A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo gerou forte cobrança de Paulo Sérgio, ex-jogador com passagem pelo futebol alemão e ligação com o Bayer Leverkusen. Em entrevista ao Lance! durante evento do clube alemão com o projeto "Bola Pra Frente", no Rio de Janeiro, ele afirmou que o Brasil precisa de uma reformulação ampla para voltar a competir pelo hexa.

A queda da Seleção para a Noruega, nas oitavas de final, encerrou a campanha brasileira no Mundial e aumentou a pressão sobre jogadores, comissão técnica e dirigentes. Para o tetracampeão, o problema vai além do jogo que decretou a eliminação. Ele apontou falhas acumuladas no ciclo, lembrou resultados ruins recentes e disse que a expectativa criada antes da Copa escondia questões estruturais.

— Nós esquecemos que o Brasil perdeu para a Argentina duas vezes, perdeu para o Japão, perdeu para Marrocos, empatou com a Venezuela. Em prol de uma Copa do Mundo, a gente esquece, mas a realidade, infelizmente, é outra — afirmou.

Segundo ele, a Seleção não soube disputar a competição da forma necessária para avançar.

— O futebol é assim: se você não souber jogar a competição, acaba perdendo. Em 1994, nós soubemos jogar aquela Copa do Mundo e, por isso, conquistamos. Infelizmente, essa Seleção não soube jogar esta Copa — disse.

A principal cobrança de Paulo Sérgio foi por uma mudança profunda na estrutura do futebol brasileiro. Ele citou trocas de presidentes, mudanças de treinadores e falta de planejamento como fatores que ajudam a explicar o momento da Seleção.

— A desorganização que nós temos durante todo esse período, troca de presidente, troca de treinadores, isso é reflexo daquilo que vivemos no nosso país. Temos que profissionalizar, ter pessoas capacitadas. Amadorismo não vai levar o Brasil ao hexa — declarou.

O ex-jogador também apontou a formação de atletas como uma das áreas mais preocupantes. Para ele, o Brasil deixou de produzir jogadores em posições essenciais, como as laterais.

— Precisamos refletir onde está a base. Nós não conseguimos, durante todos esses anos, revelar laterais. Se todos juntos não se profissionalizarem, infelizmente vamos cair por muito mais tempo — completou.

Questionado sobre o futuro da equipe, Paulo Sérgio foi direto ao defender uma reformulação completa, inclusive no primeiro escalão de dirigentes.

Ele afirmou que jogadores experientes, como Neymar, Marquinhos e Casemiro, não devem ser tratados como culpados isolados, mas indicou que o momento exige uma mudança de rumo.

— Precisa haver uma reformulação total, desde o primeiro escalão, de dirigentes e staff. Ou você moderniza, ou entende verdadeiramente o propósito — afirmou.

Paulo Sérgio citou o exemplo da Alemanha, que passou por mudanças profundas após chegar envelhecida à Copa de 2002 e, anos depois, foi campeã mundial, em 2014.

— Esses jogadores não são culpados, esses garotos hoje não são culpados. Mas eles precisam entender que, daqui para frente, vão ter que dar mais e entender a responsabilidade de vestir a Seleção Brasileira — disse.

Um dos pontos mais comentados da eliminação foi a decisão de Vini Jr. de não assumir a cobrança de pênalti, uma das principais chances da Seleção no jogo contra a Noruega, na decisão da Copa do Mundo. A escolha ficou com Bruno Guimarães por orientação de Carlo Ancelotti, segundo foi relatado na entrevista após o jogo.

Para Paulo, em jogos decisivos, os grandes jogadores precisam chamar a responsabilidade, algo bastante questionado após a queda do Brasil.

— Eu duvido que, em um momento tão importante, se o Romário estivesse ali brigando pela artilharia da Copa, mesmo não sendo o batedor oficial, ele não pegaria a bola para bater — afirmou.

Para o ex-jogador, Vini Jr. tinha a oportunidade de assumir um papel maior dentro da Seleção.

— Era um momento do Vinícius Júnior. Um momento em que ele brigaria por uma artilharia. É isso que os grandes estão pensando: Haaland, Cristiano Ronaldo, Messi, Mbappé. Se nós não tivermos esses jogadores nas próximas seleções, vamos ficar no mesmo — analisou.

Paulo também criticou a tentativa de “robotizar” o jogador brasileiro. Na visão dele, o Brasil precisa absorver métodos europeus, mas sem abrir mão de suas características