Otmar Szafnauer explicou por que decidiu trocar a Fórmula 1 pelas categorias de base após quase três anos afastado do automobilismo. Atualmente, ele ocupa os cargos de CEO e sócio-gerente da Van Amersfoort Racing.
Em entrevista exclusiva ao Motorsport Week, o dirigente afirmou nessa primeira parte que sua relação com Rafael Villagómez, proprietário da equipe, foi decisiva para aceitar o novo desafio.
“O que me atraiu na VAR foi a amizade com o proprietário. Ele é uma pessoa decente, e estou velho demais para trabalhar com gente indecente”, declarou.
Apesar de não citar nomes, a afirmação chama atenção devido às experiências recentes de Szafnauer na F1. Afinal, suas passagens pela Aston Martin e pela Alpine terminaram depois de divergências com os respectivos dirigentes.
Szafnauer iniciou sua carreira profissional na Ford Motor Company em 1986. Enquanto trabalhava como gerente de programas, também frequentou a escola de pilotagem Jim Russell e disputou provas da Fórmula Ford em 1991.
Entretanto, sua entrada na F1 aconteceu apenas em 1998. Naquele ano, ele assumiu o cargo de diretor de operações da recém-criada British American Racing.
Posteriormente, o dirigente trabalhou com a Honda antes de chegar à Force India em 2009. Ele permaneceu na estrutura durante suas transformações em Racing Point e Aston Martin.
No início de 2022, Szafnauer deixou a Aston Martin e assumiu o comando da Alpine. Contudo, sua passagem pela equipe francesa durou apenas 18 meses e terminou depois do GP da Bélgica de 2023.
Após sair da Alpine, o romeno-americano permaneceu longe do paddock até aceitar o convite da Van Amersfoort Racing. A equipe disputa atualmente a Fórmula 2, Fórmula 3, FRECA e Fórmula 4.
Szafnauer revelou que considerava abandonar definitivamente o automobilismo. Porém, a oportunidade de trabalhar com alguém em quem confiava mudou sua decisão.
Assim, resolveu aproveitar o conhecimento acumulado durante décadas para ajudar no crescimento da VAR.
Embora tenha trabalhado em organizações muito diferentes, Szafnauer acredita que todas compartilham um elemento fundamental. Segundo ele, o sucesso depende da capacidade de fazer as pessoas trabalharem juntas e na mesma direção.
Essa filosofia vale tanto para as gigantescas estruturas da F1 quanto para equipes menores das categorias de acesso. No entanto, a distribuição das funções muda de forma significativa.
Na F1, aproximadamente 90% dos funcionários trabalham no desenvolvimento do carro. Afinal, cada equipe precisa projetar e fabricar seu próprio monoposto ao longo da temporada.
Já na F2 e na F3, os competidores compram carros padronizados. Por isso, cerca de 90% dos integrantes concentram seus esforços diretamente na preparação e na operação das corridas.
Apesar dessa diferença, Szafnauer considera que o princípio permanece igual. Uma equipe só alcança resultados consistentes quando todos compreendem seus objetivos e colaboram para atingi-los.
Desde a chegada do novo CEO, a Van Amersfoort Racing caminha para sua melhor temporada na F3. Além disso, a equipe começou a apresentar resultados mais fortes na F2.
Mesmo acompanhando de perto as operações, Szafnauer procura evitar uma interferência excessiva no trabalho diário. Sua função atual se concentra principalmente no planejamento e no direcionamento da organização.
A abordagem é diferente daquela utilizada durante sua passagem pela F1. Na época, ele permanecia no pit wall, participava de todas as reuniões e acompanhava os detalhes do desenvolvimento dos carros.
Agora, Szafnauer pretende definir o caminho da equipe e permitir que seus profissionais executem o trabalho. Dessa forma, ele atua menos na rotina operacional e dedica mais tempo às decisões estratégicas