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A fase regular da prova garante milhões aos três maiores clubes nacionais. Mas a falta de centralização dos direitos de transmissão pode criar um fosso desportivo ainda maior?

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A quinta jornada da Liga Portuguesa só termina mais logo com o Estoril Arouca e dos jogos de ontem, destaque para o Santa Clara. Venceu o Rio Ave por 4 x 0 e já está no terceiro lugar do campeonato. Ótimo arranque da equipa dos Açores. Amanhã regressa à Champions League com um Porto, Manchester City e também um muito interessante para José Mourinho, Real Madrid, Inter de Milão. Lá por fora, em Itália, o Milan de Mourinho empatou na casa da Juventus e a Fiorentina de Beto, João Mário e Pedro Gonçalves vai mudar de treinador. Sai Fabio Grosso, deve chegar Paolo Vanoli, que orientou precisamente a Fiorentina no ano passado. Até se falou do interesse de Sérgio Conceição para orientar a Fiorentina, mas parece que será Paolo Vanoli o próximo treinador da equipa de Florença. Ainda temos também no menu a vitória do Benfica frente ao Futebol Clube do Porto na Supertaça Feminina. Para olharmos para a atualidade desportiva, tenho hoje comigo Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques. Augusto, muito boa tarde. Bem-vindo à edição de hoje de "O Campeão É". Que resumo podemos fazer desta quinta jornada, onde os três grandes venceram? O Braga também venceu, mas temos aqui um Santa Clara que está a dar nas vistas neste início de campeonato.

Boa tarde a todos. E até é um destaque meu do campeão, mas já lá vamos. Diria que os grandes ganharam com alguma facilidade. Acho que o Benfica fez o jogo possível num relvado complicado como é o do Marítimo. Embora o adversário já seja complicado, o relvado também foi uma complicação, mas o Benfica ganha e tem uma vitória muito boa. O Porto teve mais dificuldades em ganhar ao Moreirense, mas conseguiu ganhar e somar a quinta vitória consecutiva. E o Sporting também jogou não muito bem durante os 90 minutos, mas jogou o suficiente, mais do que o suficiente, para ter um resultado ainda mais dilatado do que aquele que conseguiu. Diria também que há que destacar a vitória do Académico de Viseu no Gil Vicente. Acho que é uma vitória importante, a primeira vitória de uma equipa que vem da segunda divisão e em Barcelos nunca é fácil. Diria também que o Vitória Sport Clube, o Vitória de Guimarães, não consegue materializar as constantes oportunidades de gol que consegue criar e não consegue marcar. Empatou com o Casa Pia, que ainda não marcou nenhum gol esta temporada, mas somou o primeiro ponto ontem em Guimarães. E diria que realmente o Santa Clara continua em grande, 4 x 0 ao Rio Ave, de uma forma que eu diria, sem dúvidas nenhumas, como costumo dizer, sem espinhas, e está a dois pontos do segundo classificado e a quatro pontos do primeiro classificado. Diria, pois, que as coisas ainda estão no início. Já não estão no início, porque já passaram cinco jornadas, mas começa a haver aqui equipas a destacarem e os grandes, claramente, que vai ser entre eles que vai haver o olhar total. Diria que o Porto está muito bem, sofreu o primeiro gol, mas o que é certo é que o Porto somou a quinta vitória e lá está o Benfica atrás do Porto e o Sporting, o Benfica com um jogo a menos, mas vai ser uma luta tremenda entre os três, porque eu reconheço que entre os três grandes, nenhuma é muito mais superior do que a outra. Acho que têm os três argumentos pra pensar em serem campeões.

Pedro Henriques, achas que neste ano vamos ver um fosso ainda maior entre estes três grandes? Já que abordamos também no "Campeão" o investimento todo que foi feito, tendo em conta também os lugares de Liga dos Campeões para as equipes nacionais durante a próxima temporada. Haverá aqui um fosso ainda maior nesta edição da Liga?

