O argentino José Luis Lanao é jornalista e ex-jogador de futebol. Há muito tempo é considerado a voz mais poderosa do país entre cronistas que escrevem sobre o que outros continuam fazendo dentro e fora do campo.
Não analisa táticas. Escreve sobre os vínculos do futebol com a vida, onde ela estiver, exposta ou escondida. É denso, literário e engajado. Publica seus textos no jornal Página 12.
Não há nada semelhante no Brasil, e o que mais se aproxima da força de Lanao é Tostão, que escreve na Folha, mas sem a mesma contundência política. Casagrande seria a sua versão boleira em vídeo no Brasil.
É dele trecho de artigo que publico abaixo sobre a fala de Messi, ao final do jogo contra a Inglaterra, oferecendo a vitória aos argentinos que não têm emprego e dinheiro para aguentar até o fim do mês.
Lionel Messi dedicated the victory against England at the #WorldCup2026 to “the people who are unemployed, who cannot make it to the end of the month, who always have to struggle.”pic.twitter.com/jgjIYf92Em
Lanao jogava futebol e ao mesmo tempo fazia militância como comunista. Ele contraria, como argentino e como ex-jogador, a tese da patrulha brasileira que decidiu carimbar Messi como alienado. Por ser desligado e até tratado de forma depreciativa como autista.
Messi não é um Lanao nem será um Maradona. Nem precisa ser. Só precisa fazer o que fez: oferecer um ato heroico ao povo e cutucar o fracasso do governo fascista de Milei.
Aqui está o trecho do artigo, com link para a íntegra logo abaixo:
“A democracia é importante demais para ser deixada exclusivamente nas mãos dos políticos. A política é assunto de todos, inclusive dos jogadores de futebol. É uma forma de encobrir a dura realidade da indiferença”.
As palavras de Messi que Milei deve ouvir – Página 12