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Organização do circuito neerlandês quis "parar no auge", Algarve agradeceu e prepara-se para receber "cerca de 200 mil visitantes ao longo de três dias" na próximas duas temporadas da Fórmula 1.

▲A última corrida de Zandvoort ocorreu no último domingo e teve como vencedor o britânico Lando Norris

Apesar do despiste de Max Verstappen logo na primeira volta e na semana em que assinou a renovação com a Red Bull, Zandvoort saiu pela porta grande. Depois de seis anos no calendário da Fórmula 1, o circuito neerlandês despediu-se este domingo da categoria no final da temporada de 2026 e fê-lo por escolha própria. A decisão de não renovar o contrato foi dos promotores do evento, não da Fórmula 1, e as razões são financeiras. E pela mesma porta de onde sai Zandvoort, entra agora Portugal, que a partir da próxima época passa a aparecer no itinerário da mais importante competição de desportos motorizados do mundo.

O Grande Prémio dos Países Baixos foi uma exceção à regra no calendário da Fórmula 1: financiado integralmente por fundos privados. Enquanto a esmagadora maioria dos outros Grandes Prémios conta com apoio estatal direto, Zandvoort sobreviveu através de uma parceria entre as empresas SportVibes, TIG Sports e o próprio circuito, assumindo sozinho o risco de um orçamento anual de cerca de 70 milhões de euros, numa altura em que os anos de glória do circuito coincidiram com a ascensão do neerlandês Max Verstappen. Uma das razões que suportam este desfecho passa pelo governo neerlandês, que não tem mecanismos legais para financiar uma corrida anual e cujos apoios se destinam a eventos pontuais, como Campeonatos do Mundo ou da Europa, com um teto máximo de apoio de apenas três milhões de euros.

O modelo de negócio funcionou enquanto os bilhetes esgotavam. Robert van Overdijk, diretor do Grande Prémio, explicou que a verdadeira rentabilidade do evento só chega com os últimos dez mil bilhetes vendidos – o que significa que uma quebra de 20% nas vendas tornaria o evento financeiramente inviável. “Do ponto de vista comercial, não se ganha dinheiro com os primeiros 10.000 bilhetes. Ganha-se com os últimos 10.000“, contou ao The Athletic. Nos últimos dois anos, os promotores começaram a registar uma ligeira diminuição no interesse do público, num mercado, por si só, mais pequeno do que o de países como a Itália, o Reino Unido ou os Estados Unidos, revelou o mesmo meio. Além disso, registou-se um aumento do IVA sobre alojamento local de 9% para 21%, e uma subida de 15% a 20% no preço dos bilhetes para a corrida de despedida, que teve o formato de sprint.

Renovar o contrato por mais quatro ou cinco anos seria, nas palavras dos próprios promotores, um “risco demasiado alto”. Foram exploradas alternativas, nomeadamente uma rotação com Spa-Francorchamps ou Barcelona, mas o modelo revelou-se inviável: manter a estrutura organizativa nos anos sem corrida seria economicamente insustentável, e os patrocinadores dificilmente aceitariam investir em campanhas de anos alternados. A solução encontrada foi a mais digna: o acordo inicial previa um formato de “três anos mais dois”, e os promotores negociaram apenas uma extensão final de um ano para garantir uma corrida de despedida em 2026. Van Overdijk comparou a decisão à de um atleta de alto rendimento que prefere retirar-se no auge a assistir ao próprio declínio. “Foram número um do mundo, continuaram e depois caíram para o 80.º lugar. Isto tornou-se uma parte tão icónica da Fórmula 1 nos últimos cinco ou seis anos, que quisemos parar no auge, voluntariamente”, explicou.

Os pilotos lamentaram. Max Verstappen, que venceu em Zandvoort por três vezes e conquistou ali o seu primeiro título mundial em 2021, descreveu a pista como “condução à moda antiga”, com muito mais caráter do que muitos circuitos modernos que “carecem de personalidade”. Sergio Pérez, hoje na Cadillac, classificou a saída como “uma grande perda para a Fórmula 1”. Charles Leclerc disse que sentirá falta do “desafio da qualificação”, onde o limite do carro, numa só volta, é exigido como em poucos outros circuitos. Stefano Domenicali, CEO da F1, que tinha elogiado Zandvoort como modelo de sustentabilidade – a maioria do público chega ao circuito de comboio ou bicicleta –, terá de encontrar esse exemplo noutro lado.

E já se sabe onde. O Autódromo Internacional do Algarve (AIA), em Portimão, substituirá Zandvoort nas temporadas de 2027 e 2028, num acordo assinado em Londres entre F1, Governo e a administração do circuito, oficializado em dezembro de 2025. O circuito algarvio, com 4,6 quilómetros, já recebeu a Fórmula 1 em 2020 e 2021, durante a pandemia, com Lewis Hamilton a vencer em ambas as ocasiões. Jaime Costa, CEO do circuito algarvio, prometeu “momentos inesquecíveis” e sublinhou que o regresso “só foi possível com o apoio contínuo do Governo desde o início”. Em 2027, a “montanha-russa” de Portimão volta a ter os melhores pilotos do mundo. Zandvoort fecha a porta. E o Algarve abre a janela para receber “cerca de 200 mil visitantes ao longo de três dias”, de acordo com um comunicado do Governo, depois de ser conhecida a alteração