Raphinha não poderia ter imaginado um início melhor de temporada. Em cinco partidas oficiais pelo Barcelona, o brasileiro marcou oito gols e fez uma assistência deixando, precisamente, a sua marca em todos os jogos.

O último capítulo foi justamente na estreia da Champions League, com dois gols na goleada por 5 a 1 sobre o Feyenoord. O momento ganhou contornos históricos. Raphinha tornou-se o primeiro jogador do Barcelona desde a década de 1950 a marcar nas cinco primeiras partidas oficiais de uma temporada.

Nem Lionel Messi conseguiu alcançar a marca. Mais do que isso, o brasileiro assumiu uma função diferente. Com o Barcelona sem um centroavante de referência, Raphinha vem atuando por dentro, praticamente como um camisa 9. E a resposta foi imediata: oito gols e uma assistência em cinco partidas.

A transformação não começou agora. Nas duas últimas temporadas, o brasileiro já havia terminado como um dos grandes protagonistas do Barcelona. Agora, porém, aparece ainda mais próximo do gol e lidera uma equipe que marcou 22 vezes nos cinco primeiros compromissos da temporada.

Na Champions, Raphinha também ganhou destaque histórico. Com os dois gols contra o Feyenoord, chegou a 21 pelo Barcelona na competição e igualou Neymar como quinto maior artilheiro do clube, atrás de Lionel Messi, Luís Suárez, Robert Lewandowski e Rivaldo.

E é justamente aí que está a contradição. Raphinha é um astro do Barcelona, mas ainda não conseguiu construir a mesma autoridade com a Seleção Brasileira. O balanço geral é respeitável: 40 jogos, 11 gols e oito assistências desde a estreia, em 2021.

Porém, nada próximo, aos números astronómicos que tem no time Blaugrana: 83 gols e 53 assistências em 182 jogos. O problema é que os números não contam toda a história. Nos últimos compromissos, Raphinha não conseguiu reproduzir pela Amarelinha o futebol apresentado no Barcelona.

Na Copa do Mundo de 2026, Raphinha disputou apenas dois jogos antes de sofrer uma lesão. A ausência interrompeu a sequência justamente quando buscava se firmar como uma das referências ofensivas do Brasil no Mundial.

Raphinha ainda não é unanimidade entre os torcedores brasileiros. A cobrança aumenta diante da diferença entre o desempenho no clube espanhol e o que consegue apresentar quando está à serviço da Seleção Brasileira.

Mesmo assim, Carlo Ancelotti manteve Raphinha nos planos. Na primeira convocação após a Copa do Mundo, o atacante voltou a ser chamado. Aos 29 anos, segue em alto nível no Barcelona, um dos maiores clubes do mundo.

Ancelotti não precisa olhar apenas para aquilo que Raphinha fez pela Seleção Brasileira. O italiano também observa aquilo que o atacante está fazendo semanalmente no Barcelona. E, neste momento, é difícil ignorar.

A próxima Copa do Mundo será em 2030, quando Raphinha terá 33 anos. O novo ciclo pode, portanto, representar uma das últimas oportunidades para o atacante se firmar como protagonista da seleção brasileira.

Não basta mais apresentar números extraordinários no Barcelona. Raphinha precisa transportar parte desse desempenho para a Amarelinha. Os próximos compromissos, portanto, ganham um peso diferente.

Raphinha já não precisa provar que é craque. O Barcelona mostrou isso. O que resta provar é se ele consegue ser o mesmo jogador quando veste amarelo. E, aos 29 anos, o tempo para responder começa a ficar cada vez menor.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

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