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Circati vem do Parma com um perfil agressivo e qualidade para titular imediato das águias. Porto pode ter feito o melhor negócio na história do clube ao vender Mora. Ainda o torneio de Cincinnati.

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Rodrigo Mora já é jogador da Roma, deixa o Futebol Clube do Porto. O Benfica está perto de garantir um defesa central e destaque para o ténis português. São os temas desta edição de "E o Campeão É". Eu sou o Miguel Cordeiro, vou conversar hoje com a Mariana Fernandes, o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Vamos começar pelo negócio de Rodrigo Mora. Sai do Futebol Clube do Porto, acordo de 25 milhões nesta transferência para a Roma, mais 2 milhões possíveis em objetivos, sendo que a Roma tem a possibilidade de comprar os restantes 50% do passe, porque compra por 25 milhões 50% do passe de Rodrigo Mora, pode comprar os restantes por mais 25 milhões. Tem de acionar essa cláusula, se não o fizer, o Futebol Clube do Porto terá também um período para poder vender o jogador na totalidade para conseguir chegar a esse valor de 50 milhões. Augusto Inácio, acabou por acontecer tudo muito rápido, desde as declarações do advogado Rodrigo Mora até esta confirmação da transferência. No final, tudo isto é um bom negócio?

Boa tarde a todos. Temos que ver as coisas de uma forma diversa. Diria que se o jogador desportivamente não conta muito para o treinador do Futebol Clube do Porto, é um ativo que está ali parado, é um ativo que está-se a desvalorizar, é um ativo que não aparece. E nesse aspecto, a cotação dele baixa drasticamente. Se olharmos para aquilo que é o momento em que o Rodrigo Mora também para si, desportivamente, que está triste, que não consegue jogar, não consegue convencer, joga numa posição que não é sua, não se adapta às ideias do Farioli. É natural que o jogador também se sinta feliz, embora seja portista, isso não está em causa, se sinta feliz para poder ir para um clube, que é um clube de renome, não é do top italiano, mas é um clube que dá garantias de poder fazer uma boa época e de poder aparecer. Gasperini, atenção, não podemos esquecer, esse grande treinador italiano esteve muitos anos na Atalanta e que fez a Atalanta crescer da maneira como cresceu, é um pedido expresso do treinador. E quando é um pedido expresso do treinador, ainda por cima, com esta experiência toda, é porque está a contar com ele para a equipa. E nesse aspecto junta-se do momento do útil ao agradável. O jogador desportivamente fica feliz e o Porto que acaba por fazer um negócio que é muito bom para um ativo que desde o ano passado não se tem valorizado.

Mariana Fernandes, é uma solução para um ativo, neste caso, que se podia tornar tóxico depois das declarações que surgiram no final da semana passada?

Eu não sei se o ativo iria tornar-se tóxico para o Futebol Clube do Porto. Eu acho que a temporada ia tornar-se tóxica para o Rodrigo Mora. A temporada passada já começou de forma acidentada, ou seja, falou-se muito, houve muito ruído sobre o facto de Rodrigo Mora ter perdido a titularidade quando chegou o Gabri Veiga, de facto ser suplente utilizado. As coisas iam tornar-se ainda mais difíceis esta temporada, a partir do momento em que se percebeu que o Porto contratou o Wang Yimbeom e que era o Wang, ou que é o Wang, que será a partir o suplente utilizado para render o Gabri Veiga, ou seja, aquela substituição que Farioli fez na larga maioria dos jogos da temporada passada, tirar Gabri Veiga e colocar Rodrigo Mora ou o inverso, mais raras vezes em algumas competições. Este ano vai ser com o Wang, portanto, o Mora dificilmente teria tempo de jogo. Eu acho que é a melhor opção desportiva para o Rodrigo Mora. Acho que é a melhor opção financeira para o Futebol Clube do Porto. Acho que os moldes do negócio são bem construídos. O Porto, no mínimo, garante desde já que vai pelo menos fazer 50 milhões de euros com o Rodrigo Mora. Ou seja, garante 25 milhões fixos, depois com aqueles mais dois em cláusulas variáveis, fica com 50% do passe, portanto, garante 50% numa futura venda ou mais 25 milhões caso a Roma queira ficar com esses 50%. Portanto, no mínimo, o Porto faz 50 milhões com o Rodrigo Mora. É, desde já, o maior negócio da história do Futebol Clube do Porto, porque se excluirmos Otávio, Éder Militão, Galeno, tantos jogadores que foram contratados e que tiveram esse investimento, Rodrigo Mora não teve esse investimento inicial, é um jogador da formação, portanto, é desde já a maior mais-valia da história do Futebol Clube do Porto. Isso é preciso não esquecer para um jogador de 19 anos que tem seis meses bons no campeonato português. Portanto, é um bom negócio financeiramente falando para o Futebol Clube do Porto. Do ponto de vista um bocadinho mais romântico, é triste para o Futebol Clube do Porto, é triste para o futebol português.

