Mesmo sendo sede da Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos vivem uma realidade de baixo interesse popular pelo futebol. Barreiras culturais, a concorrência com esportes nativos e a dinâmica do jogo explicam por que o país do Super Bowl ainda trata o torneio mundial com indiferença.

A reclamação mais comum é que o esporte é 'parado demais'. Diferente do basquete ou do futebol americano, onde a pontuação é alta e o cronômetro para em qualquer interrupção, o futebol pode ter 90 minutos de jogo e terminar empatado em 0 a 0. Para o público local, acostumado a esportes de alta intensidade e ações decisivas constantes, a dinâmica do futebol é vista como monótona e pouco emocionante.

Modalidades como futebol americano, beisebol e basquete possuem raízes históricas e profundas no país. Elas são passadas de geração em geração, criando uma barreira cultural difícil de quebrar. Além disso, as ligas americanas desses esportes concentram os melhores atletas do mundo, enquanto no futebol (soccer) a liga doméstica americana ainda é vista como inferior tecnicamente em comparação aos grandes campeonatos europeus.

Em 1975, a contratação de Pelé pelo New York Cosmos transformou o futebol nos EUA. Durante a década de 70, a média de público e o tamanho da liga cresceram drasticamente. No entanto, o sucesso foi passageiro. O fracasso da época deveu-se à falta de uma estrutura de base para formar jogadores locais; a liga gastava fortunas com estrelas internacionais em fim de carreira, mas não desenvolvia talentos americanos próprios.

Os imigrantes, especialmente os latino-americanos, são o público que mais abraça o esporte. Em regiões como Texas e Flórida, times como o Inter Miami focam em marketing bilíngue e transformam as arquibancadas com festas típicas da América Latina. Nesses estádios, o espanhol se torna a língua oficial por algumas horas, criando um ambiente de fervor que destoa da frieza com que o americano médio encara a modalidade.

Diferente de sedes anteriores, como o Brasil em 2014, a Casa Branca trata a Copa como um evento comum, sem flexibilizar vistos ou protocolos. Isso gerou tensões diplomáticas, como a recusa de entrada de um árbitro somali e restrições severas à seleção do Irã, que precisa retornar ao México logo após as partidas. Além disso, revistas rigorosas até em jogadores de elite, como os do Uruguai, mostram que a segurança e o controle migratório superam o clima de festa.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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