O resgate da memória quilombola e cultural do interior de Alagoas ganhou um impulso decisivo. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE/AL) publicou parecer favorável atestando a constitucionalidade do Projeto de Lei nº 1842/2025, de autoria do deputado estadual Francisco Tenório (MDB). A matéria, que reconhece o antigo Mocambo de Osenga, situado no município de Chã Preta, como Patrimônio Cultural do Estado, já havia sido aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE/AL) e agora segue para a mesa do governador Paulo Dantas (MDB) para sanção.
A validação jurídica pela PGE/AL elimina os entraves legais e abre caminho definitivo para a oficialização do espaço no inventário cultural alagoano. O reconhecimento é visto por historiadores, ativistas e moradores como uma reparação histórica e um divisor de águas para a identidade da Zona da Mata alagoana.
O Mocambo de Osenga guarda registros fundamentais da formação social de Alagoas. Associado à rede de povoamentos e pontos de resistência que dialogavam com o ecossistema do antigo Quilombo dos Palmares, o local preserva vestígios e narrativas da luta e organização de comunidades negras na região de Chã Preta.
Para o historiador e advogado Olegário Venceslau, um dos principais defensores do resgate do sítio histórico, o parecer da PGE é motivo de celebração após anos de mobilização local: “Diversas entidades locais contribuíram para esse momento tão importante para a cultura e o turismo em Chã Preta. O parecer da PGE nos dá a certeza jurídica de que, ainda este ano, o Mocambo de Osenga ocupará o lugar que merece na história de Alagoas e do Brasil.” — Olegário Venceslau, historiador e advogado.
Venceslau destaca que a conquista transcende o aspecto simbólico, criando oportunidades concretas para o fortalecimento da identidade comunitária e para o desenvolvimento regional.
Osenga ficava entre a Serra do Cavaleiro e a Mata Limpa, no século XVII. E, funcionava como ponto estratégico de defesa e comunicação do famoso Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares. Osenga abrigava 211 negros africanos que, além de se estabelecerem em comunidade, atuavam como sentinelas e informantes. A localização privilegiada – entre o litoral e a Serra da Barriga – tornava a região um verdadeiro ponto de controle: todos que buscavam alcançar Palmares passavam primeiro por ali.
Holandeses invasores no final do século 17 na zona da mata foram os responsáveis pela dizimação do Osenga. Alguns integrantes do mocambo conseguiram, fugir. Tanto que depois alguns voltaram e hoje há seus descendentes na região