Boa tarde. Eu penso que sim. Fica a dúvida só de tentar perceber o que é que o Braga pode fazer. Eu recordo que este é o ano em que vão três equipes à Liga dos Campeões, embora não seja tudo direto, mas há sempre a grande probabilidade, pelo menos de estarem naquilo que são os mata-matas para depois poderem chegar à fase de grupos. E por isso, eu acho que as equipes portuguesas, nomeadamente os três grandes, também se precaveram e prepararam, não só porque querem ser campeões. O Porto quer ser bicampeão e manteve a estrutura, o Benfica, mais uma daquelas reestruturações e remodelações, mas parece que agora num caminho mais assertivo, e o Sporting também com uma reestruturação completamente fora do normal relativamente às últimas épocas, mas também tudo feito de forma pensada. Portanto, querem ser campeões e ao reforçarem-se para isso, obviamente que também cavaram um fosso maior para as restantes equipes. Falta agora só saber o seguinte, e já falamos nisso aqui várias vezes: quando o Benfica, o Porto e o Sporting, e agora até o Natal vai acontecer muito isso, começarem a jogar praticamente três ou quatro em quatro dias, eu penso que é aí que depois as ditas equipes mais pequenas aproximam-se um bocadinho mais naquilo que é o desgaste físico e psicológico, e muitas vezes aquela coisa do chip, mudar o chip ou não, e as equipes mais pequenas podem se aproximar e criar um grau de dificuldade maior. Agora, isto também tem a ver com dinheiro, tem a ver com o fato de sermos o único país europeu, pelo menos das principais ligas, que não tem direito centralizado de televisão, e isso faz com que os mais ricos sejam mais ricos e os mais pobres sejam mais pobres. Termino com isto, do fim de semana, o Sporting seguro, muito seguro, no meu ponto de vista, e com o tal sorriso do Suárez. O Benfica, uma vitória muito clara num autêntico batatal, e o Porto muito pragmático. Certo, sofreu o primeiro gol, mas foi o primeiro gol à quinta jornada. E se metemos aqui a Supertaça, até são mais do que cinco jogos. E de destacar daquilo que é o Futebol Clube do Porto, além do pragmatismo, a sua principal arma do ano passado e que continua, pra já, a dar cartas, que é a solidez defensiva.

Gabriel Alves, concordas com esta análise? Estes três grandes estão renhidos, apesar de um início se calhar não tão positivo para o Sporting, vêm crescendo. O Benfica também começou a época muito cedo, mas tem dado boa conta de si nesta liga, e o Futebol Clube do Porto, que tem aquela muralha defensiva que continua a fazer dele, se calhar, ainda um favorito para a reconquista desta liga portuguesa.

Prognósticos, como dizia o capitão do Porto, João Pinto, são no fim. Mas vai ser um campeonato entre os três bastante renhido. Tudo depende também daquilo que as restantes equipas que tiverem capacidade de oposição ao Porto, Sporting e Benfica, independentemente dos jogos entre si, que eles vão ter que disputar e, portanto, quem mais jogos ganhar, obviamente terá naturalmente mais ascendente. Mas vamos ver que pontos é que Porto, Sporting e Benfica perdem fora de casa, por exemplo, ou são surpreendidos em casa. Olha, o Benfica já foi com dois pontos pelo Académico de Viseu. Tudo pode acontecer. Vai ser um campeonato à medida daquilo que é normal em Portugal. Porto, Sporting, Benfica, eu estou a dar pela classificação da época passada, mas são estes três e há aqui uma palavrinha que o Braga obviamente pode dar. Eu penso que o Braga está sempre nesta chama, mas obviamente que tem outros objetivos também em mão. E a verdade é que o Braga tem vindo a desenvolver a sua atividade desportiva, a sua estrutura desportiva e naturalmente que sendo sempre o quarto e sempre um candidato, vai lá chegar e não chega. A verdade é que está solidificado, em termos da região, com uma estrutura que é bem conseguida e tudo isso custa naturalmente dinheiro, que tem uma boa gestão naquilo que é a sua corrente de compra, venda, venda, compra, e tem tido ao longo dos anos, pelo menos, uma determinada estabilidade. Há aqui uma surpresa para mim. Nesta jornada, o Gil Vicente, pensei que podia ser mais, mas também há aqui uma verdade: é que por tu seres melhor, por tu teres mais dinheiro e teres melhores jogadores, não é por isso que vais ganhar os jogos todos, não só aqui em Portugal como aí por essa Europa fora. Portanto, as surpresas acontecem, porque eu continuo a dizer, os jogos ganham-se nos 90 minutos, ganham-se portanto na relva. E não é por tu seres um jogador ou teres um jogador que custa 125 milhões ou 200, que vais ganhar os jogos todos. Basta olhar para aquilo que se passou na Europa este fim de semana.

