Brando Badoer acelera durante os testes da Fórmula 3 em Madring, circuito que promete exigir precisão absoluta dos pilotos
Em um momento de fortes críticas aos novos carros da Fórmula 1, o circuito de Madring promete devolver à categoria algo que muitos acreditavam estar desaparecendo: uma pista à moda antiga, desafiadora e incapaz de perdoar erros.
O novo circuito do GP da Espanha receberá sua primeira corrida neste fim de semana. Muros próximos, zebras agressivas, curvas cegas e mudanças de elevação formarão um teste completo para pilotos e equipes.
A pista mistura características de Mônaco, Macau e Jeddah. Os muros ficam próximos, algumas zebras não permitem qualquer abuso e várias curvas lançam os carros diretamente contra as barreiras caso o piloto erre por poucos centímetros.
Esse conjunto promete uma classificação espetacular. Ao mesmo tempo, porém, existe o risco de a corrida se transformar em uma procissão, pois Madring oferece poucas oportunidades claras de ultrapassagem.
Os dois dias de testes da Fórmula 3 realizados em Madring forneceram a primeira amostra real do tamanho do desafio. O resultado assustou as equipes: 19 bandeiras vermelhas, três chassis quebrados e uma longa relação de suspensões e outros componentes danificados.
“Tudo bem, são pilotos de Fórmula 3, mas é uma pista que destrói carros”, resumiu James Vowles, chefe da Williams, ao veículo espanhol Sport.
Segundo apuração do site The Race, algumas equipes da categoria ficaram bastante insatisfeitas com a quantidade de prejuízos acumulados durante a atividade.
Por outro lado, o teste cumpriu uma função importante. Os organizadores solicitaram o evento justamente para encontrar problemas antes da chegada da F1 e evitar uma estreia como a de Las Vegas. Em 2023, uma tampa de bueiro solta interrompeu o TL1, destruiu o carro de Carlos Sainz e provocou a revolta de Fred Vasseur.
A Ferrari já havia realizado um dia de filmagem em Madring durante julho. Entretanto, naquela ocasião, várias áreas da pista ainda estavam em uma condição rudimentar. Portanto, coube à F3 fazer o primeiro teste verdadeiramente representativo do circuito.
O dado mais inquietante não está apenas nas 19 interrupções, mas na distribuição dos acidentes. Os pilotos bateram em diferentes partes da pista, mostrando que Madring não possui uma única armadilha principal. O perigo aparece repetidamente ao longo da volta.
As 19 bandeiras vermelhas do teste da F3 ocorreram em diferentes pontos de Madring, revelando perigos espalhados por toda a volta
Essa característica também preocupa pelo impacto financeiro. Nesta altura da temporada, várias equipes administram cuidadosamente os recursos que ainda possuem dentro do limite de custos. Um acidente forte pode consumir dinheiro reservado para atualizações ou para a produção de peças sobressalentes.
Freddie Slater, líder do campeonato de F3 e piloto apoiado pela Audi, acredita que a principal dificuldade está na forma como os muros acompanham as saídas das curvas.
“Os muros vêm em sua direção na saída, em vez de se afastarem, como acontece na maioria das pistas”, explicou Slater. “Você está sempre tentando sair da curva e se afastar deles, em vez de simplesmente maximizar a trajetória.”
Consequentemente, Madring cria um dilema. O piloto precisa atacar para produzir um bom tempo, mas qualquer excesso cobra um preço muito alto.
Se ele adotar uma margem de segurança grande demais, perde rendimento. Caso procure o limite, fica exposto às barreiras, às zebras agressivas e às mudanças de elevação.
Apesar dos riscos, Slater colocou Madring entre suas pistas preferidas. Segundo ele, o traçado transmite uma sensação de “velha guarda”, semelhante à encontrada em alguns circuitos britânicos e em Macau.
Não se trata, portanto, de mais uma pista urbana formada apenas por curvas de 90 graus. Madring tem personalidade própria, variações de ritmo e uma sequência de desafios que exige precisão do início ao fim da volta.
A volta começa com uma chicane lenta, seguida por um trecho percorrido com o acelerador totalmente aberto nas curvas 3 e 4. Logo depois aparece uma das áreas mais perigosas: a segunda chicane