Desfalcado (Yuri Alberto e Ranieli fazem muita falta), operado pelo apito, com salários atrasados e uma diretoria omissa até nos bastidores a ponto de permitir uma escala de arbitragem caseiraça, Corinthians arranca empate na Argentina e volta a São Paulo em condições de avançar às semifinais da Libertadores.
O Corinthians, que passou pelo Rosario Central sem levar gols nos 180 minutos das oitavas de final (0 a 0 e 1 a 0), não resistiu nem 4 minutos à operação comandada por Esteban Ostojich em La Plata.
Hugo Souza , um dos três convocados por Ancelotti ( leia aqui sobre a convocação da Seleção com Hugo Souza, Bidon e Matheuzinho), até evitou o gol na cabeçada de Guido Carrillo, mas, no rebote, Alexis Castro fez a festa da fanática torcida argentina.
O detalhe, registrado em HD por todos os ângulos, é que Gustavo Henrique sofreu uma falta escandalosa fora do lance, o que no judô é conhecido por ippon, mas o caseiro soprador de apito Esteban Ostojich ignorou. E o cúmplice Antonio García, operador do VAR, não chamou o juiz para corrigir o erro crasso. Teve falta também em Garro e no Bidon no lance, quase um lance de boliche, mas a infração clamorosa em Gustavo Henrique foi a mais inacreditável que tenha sido ignorada.
Aliás, reitero o que sempre digo desde que o apito de vídeo foi, tragicamente, implementado: o VAR é um lixo completo e quem defende essa aberração é cúmplice da operação lesa-futebol!
Não aconteceu mais nada no primeiro tempo. Nem para o Corinthians, nem para os mandantes. Como o Estudiantes não apareceu mais no ataque, a arbitragem teve que encerrar a etapa com o 1 a 0 parcial.
No segundo tempo, o apito continuou jogando contra o Corinthians e não expulsou Guido Carrillo, que deu uma cotovelada na cara de Gabriel Paulista.
Mesmo sendo operado, o Corinthians, com a mesma rapidez que foi vazado na primeira etapa, igualou: Garro, no primeiro acerto de passe dos últimos 818 meses, colocou Kaio César na cara do gol: 1 a 1.
O gol de Kaio César encerrou um longo jejum: desde o gol de Romarinho em La Bombonera, na ida das finais da Libertadores 2012, que o Corinthians não marcava como visitante em um mata-mata da Libertadores!
O Corinthians foi ligeiramente superior no segundo tempo, apesar de jogar contra o adversário e o apito, mas a sensação de que o 1 a 1 prevaleceria virou certeza quando Pedro Raul entrou em campo.
Nos acréscimos, Hugo Souza ainda fez uma defesaça para justificar a sua convocação à Seleção Brasileira.
Novo empate, na Neo Química Arena, leva a decisão para os pênaltis, o que não chega a ser mau negócio para quem tem Hugo Souza. Quem vencer classifica e pega o favorito Flamengo (ou o Independiente del Valle) nas semifinais.
O Coletivo Democracia Corinthiana, que já havia se posicionado _ leia aqui _ de forma contrária ao pedido de "Intervenção Já" no Corinthians defendida pela Gaviões da Fiel, publicou nota oficial repudiando a posição do presidente da principal uniformizada alvinegra, Alexandre Domenico Pereira, o Alê, que apoia publicamente um candidato do PL (partido dos Bolsonaros, pai e filhos) para Deputado Estadual.
Um post compartilhado por Coletivo Democracia Corinthiana (@cdc_democracia_corinthiana)
O candidato em questão é irmão de Diguinho, ex-presidente da Gaviões, o que, óbvio, não justifica o apoio a quem está do lado oposto à civilização.
Reproduzo a nota do CDC porque concordo 818% com o coletivo e faço questão também de registrar a minha decepção total com a posição do presidente da Gaviões da Fiel, ainda que seja, menos mal, a posição individual e não a posição institucional da torcida.
Vale registrar que a Gaviões da Fiel, como torcida, apoiou de forma oficial e declarada Augusto Melo a presidente do Corinthians: viva a memória!
Eu, Vitor Guedes, admiro a Gaviões da Fiel fundada por Flávio La Selva em 1º de julho de 1969, torcida que nasceu para lutar contra a ditadura do canalha Wadhi Helu, no Corinthians, e que, na origem, também se posicionou do lado certo da história, contra a abjeta ditadura militar e pediu anistia geral e irrestrita nos anos de chumbo.
Como qualquer pessoa, incluindo o presidente da Gaviões, tem o direito de apoiar quem quer que seja, eu, cidadão Vitor Guedes, também tenho, democraticamente, o direito de registrar o meu total desprezo pelo seu posicionamento.
E acrescento: a partir do momento em que uma pessoa (qualquer pessoa, presidente da Gaviões da Fiel incluso) apoia quem está do lado oposto da civilização e expressa a apoio a um candidato que representa um partido que defende todos os valores que abomino, desprezo e tenho nojo, nada do que ele diz ou defende tem mais valor. Só acredito em alguém 100% antifascista