Augusto Inácio, já tivemos aqui nos últimos minutos a antevisão desse Porto-Manchester City, com Francesco Farioli e Diogo Costa a falarem com os jornalistas. Ainda assim, o Porto parte para este embate, para este regresso também à Liga dos Campeões, sem Bednarek para dois jogos, este do Manchester City e o do Betis. Só volta frente ao PSV, porque tem de cumprir dois jogos de castigo devido a um vermelho que recebeu num jogo contra o Nottingham Forest na temporada passada, e sem Frold, vítima dessa lesão no jogo do fim de semana e de um protocolo da UEFA que o impede de ir a jogo.

É verdade. O jogo já era difícil com o Bednarek e Frold na equipa. Sem eles dois, as coisas tornam-se ainda mais complicadas. Mas os jogos de Liga dos Campeões têm uma atmosfera diferente, têm uma abordagem diferente, diria eu, porque o Porto sente o perigo, que pode perder o jogo com o Manchester City. E nessas circunstâncias é quando os jogadores se unem mais no sentido da entreajuda, do espírito de sacrifício estarem presentes, além da combatividade, da intensidade, tudo isso. Há um laço solidário, depois, neste tipo de jogos, que é para dizer que se calhar somos menos fortes, mas conseguimos bater-nos com os maiores. Eu acho que essa perspectiva pode dar ali sim um ânimo muito grande também à equipa do Porto. É verdade que joga no Dragão, joga em casa. O City é aquilo que toda a gente sabe, não é aquela equipa que já foi outrora. Acho que é uma equipa que o Porto, se estiver nos seus dias defensivos bons como tem estado, mas acima de tudo com se calhar uma outra capacidade de rapidez de chegar à frente, eu acho que o Porto pode surpreender este Manchester City. Mas claro, essas duas unidades e principalmente o Bednarek na defesa, é um esteio, é o capitão. O Porto vai ter que fazer ali alguma mudança. Não sei quais são, o Pedro Henriques é que sabe, vai dizer a equipa, provavelmente amanhã, digo eu, mas diria que ali do lado central da defesa do Porto, há ali um problema que tem que ser colmatado. E depois, para o lado do Frold, que o Porto joga com mais um jogador em campo e sem o Frold, se calhar, vai jogar com 11 jogadores. Quer dizer com isso que o Frold vale por dois, porque ele realmente corre muito, trabalha muito pra equipa e é um jogador fundamental. Por isso, mesmo sem esses dois jogadores, vai ser um jogo difícil, claro, mas o Porto pode pelo menos não perder o jogo no Dragão.

Pedro Henriques, teoricamente, a primeira jornada é a melhor jornada para perder pontos, já que o Porto joga frente a este todo-poderoso City, que também deverá ser o mais difícil adversário que tem na sua Liga dos Campeões.

Sim, aparentemente, em teoria, sim. O clube mais conceituado daqueles oito que o Futebol Clube do Porto tem que defrontar. Mas eu recordo que jogar fora também acrescenta sempre um grau de dificuldade e nesses jogos da Champions League, isso torna-se um fator importante. Por isso os jogos em que o Porto tem que ir fora, esses jogos, mesmo com adversários inferiores ao City, são jogos mais difíceis, nessa perspectiva. Mas, por outro lado, em oposição, o Futebol Clube do Porto vai contar com a sua massa associativa, com os seus adeptos, e isso pode ser um fator de maior equilíbrio naquilo que aparentemente nós olhamos e dizemos: "Não, o City parte aqui à frente ou com algum favoritismo". E, portanto, o Porto vai realmente ter o seu jogo aparentemente mais complicado, mais difícil. Eu olho para o grupo em si, ainda falta muita coisa a acontecer e os contextos depois de cada um dos jogos vai determinar muita coisa, mas olho para o grupo em si e vejo o Futebol Clube do Porto com fortes probabilidades de fazer pontos suficientes para ficar nos oito primeiros lugares, o que daria um acesso direto. Agora há aqui duas baixas que são relevantes e importantes. O Augusto Inácio já as referiu aqui, o tal defesa central que dá a tal segurança defensiva do Futebol Clube do Porto que tanto falamos e, como agora usando aqui uma expressão do Gabriel Alves, o homem da casa das máquinas, que é um faz tudo e que realmente dá um grande pulmão, que é o Frewell, e que está de fora. Vamos ver como o Porto também se consegue adaptar e isto também vai ser um bom indicador da profundidade do plantel do Futebol Clube do Porto, que o ano passado resultou, os tais mete sete, tira sete, mas é na Liga Europa. Agora aqui o contexto é diferente. Vamos ver. Estou esperançado que o Porto, pelo menos, não perca.

