Na Copa do Mundo de 2026, a Fifa instituiu a pausa para a hidratação, uma parada de três minutos em cada tempo como medida voltada ao bem-estar dos atletas. O intervalo passou a fazer parte de todos os jogos, independentemente do estádio, da temperatura ou da existência de cobertura.

No Brasil, a CBF havia previsto duas interrupções para reidratação nas partidas da Série A durante os primeiros meses do ano, período que abrangia o fim do verão. Depois, porém, a parada deixou de fazer parte do conjunto de mudanças incorporadas ao Brasileirão. Na 23ª rodada, disputada entre sábado (15) e segunda-feira (17), entraram em vigor novas medidas relacionadas ao comportamento dos jogadores, à arbitragem, à cera e ao VAR, enquanto a pausa obrigatória para hidratação adotada pela Fifa na Copa ficou fora do pacote brasileiro.

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Levantamento feito pelo Terra FC com alguns jogadores que disputam o Brasileirão ao qual o Lance! teve acesso exclusivo, a interrupção representa uma oportunidade concreta de recuperação em partidas cada vez mais intensas. Para outros, sua utilização precisa estar relacionada às condições climáticas, porque uma pausa também altera o ritmo da partida e pode interferir nas estratégias de quem está em campo.

Os jogadores consultados não enxergam a pausa apenas como uma oportunidade para beber água. O intervalo curto pode servir para respirar, reorganizar a equipe, ouvir o treinador e recuperar parte da energia perdida durante um jogo de alta intensidade.

— É muito importante, principalmente para escutar o treinador e descansar um pouco — declara o meio-campista Rodrigo Garro, do Corinthians.

O zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras, também destaca que o intervalo cria uma oportunidade importante de ajuste com a comissão técnica. — É bom ter alguns minutos com o treinador durante o jogo — afirma.

A própria Fifa decidiu eliminar esse critério climático na Copa do Mundo. A justificativa foi criar condições iguais para todas as partidas, evitando que uma equipe tivesse acesso a uma pausa em determinada partida por causa do calor enquanto outra não tivesse a mesma possibilidade em um jogo disputado sob temperatura mais baixa.

— Sou favorável em temperatura alta, como é no Brasil. Pelo regulamento da CBF, até 31 de março foi obrigatório em todos os jogos. Após essa data quando a temperatura atinge 28 graus tem a parada para hidratação. Domingo fiz o jogo Mirassol x Flamengo. No primeiro tempo estava 30 graus, teve a parada, no segundo tempo, a temperatura estava 25 graus, e não teve — analisa o ex-árbitro Sálvio Spínola, comentarista da Record.

A diferença em relação ao futebol brasileiro está justamente na regra que determina quando essa interrupção deve existir. Na Copa, ela foi incorporada ao desenho de todas as partidas. No Brasileirão, depois das pausas adotadas durante a primeira parte da temporada, a CBF não levou a medida para o novo conjunto de regras. A escolha cria uma situação curiosa: uma seleção que disputa o Mundial tem a garantia de uma interrupção no meio de cada tempo, enquanto um jogador que retorna ao campeonato nacional pode passar os 90 minutos sem essa possibilidade.

A observação dos dois jogadores ajuda a explicar por que a pausa ganhou uma dimensão tática. Quando a partida é interrompida, as equipes não apenas repõem líquidos. O treinador pode reorganizar posicionamentos, corrigir comportamentos e conversar com atletas que passaram boa parte do primeiro trecho do jogo sob grande esforço físico.

Para os atletas, a interrupção vai além da reposição de líquidos. Ela influencia diretamente o ritmo das partidas, a recuperação física dos jogadores e até o aspecto tático das equipes. O debate ganhou ainda mais relevância em um cenário de calor extremo e eventos climáticos cada vez mais frequentes afetando a prática esportiva.

— O calendário no Brasil é muito corrido e os jogos são cada vez mais intensos. Qualquer iniciativa para que os jogadores possam se recuperar, ainda que por alguns minutos, é válida para manter a qualidade da partida e a integridade física dos atletas — avaliou o goleiro Cleiton, do Red Bull Bragantino.

O zagueiro Bruno Leonardo, que deixou a Chapecoense no final de julho, acredita que a manutenção da pausa é uma medida de proteção física e também de qualidade do jogo.

— É totalmente necessário. Acredito que a qualidade das partidas até aumente. Tenho acompanhado que, após as paradas, os times voltam melhores fisicamente e mais organizados — diz.

As mudanças feitas nas equipes também são sentidas pelo zagueiro Marllon, do Remo. — O intuito seria a hidratação, mas os times acabam usando como parada técnica — aponta.

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A frase revela uma das características mais interessantes da discussão. Uma regra criada para atender uma necessidade fisiológica também se transforma em uma pequena janela estratégica. O jogo para, os jogadores se reúnem e os treinadores ganham um momento que normalmente não existe durante uma partida.

O volante Baralhas, do Vitória, considera a pausa importante em dias de forte calor, pois sabe que ela interfere no andamento do jogo. — Quando está muito quente, precisa parar pra hidratar. Mas, se uma equipe está melhor que a outra, a pausa dá uma esfriada e pode equilibrar a partida — comentou.

O zagueiro santista Lucas Veríssimo segue linha parecida. — Sou favorável, mas não acho que precise ser algo obrigatório em qualquer situação. Faz mais sentido em jogos com temperaturas altas — afirmou