É triste para os adeptos, é triste para o Rodrigo Mora, eu acho que é até triste para o André Villas-Boas. Não acho que ele estará particularmente contente do lado financeiro, estará triste do lado desportivo. Ou seja, perder Rodrigo Mora, até para nós que vemos isto um bocadinho de fora, tão cedo, tão jovem, depois de ter dado tão pouco ainda daquilo que tinha para dar ao futebol português, é obviamente triste. Agora, eu espero que o Mora encontre obviamente o seu bom futebol. Eu espero, e concordo com o Inácio, que o Gasperini consiga retirar o melhor dele. Consigo ver o Mora a ter sucesso na Roma e no futebol italiano. E cá esperamos que na seleção nacional tivermos também os proveitos disso no futuro e nas próximas décadas. Agora, desse ponto de vista um bocadinho mais romântico, um bocadinho mais bonito, um bocadinho mais irracional, digamos assim, eu acho que é um dia triste para o futebol português, isso parece-me claro.

Gabriel Alves, a Roma é um bom local para Rodrigo Mora crescer. É um clube que nos anos recentes não tem tido propriamente a pressão de ser campeão, está um pouco afastado dessa luta, sendo que em Itália o campeonato é muito competitivo e há várias equipas que lutam pelo título, mas pode ser um bom local para o jogador português crescer?

Tem um bom treinador, um excelente treinador, talvez dos melhores da Europa e de Itália, obviamente. Gasperini, aliás, já aqui falado pela Mariana e pelo Augusto Inácio, que eu tenho vindo a dizer que é um vero italiano, um verdadeiro italiano, um verdadeiro treinador italiano, que fez crescer a Atalanta e não foi por acaso. Quando ele saiu, a Atalanta tem se vindo a esvaziar. Mas ele é, de facto, um construtor não só de uma estrutura de uma equipa, mas também de jogadores. Ele tem construído jogadores. Eu acho que o Rodri, adiantando a tudo, praticamente isso tudo que o Augusto e a Mariana disseram, eu só quero adiantar isto: é a fragrância do futebol. Rodrigo tem essa fragrância e é importante que ele tivesse saído do Futebol Clube do Porto. Se é para não ser utilizado, ok. Que vá para as mãos de um grande treinador, que faça com que essa fragrância seja uma tease no futebol e que ele possa chegar à seleção nacional. Ele é muito jovem, mas que possa chegar à seleção nacional rapidamente como um líder. Tem todas as condições para isso, porque, em cima de tudo, Rodrigo Mora tem uma coisa que me parece extremamente importante: atitude. Sabe estar e tem uma família que o soube educar.

Pedro Henriques, as tuas notas sobre este negócio em que o Futebol Clube do Porto perde um jovem talento, mas consegue um bom encaixe financeiro com um jogador que não estava propriamente a ser titular.

