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Suécia durou até à paragem para hidratação, França ligou o "rolo compressor" – e foi um amasso a sério. O que explica outro jogo de gala? Em grande parte, aquilo que se viu após o primeiro golo (3-0).
▲Kylian Mbappé marcou o primeiro golo em cima do intervalo e foi dedicar o momento ao técnico Didier Deschamps, que perdeu a mãe na semana passada
Era uma fórmula quase típica de Football Manager, aquele jogo virtual que nos faz a todos achar que somos os melhores treinadores do mundo porque vemos aquilo que mais ninguém vê: troca-se um central, mexe-se no lateral esquerdo, roda-se um dos médios centrais, opta-se por um ou outro avançado para andar mais pela esquerda. Ao contrário da Argentina, campeã mundial em título que constrói tudo em torno de Lionel Messi, a França tem uma profundidade de opções que lhe permite gerir como quiser e quando quiser qualquer compromisso neste Mundial de 2026 sem perder qualidade ou objetividade. Agora, e mais uma vez, não seria diferente. Aliás, a única diferença depois da goleada frente à Noruega, que teve Ousmane Dembélé como principal protagonista com um hat-trick em 32 minutos, foi mesmo o regresso de Didier Deschamps.
A França marcou sempre 3 ou mais golos nos 4 jogos disputados nesta edição do Campeonato do Mundo ????⚽
???? É a primeira vez que a seleção gaulesa consegue este feito:
3-1 vs Senegal3-0 vs Iraque4-1 vs Noruega3-0 vs Suécia pic.twitter.com/thJv4LO7QY
Depois da morte da mãe, o selecionador francês deslocou-se ao funeral e deixou a equipa (bem) entregue ao seu adjunto de sempre, Guy Stéphan. Agora, de volta ao banco, a fórmula foi a mesma: Lucas Digne entrou no lugar de Théo Hernández (o mais “discreto” na última partida), Saliba voltou ao eixo central por troca com Lacroix, Rabiot voltou ao meio-campo para a vaga de um Koné que não merecia sair pelas boas exibições que teve, Barcola rendeu mais uma vez Doué na frente de ataque com as outras três posições cativas. “A Suécia é uma equipa sólida, que tem muito o foco nos três avançados. Os clubes investiram muito dinheiro para terem esses jogadores porque são muito bons, rápidos e fortes principalmente nos contra-ataques”, advertia Deschamps, recordando os muitos milhões investidos em Alexander Isak, Gyökeres e Elanga.
Again and again ????#FIFAWorldCup pic.twitter.com/McMG3YjW8h
Do lado contrário, Graham Potter sabia que tinha um problema – até mesmo as principais referências não tinham feito os melhores jogos em termos coletivos no Mundial. Não é fácil montar uma equipa que consiga ser coesa e competitiva tendo três jogadores com aquelas características na frente mas essas dificuldades são também um espelho de uma Suécia que está longe de tempos áureos num passado recente (Ibrahimovic, por exemplo, tinha mais equipa do que se vê no cenário ideal). Era por isso que, depois das experiências a atuar apenas de acordo com a sua ideia de jogo (que correu muito bem com a Tunísia, que correu muito mal com os Países Baixos), o duelo com o Japão mostrara uma formação sueca a tentar encaixar no adversário para a partir daí tentar potenciar os seus pontos fortes. Na teoria, era o plano. Na prática, foi apenas um plano. E aquele “Finals Day” que surgia nas redes sociais antes do jogo começava a soar já a um… “Final Day”.
Slutspelsdags ????#FIFAWorldCup pic.twitter.com/wawlWcxkw1
O encontro até começou com um remate fraco e à figura de Isak para defesa de Mike Maignan (3′) mas, aos poucos, a França foi assumindo o comando da partida com Jacob Widell Zetterstrom a assumir-se como a principal figura dos escandinavos, travando as tentativas de Lucas Digne (15′) e Kylian Mbappé, que ainda marcou isolado após um erro na primeira fase de construção sueca mas estava em posição irregular. Mais uma vez, e à semelhança do que tem acontecido em muitos encontros, a paragem para hidratação acabou por ser também uma mudança daquilo que estava a ser a história do jogo. É certo que, em quase 80% dos casos, quem está por baixo consegue equilibrar a partida e quem está a ser claramente superior passa a ter outra oposição do adversário. Aqui, no entanto, foram os gauleses que ligaram a sério o “rolo compressor”.
Rabiot ainda teve um remate cruzado na área após assistência de Mbappé que voltou a ser travado com o pé por Zetterstrom mas era hora do tiro aos ferros, com uma jogada trabalhada na direita por Dembélé e Jules Koundé a terminar com um passe ao segundo poste para o remate ao poste de Kylian Mbappé (32′) e uma tentativa de pontapé de moinho todo no ar de pé esquerdo de Michael Olise que bateu no poste (42′). As oportunidades eram mais do que muitas, com Zetterstrom a adiar ainda o golo que Olise tanto mereceu com mais uma grande intervenção com a ponta dos dedos a desviar para canto, e o golo lá acabou por surgir em cima do intervalo, com Olise e Dembélé a trabalharem um canto na esquerda, o passe a entrar em Mbappé e o remate ao poste contrário a não dar hipóteses (45′). Aí, três imagens resumiram o que é esta França: aquela corrida do capitão e dos restantes jogadores para dedicarem o momento a Didier Deschamps, a forma como Dembélé agarrou Mbappé depois do remate quando podia ter feito a assistência e a maneira como Mbappé e Olise pressionaram sem bola na frente na jogada seguinte. Este é o segredo – eles são uma equipa.
Olise ficou a centímetros de um golaço ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia pic.twitter.com/vyaWO5eolc
Mbappé adiantou a França em cima do intervalo ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia #betano pic.twitter.com/ZPcIq1ZCFA
INTERVALO ⏱️[ ???????? França 1-0 Suécia ???????? ]
???? A França continua a esmagar na produção ofensiva, mesmo quando desperdiça: duas bolas aos ferros, defesas de Zetterstrom, mas Mbappé acabou por aparecer ainda antes do descanso, a dar uma vantagem justificada aos gauleses
A Suécia via a barreira defensiva cair em cima do descanso, num dos muitos momentos em que se perdeu na orientação das linhas em zona de pressão e deixou demasiado espaço para quem não pode ter sequer uma “nesga”. Aconteceu uma vez, duas vezes, variadas vezes. E, quando voltou a acontecer no arranque do jogo após o intervalo, acabou por sentenciar a partida: Tchouaméni recuperou e deu em Olise, o ala do Bayern, que voltou a jogar mais no meio, teve todo o espaço para receber, rodar e pensar o jogo de frente e voltou a ter uma assistência sublime para isolar Barcola para o 2-0 (53′). Até ao final, o encontro teve ainda mais sentido único, com Olise a ver por mais duas ocasiões o golo a ser negado pelo gigante Zetterstrom antes de fazer mais uma assistência só ao alcance dos melhores para Mbappé bisar para o 3-0 (74′). Viktor Gyökeres ainda obrigou Mike Maignan a uma defesa mais apertada mas a história do jogo estava contada.
Olise descobriu Barcola para o segundo dos Bleus ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia #betano pic.twitter.com/gLXP44Z6E0
Mais uma bola com olhos de Olise para mais um golo de Mbappé ????♂️#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia #betano pic.twitter.com/t9rCkbHAxr