próximo track day, já sabe onde encontrar. (Dalmo Hernandes)
O nome desse carro não é exatamente fácil de lembrar ou de falar, mas trata-se de uma das coisas mais impressionantes já feitas com quatro rodas e um volante. O McMurtry Spéirling chamou a atenção nos últimos anos por alguns feitos nada modestos: ele simplesmente destruiu a concorrência em Goodwood ao cravar a famosa subida de montanha em absurdos 39,08 segundos, além superar o tempo do Renault R24 (o carro de Alonso e Villeneuve na temporada de 2004 da Fórmula 1) na pista de testes do Top Gear, e deixar o Mercedes-AMG One mais de 14 segundos para trás em Hockenheim