Temos uma boa notícia nesta edição. Em meio à mobilização provocada pela Copa do Mundo, quando as atenções dos brasileiros naturalmente se voltam para os grandes palcos do futebol internacional, é importante também olhar para o que acontece dentro de casa.
E, em Mato Grosso do Sul, poucas notícias são tão animadoras quanto a confirmação de que o Estádio Morenão ganhará um novo gramado e deverá voltar a receber partidas oficiais a partir de 2027.
O anúncio representa muito mais do que a recuperação de um campo de futebol, simboliza a possibilidade de resgatar uma estrutura que, durante décadas, foi referência para o esporte sul-mato-grossense e que, por muito tempo, permaneceu abandonada.
Era inconcebível que Campo Grande, uma capital com mais de 900 mil habitantes, não dispusesse de um estádio central com dimensões oficiais e condições mínimas para sediar competições nacionais.
É verdade que, nos últimos anos, o Estádio Jacques da Luz desempenhou um papel importante, ao manter viva a realização de partidas oficiais na Capital. Cumpriu sua missão com dignidade e evitou que o futebol local ficasse completamente sem casa.
Mas também é preciso reconhecer suas limitações. O estádio das Moreninhas nunca foi concebido para assumir o protagonismo de uma arena voltada às principais competições do calendário nacional, adaptou-se a essa realidade por necessidade, não por vocação.
A reativação do Morenão, portanto, representa um passo importante para corrigir uma deficiência histórica da infraestrutura esportiva do Estado.
Mais do que devolver um patrimônio à população, significa criar condições para que clubes, torcedores, atletas e organizadores de competições contem com um equipamento compatível com a relevância que o futebol ainda tem na sociedade brasileira.
É preciso abandonar a visão de que investir em esporte significa apenas oferecer entretenimento. O futebol movimenta uma cadeia econômica expressiva, gera empregos, impulsiona pequenos negócios, fortalece o comércio, atrai visitantes, movimenta hotéis, bares, restaurantes e serviços.
Além disso, estimula projetos sociais, incentiva crianças e adolescentes à prática esportiva e fortalece o sentimento de pertencimento da comunidade.
Quanto mais competitivo for o futebol de Mato Grosso do Sul, maiores serão os reflexos positivos para toda a sociedade.
Clubes mais estruturados atraem investimentos, revelam talentos, ampliam a visibilidade do Estado e ajudam a inserir a economia local em um mercado esportivo cada vez mais profissionalizado e rentável.
Naturalmente, um novo gramado não resolverá, sozinho, os desafios do futebol sul-mato-grossense. Será necessário investir também na gestão dos clubes, nas categorias de base, na formação de profissionais e na sustentabilidade das competições.
Ainda assim, recuperar o principal estádio do Estado é um passo indispensável. Há muito tempo o futebol de Mato Grosso do Sul aguardava uma boa notícia.
Que ela marque o início de uma nova fase, em que a infraestrutura deixe de ser um obstáculo e volte a ser um instrumento para o desenvolvimento do esporte e da própria qualidade de vida da população.
A reforma tributária ainda nem entrou totalmente em vigor e já divide opiniões. Tem quem aposte que o novo sistema vai resolver distorções antigas, reduzir custos e destravar investimentos. Tem quem já dê como certo o contrário: carga tributária maior, mercado mais retraído, imóveis e aluguéis mais caros.
Nos 25 anos em que acompanho o mercado imobiliário de perto, aprendi a desconfiar de previsões assim, tanto as otimistas quanto as pessimistas. A realidade costuma ser mais complexa e, ao mesmo tempo, mais interessante do que qualquer um dos dois lados imagina.
A Lei Complementar nº 214/2025 reconheceu algo que quem atua nesse mercado sabe na prática: imóvel não se comporta como qualquer outra mercadoria. O ciclo é longo. Muitas vezes, o terreno foi adquirido anos antes de a obra começar.
O investimento é elevado e o retorno financeiro acontece de forma gradual. Aplicar a regra geral do IVA a essa realidade, sem nenhuma adaptação, ignoraria como o setor de fato funciona.
Foi por isso que o legislador criou um regime específico para incorporações, parcelamento do solo, locações, arrendamentos e compra e venda de imóveis. Isso não é privilégio. É reconhecer, na prática, que nem toda atividade econômica cabe na mesma régua