O futebol brasileiro vive dias de penúria. Exceto Flamengo e Palmeiras, praticamente todos os times da Série A são assombrados por dívidas.

Gestões desastrosas são responsáveis por este estado de coisas. Foi o que transformou, por exemplo, o São Paulo em um clube de segunda categoria depois de passar anos ostentando a fama de clube mais organizado do país.

Evidentemente este não foi um processo que aconteceu do dia para a noite, mas ano a ano. Mas há um agente muitas vezes esquecido. Sua responsabilidade não é pequena neste processo. Falo dos treinadores.

Muito bem pagos para desenvolverem seus trabalhos, eles parecem viver em um mundo particular dentro dos clubes, como se os problemas financeiros não fossem também problema deles.

Semana passada o torcedor corintiano comemorou a permanência de Memphis Depay no clube que deve algo perto de R$ 3 bilhões. Neste processo maluco apoiado fortemente pela torcida, o treinador Fernando Diniz foi peça importante. Ele sempre que perguntado ressaltou a importância de ter o holandês com contrato renovado, ignorando todo o pacote que o jogador impõe para os cofres corintianos.

Esta semana, Dorival Júnior pediu reforços para a diretoria do São Paulo. Isso pouco depois de sair a notícia de que os jogadores que lá estão vivem com salários atrasados. O clube não tem a menor ideia de como sair do buraco financeiro que se encontra, mas o treinador se sente à vontade para pedir um centroavante e um meia. Como se fosse a ausência destes dois reforços o motivo de o time ter 14% de aproveitamento com Dorival no comando.

Passou da hora de os treinadores entenderem que seus trabalhos não são células isoladas dentro de um clube. Muito bem pagos via de regra, os professores precisam aprender a trabalhar na adversidade e com o que têm em mãos.

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