E Gabriel, também expectante para esse Real Madrid e Inter de Milão. José Mourinho vai defrontar uma equipa pela qual já conquistou esta Liga dos Campeões.

Olha, tem que fazer bastante mais do que o bando que ele treina fez frente ao Betis. Porque olhando o Real Madrid e olhando o Barcelona, um é uma equipa, o outro continua a ser mais do mesmo.

Barcelona deu cinco ao Valência, já é líder da La Liga.

Sim, mas o problema não é os cinco, mas como aquela máquina funciona. Tem aviões, tem maestros de orquestra, tem carregadores de piano, tem guarda-fato, o treinador olha para o guarda-fato e se precisa para o meio-campo, para a casa das máquinas, tem. Se precisa para a defesa, para o Trate, tem. Se precisa para a baliza, tem. Se precisa para o ataque, tem. E dizia-se: pronto, foi o Lewandowski embora, foi o Ferran Torres embora. Olha, o Rafinha, que já foi esquerda, já foi direita, agora é avançado centro, leva seis gols. Não acontecia nestas primeiras jornadas no Barça e na Liga Espanhola, um jogador ter tantos gols à partida no Barça desde a época com o Messi em 12/13 ou 13/14. Portanto, vê tu aquilo que é este Barcelona, que tem um treinador que naturalmente está feliz e é líder. Líder acima de tudo, com base na pedreira, independentemente do Barcelona ter gasto 145 milhões e o Real Madrid para aí 200, quase muito próximo dos 300 milhões. Eu vi o jogo entre o Inter e o Nápoles e quero te dizer que este Inter fez uma remontada, é uma equipa unida, coesa, equipa. Esta é que é a verdade. Foi o melhor que lhe podia ter acontecido antes de defrontar o Real Madrid em San Martin e de reconhecer que eles estão bem. São os dados da história que não vence ali há 59 anos. Vai fazer tudo para isso. Quanto a Mourinho, tem que ganhar o jogo, porque está tudo de holofotes nele.

Olha, eu vou dar o meu campeão de hoje, para já vou dar um aqui em Portugal, àquele gol do Preste e o terceiro gol, que é de facto uma obra de arte. Magnífico. Portanto, o jogador está em grande forma e é espetáculo, é o gáudio, é daqueles gols que a gente levanta-se da bancada para aplaudir. Portanto, por tudo o que ele tem feito, vou lhe dar 18. Essa é a minha primeira nota. A minha segunda nota é para a equipa do Barcelona, por tudo que está a fazer, pela forma como, e eu ontem fiz o jogo frente ao Valência, portanto também eu vou lhe dar 17. Vamos esperar os andamentos. Mas na Itália, aparte o campeonato, eu vou deixar a Fiorentina, queria-se falar, é o lanterna vermelha, muda de treinador, vai buscar o do ano passado, que vai encontrar só seis jogadores que tinha, não escolheu nenhuns destes. Portanto, vamos ver. Acho que há ali na estrutura muita coisa que se calhar era melhor contada, até a própria imprensa italiana está falando disso. Mas vou dar a minha nota à Roma. Grande jogo, mas grande jogo.

Uma remontada, mas nos últimos minutos da partida, depois de uma exibição colossal do guarda-redes contrário. Foi de facto uma maravilha de jogo, de tudo. Também tive o grato prazer, privilégio, de o fazer. Mas tenho mais. O Como só me segue. Quatro a um ao Genova. Olha, aquilo é chapa quatro. Vem por aí fora o Como do tal Fabregas. E vou dar aqui, portanto, também estou a dar 18, e vou dar aqui uma nota de chamada de atenção para uma equipa que subiu depois de oito anos fora. Chama-se Deportivo de La Coruña. Tem como gestão La Banca, um banco. É um banco que está a gerir aquilo. É do banco. Os bancos não têm pressa. A verdade é que foi buscar cinco jogadores, gastou volta de 25 milhões em cinco milhões, e foi buscar um jogador de 37 anos, Abdou Mayanga, que já leva cinco ou seis gols, e foi buscar outro, Angelino, para a retaguarda de 29 anos. Eles sabem o que estão a fazer. Contem com eles dentro de três, quatro anos.

Temos de avançar. Augusto Inácio, o teu campeão de hoje?