GM quer vender picapes GMC e Cadillac Escalade no Brasil, mas esbarra na legislação

Fábio Rua, Vice-presidente da GM, garante que lei de homologação sobre segurança acontece no padrão europeu e inibe entrada de marcas norte-americanas no Brasil. Crédito: Imagem e som: Phelps/Edição: Laís Nagayama

A Cadillac ainda busca seu primeiro ponto na Fórmula 1, mas já trabalha para transformar a participação na categoria em negócios fora dos circuitos. Às vésperas do GP de São Paulo, a marca de luxo da General Motors apresentou uma réplica oficial de seu monoposto durante um jantar nesta sexta-feira, 30. O carro ficará exposto no Shopping Iguatemi, na capital paulista, de 31 de outubro a 2 de novembro.

A iniciativa ajuda a entender por que o investimento em uma equipe vai muito além do desempenho no campeonato. A Cadillac começou oficialmente sua operação comercial no Brasil e tem na F1 uma vitrine mundial para apresentar a marca, sua engenharia e seus planos. Mesmo com os resultado s da temporada de estreia, a presença no grid oferece oportunidades de exposição que a GM já explora por aqui.

A operação da Cadillac no Brasil, vale lembrar, começa com a pré-venda dos SUVs elétricos Lyriq e Vistiq. O atendimento será feito por três centros de experiência, instalados em São Paulo, Curitiba e Brasília.

“Ao iniciarmos nossa presença comercial no país com uma nova geração de veículos, a Cadillac chega a Interlagos como integrante do grid da Fórmula 1”, afirma em comunicado Nancy Serapião, diretora da marca para a América do Sul.

Construída exclusivamente para exibição, a réplica representa o MAC-26, primeiro carro da Cadillac na F1. As iniciais significam Mario Andretti Cadillac, em homenagem ao campeão mundial de 1978.

A bela pintura combina branco e preto com um padrão inspirado no emblema da fabricante. A réplica terá paradas em São Paulo, Curitiba e Brasília, cidades que recebem as primeiras operações da Cadillac no país. O roteiro começa pelo Shopping Iguatemi, na capital paulista, um dos principais endereços do varejo de luxo brasileiro.

A apresentação abre a programação da Cadillac para o GP de São Paulo, marcado para 6 a 8 de novembro, em Interlagos. Antes disso, porém, a Fórmula 1 corre no México, casa de Sergio “Checo” Pérez, um dos titulares da equipe norte-americana.

Na pista, a primeira temporada mostra o tamanho do desafio de construir uma equipe. A Cadillac chega à etapa mexicana em 11º e último lugar no Mundial de Construtores, sem pontos após 18 GPs.

A experiência dos pilotos ajuda no desenvolvimento, mas não resolve sozinha as limitações do MAC-26. Bottas, por exemplo, acumulou oito abandonos até Austin, onde deixou a prova com suspeita de problema na unidade de potência. A falta de confiabilidade também dificulta a avaliação de desempenho do veterano finlandês.

Pérez, por outro lado, já renovou seu contrato até pelo menos 2029. A extensão foi anunciada antes da corrida em casa e garante continuidade a uma parte do projeto. A situação de Bottas para 2027, contudo, permanece indefinida.

Colton Herta, piloto de testes da Cadillac, é candidato à vaga. Sua promoção atenderia ao interesse da equipe em contar com um norte-americano no grid. Isso, todavia, ainda não o coloca como favorito.

Herta também precisa resolver a questão da superlicença. Mesmo após participar do primeiro treino livre no México, na sexta-feira, ele soma 39 dos 40 pontos exigidos. Uma estranha divergência na contabilização de sua classificação na Indy em 2025 explica a confusão.

Falta, portanto, um ponto, que pode ser obtido ao completar pelo menos 100 km em mais uma sessão de treino livre, cumpridas as demais condições. Assim, Interlagos surge como uma oportunidade para concluir essa etapa.

O começo difícil não mudou o horizonte do projeto. Enquanto utiliza unidades de potência da Ferrari, a Cadillac prepara a adoção de um conjunto próprio, desenvolvido pela GM Performance Power Units, empresa formada pela General Motors e pela TWG Motorsports.

A FIA já aprovou a companhia como fornecedora a partir de 2029. Até a homologação dos motores próprios para uso nas corridas, a equipe seguirá com os conjuntos da fabricante italiana.

Mas voltemos ao campeonato de 2026. Antes da passagem pelo Brasil, o GP do México pode definir o Mundial de Pilotos. Kimi Antonelli, da Mercedes, chega ao fim de semana com 365 pontos, contra 242 de George Russell (Mercedes) e 241 de Lewis Hamilton (Ferrari).

A conta passa pelos pontos que ainda estarão disponíveis depois do México, nas quatro corridas restantes. Um nono lugar neste domingo rende dois pontos a Antonelli e o leva a 367. Mesmo que Russell vença, chegará a 267 -- insuficiente para que alcance o companheiro de equipe.

Nesse cenário, o britânico só poderia empatar em pontos com o italiano ao fim da temporada, e Antonelli já teria vantagem graças ao número de vitórias. Por isso, chegar entre os nove primeiros garante o título ao jovem, independentemente dos demais resultados