Bia Figueiredo é um dos principais nomes do automobilismo feminino brasileiro. Ao longo da carreira, a piloto passou por diferentes categorias no Brasil e no exterior e abriu caminhos para outras mulheres no esporte a motor. Atualmente na Dakar Motorsports, na Copa Truck, Bia participou do programa Curva 1 Especial, de O TEMPO Sports, nesta quarta-feira (16), e relembrou as dificuldades enfrentadas no começo da trajetória, além de destacar momentos em que foi pioneira dentro das pistas.

Segundo Bia, o início da carreira foi marcado por um forte preconceito, inclusive entre mulheres ligadas ao ambiente do kart. A piloto contou que era vista com estranhamento por parte das mães e irmãs de outros competidores.

“Quando comecei no automobilismo, a maioria das mulheres não apoiavam e achavam esquisito uma menina correr. Inclusive, as mães e as irmãs dos pilotos de kart. Era um preconceito muito grande comigo. E desde que eu voltei para o Brasil, para a Stock Car, ocorreu uma mudança. As mulheres começaram a acompanhar e apoiar. Hoje eu tenho um público feminino espetacular. O que eu não tinha antes”.

A trajetória de Bia também é marcada por feitos inéditos. A piloto lembrou que se tornou uma referência para mulheres brasileiras que buscavam espaço no automobilismo e destacou uma conquista recente no rally raid.Bia Figueiredo relembra carreira e fala sobre desafios do esporte no Curva 1 Especial

Em 2026, Bia participou de uma prova no Jalapão e venceu a competição. Depois da vitória, recebeu a informação de que havia se tornado a primeira mulher a vencer uma prova de rally raid. O feito surpreendeu a própria piloto.

“Sobre a questão do pioneirismo, acabei sendo uma referência no Brasil como a mulher que chegou mais distante no automobilismo. Inclusive, esse ano tive uma oportunidade de correr de rally no Jalapão e a gente venceu. Foi algo incrível, uma experiência única e diferente. Mas quando me deram os parabéns e me falaram que eu era a primeira mulher a vencer uma prova de rally raid, eu não acreditei. A gente está em 2026 e nunca uma mulher tinha vencido. Porque eu conheço grandes nomes que já correram e isso me chocou”.

A passagem pelo rally representa mais um capítulo de uma carreira construída em diferentes modalidades. Bia já competiu em categorias como Indy, Stock Car e, atualmente, disputa a Copa Truck, ampliando uma trajetória que também ganhou importância pela presença feminina em ambientes tradicionalmente dominados por homens.

Durante a entrevista, Bia também analisou o momento de Kimi Antonelli na Fórmula 1. O italiano, jovem piloto da Mercedes, vem sendo um dos grandes destaques da temporada 2026 e lidera o campeonato.

Para Bia, o desempenho do piloto não é uma surpresa. Ela destacou a precocidade de Antonelli desde os primeiros passos no kart e classificou o italiano como um “mega talento”.

“É um fenômeno. A primeira corrida no kart ele já ganhou. Eu fiquei feliz porque eu não fui a última. Fui a penúltima. E ele já chegou ganhando. É filho de mecânico, já está envolvido no kart e cresceu nesse mundo. É um mega talento. Tudo ele foi ganhando e ganhando. Dizem até que a Ferrari teve a oportunidade de pegá-lo como jovem, porém a Mercedes se antecipou. O Toto Wolff foi visionário e investiu no menino”.

Aos 20 anos, Antonelli vive sua temporada de afirmação na principal categoria do automobilismo mundial. Para Bia, a combinação entre talento precoce, experiência acumulada desde o kart e o investimento da Mercedes ajuda a explicar o desempenho apresentado pelo italiano.

A história de Bia Figueiredo, por sua vez, continua sendo construída em diferentes frentes do automobilismo. Da dificuldade para conquistar espaço no kart ao protagonismo em categorias nacionais e internacionais, a piloto se tornou uma referência para novas gerações e segue ampliando seu próprio caminho dentro do esporte a motor