Usando a palavra que a Mariana usou, palavra triste, eu vou dar-lhe outro sentido. Para mim, triste não é este momento do futebol. Triste é ver o Rodrigo Mora jogar contra o Rio Ave, o seu clube a fazer cinco substituições e ele não entrar. Então é feliz, muito feliz a ida dele para Roma. Mais, não é a Roma, que até está na Champions League, é o Gasperini. Essa é que é a diferença, é ver o percurso, as apostas que ele costuma fazer, porque também trabalhou nessa área da parte da formação. E, portanto, acho que entre ter o Rodrigo Mora a fazer uma época igual à que fez a época passada, isso pra mim é que é triste. Portanto, é um momento bastante positivo. Ele ir para um clube que eu acho que vai dar muitos mais minutos, que vai dar mais oportunidades e acho que vai ser muito bom para o futebol português ter um ativo destes que estou muito convicto, se as coisas correrem bem, porque ele tem tanto talento, é quase impossível não correr bem, que ele não seja, em breve, mais um daqueles que estará na seleção. E depois, e aqui concordo com o que todos disseram, nomeadamente a Mariana, que fez essa ênfase da questão financeira, eu acho que é mesmo um grande negócio. Olhando para os números, para o dinheiro, é um grande negócio em termos financeiros. Nos tempos de hoje, que são ainda tempos dos milhões, mas a malta já está um bocadinho mais sossegadinha, estes, vamos chamar de 50 milhões, para um jogador que nem sequer entra contra o Rio Ave, acho que é um grande negócio e acho que vai ser também o renascer do Mora em termos da alegria que lhe estava a faltar. É só ver a maneira como terminou o jogo contra o Rio Ave. O foco, obviamente, em termos de câmeras, foi para o jovem, e o jovem não estava feliz. Percebia-se claramente, há daquelas coisas que não enganam. Portanto, é financeiramente bom, é pôr a jogar onde tenho quase certeza que vai ter oportunidades e prefiro isso do que estar num clube e estar em Portugal e não jogar. Isso é que me deixa triste.

Vamos falar agora do defesa central, que já está em Lisboa, Alexandro Circati. É australiano, mas esteve uma vida inteira em Itália. Começou a jogar na Austrália, mas rapidamente seguiu para o futebol italiano. Está já desde o período de juniores no Parma, é lá que tem feito carreira. Jogador que assumiu a titularidade. Já o ano passado fez 33 jogos pelo Parma e está perto de ser reforço do Benfica. Tem 22 anos, é internacional pela Austrália, esteve no mundial, já tem 17 jogos com a seleção principal. Mariana Fernandes, que jogador é este? É, de facto, um suplente ou um potencial titular do Benfica?

É um potencial titular do Benfica. Ou seja, eu acho que é o Benfica a querer ter três potenciais titulares no eixo defensivo, o que é, desde logo, algo semelhante ao que tinha na temporada passada. Porque apesar daquela luta de António Silva e Tomás Araújo pela titularidade, jogasse um ou jogasse outro, era sempre um titular que estaria a jogar, e eu acho que este ano vai repetir-se essa ideia. É um potencial jovem muito promissor. Eu estava a ler sobre ele também, uma história de vida muito engraçada, porque nasce em Itália, vai para a Austrália muito novo, porque o pai era jogador de futebol e foi para a Austrália acabar a carreira, praticamente. Portanto, ele cresce na Austrália, diz que não se sente italiano, que sempre foi australiano, apesar de ter sido ainda internacional sub-20 por Itália. Vem com 17 anos pra Europa fazer testes no Reading e no Leicester. É a altura do Brexit, portanto, eles não conseguem contratar um menor, não conseguem assinar com um menor, e ele acaba por não conseguir ficar no futebol inglês. Vai para a Itália visitar a família, que tinham deixado a Itália antes de regressar à Austrália. O pai, que tinha jogado no Parma, puxa uns cordelinhos para o filho treinar no Parma e não estar duas semanas parado, e o Parma já não o deixa fugir. Portanto, é assim que ele vai parar ao Parma. O Parma depois se cruza com o Buffon, ou seja, ele ainda partilha balneário com o Gianluigi Buffon naqueles últimos dois anos que o Buffon vai fazer de regresso ao Parma pra terminar a carreira. E ele deu uma entrevista há pouco tempo à Gazzetta dello Sport, onde diz que aprendeu muito com o Buffon, que o Buffon lhe ensinou os movimentos do Chiellini e do Barzagli. Portanto, se assim for, e se ele, de facto, vier com vídeos e pelo menos com esses ensinamentos do Buffon, do Chiellini, do Barzagli e do Bonucci, acho que é um bom indicativo pro Benfica. É uma boa contratação do Benfica. É certo que são 18 ou 20 milhões de euros, mas eu acho que é um investimento

