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Paulo Fonseca é o homem escolhido por Frederico Varandas para suceder a Rui Borges. Sobre os protestos pela habitação, a noite foi calma tanto em Lisboa como no Porto sem intervenção policial.
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Muito bom dia. Notícias às 7, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. Começamos com os protestos pela habitação. A noite foi calma, tanto em Lisboa como no Porto, sem nova intervenção policial. O presidente da República mostra-se disponível para falar com os manifestantes no dia em que reúne o Conselho de Estado.
Por volta da meia-noite, grande parte dos milhares de manifestantes que tinham ocupado o Rossio, em Lisboa, já tinham dispersado, mas antes viveram-se alguns momentos de tensão. O último aconteceu depois do rebentamento de três petardos, que levou os manifestantes à perseguição do alegado responsável, acusado de ser um agente da polícia à paisana. O homem acabou por se refugiar no interior de um restaurante. A PSP nega a tese do agente infiltrado. Fonte da Polícia de Segurança Pública adianta ao Observador que o homem em questão tem 41 anos e é gestor de profissão. Ainda antes deste episódio, já tinha havido um outro momento de tensão, quando a polícia começou a multar alguns condutores que buzinavam em solidariedade com a manifestação.
No Porto, foram montadas 15 tendas na Praça Dom João I durante a noite.
Mas desta vez a polícia optou por um dispositivo discreto e permitiu que os manifestantes passassem a noite na rua, os poucos que lá ficaram. A pernoita foi uma decisão tomada em assembleia popular, onde foi ainda rejeitado o convite do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, para uma reunião com as pessoas que se têm manifestado na Praça Dom João I. Também de noite, chega a intenção do presidente da República de se encontrar com os manifestantes, ainda sem hora nem local. Um dos porta-vozes da acampada, Henrique Blanc, explica que recebeu com agrado este contacto da Casa Civil da Presidência da República.
Hoje, às 19h30, entraram em contacto comigo, através da Casa Civil da Presidência da República, a pessoa responsável, e informou-me que o presidente da República estava disposto a reunir conosco para discutir as propostas que nós temos e também estes últimos acontecimentos relacionados com a acampada. Está claro que foi uma proposta recebida com muito bom agrado da nossa parte, mas que ainda irá ser discutida por nós todos de forma democrática, como tem sido tudo até este momento.
Henrique Blanc é um dos porta-vozes da acampada do Porto, em declarações aos jornalistas. Para já, Carlos Pedro, o chefe de Estado está empenhado em mostrar que está ativamente a acompanhar os protestos e a intervenção da polícia.
Poucas horas tinham passado sobre a operação policial na madrugada de domingo, em Lisboa e no Porto, quando chega o primeiro sinal de António José Seguro. Fonte da Presidência faz saber aos órgãos de comunicação social que o chefe de Estado pediu informações e esclarecimentos com todo o detalhe a Luís Montenegro e à Provedora de Justiça. Poucos minutos depois, a mesma fonte clarifica a iniciativa, diz que a informação foi solicitada ao governo e à Provedoria de Justiça, tendo em conta o acompanhamento feito pelo Mecanismo Nacional de Prevenção. A Presidência dizia também que tinha procurado saber o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas. Cerca de duas horas mais tarde, a mesma fonte avança que Seguro já tinha falado com Luís Montenegro e com Luísa Neto, mas isto sem prestar qualquer informação sobre o teor das conversas. Horas depois, já com novas manifestações na rua, a Presidência revelou que António José Seguro falou com Pedro Duarte e Carlos Moedas, os autarcas de Porto e Lisboa, e que manifestou disponibilidade para se encontrar com os manifestantes. É neste contexto que o presidente da República reúne hoje o Conselho de Estado, no Palácio de Belém, às 15h.
Carlos Pedro, com as iniciativas do presidente da República, depois das críticas ao silêncio perante as manifestações e perante a intervenção da polícia. António José Seguro tem ainda esta manhã agenda pública, antes da reunião do Conselho de Estado. Ele vai estar na nova SBE, em Carcavelos, às 10h45.
As cargas policiais do fim de semana vão ser o tema do Explicador desta manhã. São nossos convidados o superintendente da PSP, Carlos Bastos Leitão, e o deputado do PS, Pedro Delgado Alves. Os 13 manifestantes detidos este fim de semana são os presentes a primeiro interrogatório judicial.
No Porto, os detidos começam a ser ouvidos às 10h, no Tribunal de Pequena Instância Criminal. Em Lisboa, o primeiro interrogatório está marcado para as 14h, no Campus da Justiça. Estes manifestantes foram detidos na sequência da carga policial da madrugada de domingo, tanto em Lisboa como no Porto. O advogado Ricardo Sá Fernandes vai apresentar uma queixa-crime contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP. Ele contesta a legalidade e o recurso à força na atuação policial.
O Sindicato dos Jornalistas também vai avançar com uma queixa na Provedoria de Justiça contra a PSP.
Exige o apuramento de responsabilidades pela agressão e intimidação de jornalistas que cobriam os protestos no Porto e em Lisboa. Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas condena, em particular, a agressão a um repórter de imagem por parte de um agente da PSP na madrugada de domingo.
Destaque agora para as reações políticas à carga policial nas acampadas. André Ventura volta a culpar Luís Montenegro pela tensão que se vive nas ruas.
O presidente do Chega considera que estes problemas só surgem porque o governo não sabe reagir. Ventura volta também a sair em defesa da PSP.
Mas podemos dizer que são os polícias os responsáveis por esta insatisfação? Como podemos colocar isto como um problema de ordem pública ou de caráter da polícia? Este não é um problema de caráter da polícia. No máximo, este é um problema de caráter do governo e dos vários governos que se sucederam. Esta não devia ser uma questão de ordem pública. Só nasceu uma questão de ordem pública porque o primeiro-ministro desapareceu de cena durante vários dias ou semanas.
André Ventura, em conferência de imprensa ontem na sede do Chega, anunciou ainda que vai apresentar um pacote de emergência para a habitação.
Já o Livre pede mesmo a demissão do ministro da Administração Interna e vai acompanhar o pedido de debate de urgência do PCP