Quando Toto Wolff realizou sua tradicional entrevista anual com a imprensa holandesa em Zandvoort há um ano, Kimi Antonelli ainda atravessava uma fase bastante complicada na Fórmula 1.
Naquela altura, o italiano vivia altos e baixos que marcaram boa parte de sua temporada de estreia.
Por um lado, o então novato havia apresentado momentos brilhantes em Miami e no Canadá. Por outro, essas performances eram intercaladas por finais de semana bastante difíceis.
Na ocasião, Wolff costumava resumir a situação de forma bastante clara.
“Às vezes, há momentos brilhantes que nos deixam de boca aberta. Às vezes, ficamos arrancando os cabelos. Mas tudo isso está dentro das expectativas”.
Por isso, muitos integrantes do paddock esperavam que 2026 apresentasse um cenário semelhante. No entanto, a realidade acabou sendo bem diferente.
Antonelli não apenas manteve o talento que já havia demonstrado. O jovem italiano deu um enorme salto em consistência.
Até agora, Antonelli terminou no pódio em todos os GPs, com exceção de Barcelona e Silverstone.
Consequentemente, o piloto da Mercedes construiu uma vantagem de 59 pontos no campeonato sobre seu companheiro de equipe George Russell e sobre Lewis Hamilton, da Ferrari.
Diante desse cenário, Wolff foi questionado se a dimensão da evolução de Antonelli poderia representar uma das maiores surpresas de sua longa carreira no automobilismo.
A resposta do chefe da Mercedes foi direta: “Definitivamente”.
Ainda assim, Wolff lembra que algumas das maiores referências do grid já haviam previsto esse crescimento. Tanto Hamilton quanto Max Verstappen destacaram o potencial de Antonelli ainda no ano passado.
“Eu acho que os grandes sabem. Dizem que é preciso ser um para reconhecer outro”, explicou Wolff.
“E acredito que, quando você ouve Lewis ou Max no ano passado, eles já diziam que ele tinha potencial. Foi isso que também sentimos na equipe, olhando seus resultados anteriores no kart e nas categorias de base”.
“Apesar disso, sair depois do inverno e simplesmente acertar praticamente todas as corridas é uma das grandes surpresas da minha carreira profissional no automobilismo”.
Entretanto, Wolff acredita que existe uma explicação para a rápida evolução do piloto. E segundo o dirigente, não se trata apenas de uma questão técnica.
É possível, por exemplo, que o carro de 2026 combine melhor com o estilo de pilotagem de Antonelli do que os monopostos de efeito solo utilizados anteriormente.
Porém, Wolff enxerga também uma mudança importante no aspecto humano.
“Quando analiso e me pergunto quais são as razões para ele ter uma reputação tão boa nas categorias de base e no kart, acho que é sua capacidade de processamento”.
Na avaliação do chefe da Mercedes, Antonelli precisava de tempo para compreender tudo o que havia acontecido durante sua primeira temporada