Um jogador de 22 anos internacional. Ele fez todos os minutos pela Austrália no Campeonato do Mundo, fez os quatro jogos inteiros. Acho que é um jogador que daqui a dois, três, quatro anos, não se lesionando, mantendo boas prestações, pode perfeitamente valer mais. E sabemos que os centrais hoje em dia são jogadores muito valorizados no futebol europeu. É um jogador que vem claramente para o Benfica à procura desse primeiro trampolim, para depois saltar eventualmente para um gigante europeu. E o Benfica pode aproveitar, como já aproveitou outros. É uma boa contratação do Benfica. Tomás Araújo e Langlet terão de se pôr à prova, claramente, porque é um potencial titular.

Augusto Inácio, o que te parece também este reforço que chega ao Benfica?

O Benfica precisava de um central depois da saída de António Silva. Uma equipa como o Benfica está em tantas frentes, naturalmente que teria que contratar o mais rapidamente possível, dentro daquilo que é preço qualidade que o Benfica teria que fazer. Enquanto a Mariana estava a falar, eu estava aqui a pensar que talvez este negócio fosse mais depressa agilizado depois do jogo entre o Casa Pia e o Benfica. Como sabe, o maior acionista do Casa Pia é também dono do Parma e provavelmente, digo eu, talvez esteja a especular, talvez aí tivesse acelerado essa possibilidade.

Exatamente. E talvez por isso ele tivesse já referenciado, entre outros nomes, esse jogador, e naturalmente que as coisas aconteceram mais rápido do que se calhar aquilo que se estava a pensar. Eu diria, também estive a tirar informações, é um jogador que realmente há uns anos atrás foi operado a um ligamento cruzado, conseguiu recuperar bem, fez uma época inteira no ano passado em que foi titularíssimo da equipa do Parma. E é um jogador que também joga numa linha A4, ou seja, com dois centrais, também joga na direita e também joga na esquerda. Joga mais pela direita, mas também pelo lado esquerdo, já fez muitos jogos pelo lado esquerdo. Há ali uma certa polivalência. E como a época é longa e como Tomás Araújo muitas vezes fisicamente às vezes quebra, o Benfica tem ali sempre a possibilidade de ter um jogador mais robusto nesse sentido. Além disso, o Benfica ganha também mais agressividade defensivamente e nas bolas paradas também. Era um jogador que fazia falta ao Benfica e sinceramente, olhando para o perfil do Tomás Araújo e do Langlet, que são mais soft, são mais pézinhos de lã, ao contrário deste jogador, eu acho que este jogador tira uma grande vantagem e acho que vai ser titular do Benfica. Quem sai depois do Benfica, não sei.

Vamos ver que decisões toma Marco Silva. Para já, aguarda-se também a oficialização deste negócio com o defesa central Alexander Skirati, já em Lisboa. Vamos às notas de campeão. Gabriel Alves, começa desse lado.

Olha, eu só começo por lembrar que a Parmalat patrocinou o Benfica aqui há uns anos. Será que está de volta? Bom, fica assim. Quanto ao jogador, o Benfica precisava de um central para ser fixo neste momento, um central que comandasse. Este é uma promessa. Estou de acordo com o Inácio e com a Mariana Fernandes. Quanto à minha nota, claro que vai para os tenistas Nuno Borges e Jaime Ferreira, vão para ela, porque de facto estão a fazer aquilo em Cincinnati, estão a dar show. E lembrar, podem chegar hoje aos quartos de final, depois das 19h, não se esquecer isso, para quem gosta de ténis e quem seja curioso também que esteja atento, naturalmente. A verdade é que há tanta coisa no desporto português que vai acontecendo aqui, ali, acolá, em termos de modalidades, mas é tudo assim. Por que não se agarra e não se tem uma ideia de base para que haja mais desporto, mais conteúdo, mais valores, mais quantidade na qualidade que é importantíssima? Portanto, para eles, Nuno Borges e Jaime Ferreira, 17