A tecnologia que o mundo inteiro se acostumou a ver na Copa do Mundo durante os últimos meses chegou ao Brasil - o Campeonato Brasileiro vai passar a contar com impedimento semiautomático a partir do próximo sábado, 25, na rodada que marca o início do segundo turno.

Anunciado pela CBF, o sistema estreia na Série A após um processo de instalação, testes e treinamento nos estádios que receberão jogos da competição. Quem acompanhou a Copa do Mundo de 2026 já viu o recurso em funcionamento, mas o sistema que será usado no Brasileirão terá diferenças importantes em relação ao modelo adotado no Mundial.

As mudanças envolvem principalmente quatro pontos: ausência de chip na bola, captação de dados, comunicação com os assistentes e forma de entrega da imagem final.

No Brasil, a tecnologia será fornecida pela Genius, empresa que também atua em competições como a Premier League, o Campeonato Mexicano e o futebol da Bélgica. Já na Copa do Mundo, o serviço foi executado em parceria entre a Fifa e a Hawk-Eye, com uso de rastreamento óptico, inteligência artificial e sensores na bola.

Apesar das diferenças, os sistemas vão atuar de forma integrada no Brasileirão, já que a Hawk-Eye já é responsável pela operação do VAR nas competições da CBF.

A principal diferença entre os dois modelos está na bola. Na Copa do Mundo, o sistema de impedimento semiautomático contava com câmeras instaladas ao redor do estádio e também com um sensor dentro da bola.

Esse chip ajudava a identificar com precisão o momento exato em que a bola era tocada pelo jogador responsável pelo passe. A partir daí, o sistema cruzava a informação com a posição dos atletas para determinar se havia impedimento.

No Brasileirão, no entanto, a tecnologia contratada pela CBF não terá chip na bola. O sistema usará entre 28 e 32 câmeras de alta resolução espalhadas por diferentes pontos do estádio. Para a Genius, o volume e a qualidade das imagens compensam a ausência do sensor.

Na Copa do Mundo, o sistema utilizava 16 câmeras por estádio, com imagens de 50 frames por segundo. No Brasileirão, serão quase o dobro de equipamentos, com captação em 4K e 100 frames por segundo.

Com isso, a tecnologia cria uma espécie de réplica digital da partida. O maior número de câmeras permite mapear melhor os jogadores, a bola e o campo, ampliando a quantidade de informações disponíveis para a análise dos lances.

A velocidade de captação das imagens reduz borrões e aumenta a precisão no momento de identificar tanto o ponto do chute quanto a posição dos atletas.

Outra diferença importante está na comunicação com os árbitros assistentes. Na Copa do Mundo, a tecnologia permitia uma orientação em tempo real aos bandeirinhas. Com a velocidade da análise, os assistentes eram comunicados rapidamente e orientados a levantar ou não a bandeira.

No Brasileirão, o procedimento será diferente. Os assistentes seguirão trabalhando sem auxílio prévio da tecnologia durante a jogada, e a marcação de campo continuará valendo até o fim do lance.

Depois disso, o impedimento semiautomático será usado para validar ou corrigir a decisão tomada em campo. Na prática, a ferramenta entrará como apoio ao VAR, e não como orientação imediata ao bandeirinha durante o desenvolvimento da jogada.

A Genius promete entregar a imagem digital final da jogada em questão de segundos, enquanto na Copa do Mundo, as transmissões e os telões dos estádios exibiam a visualização alguns minutos depois do lance, muitas vezes com a bola já em jogo novamente.

Internamente, a Hawk-Eye considera que esse intervalo estava ligado a decisões editoriais da transmissão, e não necessariamente à capacidade técnica do sistema.

No Brasileirão, a expectativa é que a imagem seja gerada rapidamentepara auxiliar a arbitragem e dar mais transparência às decisões